Quase metade dos brasileiros que apostam em sites de cassino e jogos de azar online dizem fazer isso para conseguir uma renda extra e pagar contas. A informação é de uma pesquisa do Datafolha.
O estudo ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios entre os dias 8 e 9 deste mês. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Do total de entrevistados, 10% afirmaram ter o hábito de apostar nesses sites. Desses, 2% apostam com alta frequência, 4% às vezes e 4% raramente.
Entre os apostadores, 46% declararam que usam as apostas como uma forma de obter renda extra para ajudar com as despesas. Considerando toda a amostra, 5% dos entrevistados já apostaram com esse objetivo e 1% disse já ter usado o dinheiro das contas do mês para apostar.
O perfil mais comum entre quem declara apostar é de homens (14%), na comparação com mulheres (7%). A prática também é mais comum entre jovens com ensino médio completo que têm renda de até dois salários mínimos, o equivalente a R$ 3.242.
Segundo Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV, as apostas contribuem para o endividamento, mas outros fatores têm peso maior. Ele cita educação financeira, oferta de crédito e o cenário macroeconômico.
“As bets têm a sua parcela de culpa, inequivocamente, mas não são só elas”, disse o especialista. Ele ainda afirmou que não se trata apenas de um problema de educação financeira, mas de uma combinação de fatores que inclui renda, inflação e crescimento da economia.
No Brasil, ainda há pouca literatura econômica independente sobre o assunto. Um estudo recente do National Bureau of Economic Research (NBER), dos Estados Unidos, analisou o impacto das apostas online na estabilidade financeira das famílias.
Os pesquisadores americanos usaram códigos de transação eletrônica para rastrear gastos em 11 grandes plataformas, que dominam 70% do mercado local. A descoberta mais relevante foi um efeito de substituição direta: para cada US$ 1 gasto em apostas, há uma redução de US$ 1 na poupança e em outros investimentos.
Por outro lado, um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável mostra um impacto menor no Brasil. A pesquisa, feita pela consultoria LCA, indica que os gastos com apostas representam 0,46% do consumo total das famílias. Esse valor é próximo do percentual gasto com bebidas alcoólicas, que é de 0,5%.
A entidade reúne alguns dos maiores sites de apostas que atuam no país. Os dados sugerem que, no contexto geral do consumo, o peso financeiro das apostas é limitado, de acordo com essa visão.
