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Amiga de Lulinha fez 40 visitas a órgãos fora da agenda

Amiga de Lulinha fez 40 visitas a órgãos fora da agenda
roberta luchsinger

A empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, fez ao menos 40 visitas a ministérios e à Presidência entre 2023 e 2024. Dessas, apenas uma está registrada oficialmente nas agendas públicas de autoridades, apesar da obrigação legal.

A informação foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela reportagem. Das 40 visitas, 17 foram ao Ministério do Desenvolvimento Social, enquanto 15 tiveram como destino o Ministério da Saúde. A empresária também esteve ao menos oito vezes no Palácio do Planalto. Os registros foram divulgados por meio da LAI (Lei de Acesso à Informação).

Em alguns casos, a empresária esteve acompanhada por outros empresários, como representantes das empresas Duosystem e Grupo Bringel. Roberta Luchsinger é investigada pela Polícia Federal, que apura o vínculo entre o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Lulinha, filho do presidente Lula.

Questionada pela reportagem por WhatsApp, a defesa de Roberta disse que “em respeito à Justiça, a partir de agora trataremos desse assunto nos autos, com muita tranquilidade”. O filho do presidente nega envolvimento em irregularidades.

No Ministério do Desenvolvimento Social, Roberta registrou o gabinete do ministro Wellington Dias como o principal destino, tendo também se encontrado com o secretário-executivo adjunto, Rannier Costa Ciríaco. Quatro vezes ela esteve acompanhada por Efraín Saavedra, que representa a Duosystem. A empresa desenvolve tecnologias de saúde digital, como para regular o acesso a medicamentos e marcar consultas.

Em uma das visitas que fez sozinha, em março de 2023, Roberta entregou a Dias presentes avaliados pelo ministério em R$ 360 e tirou fotos com o ministro. Na ocasião, ela o presenteou com uma edição de colecionador do livro “O Alquimista”, de Paulo Coelho, com dedicatória, além de uma caixa de bombons. O ministério disse por LAI que a visita não teve pauta e durou aproximadamente cinco minutos, sendo considerada uma cortesia, em razão da posse do ministro no cargo.

Já no Ministério de Saúde, o foco foi a Secretaria Executiva, então coordenada por Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger. Do total de 15, apenas uma reunião foi registrada em agendas públicas. Em 23 de outubro, Roberta foi ao ministério para, de acordo com os registros, apresentar um sistema de gestão da saúde e regulação da Duosystem ao lado de representantes da empresa.

Estiveram presentes o então chefe da Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Nésio Fernandes, a secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, e o então secretário-executivo adjunto Elton Bandeira. No Planalto, Roberta fez oito visitas, das quais três foram acompanhadas por Sérgio Bringel, CEO do Grupo Bringel. De acordo com apuração do jornal O Estado de S. Paulo, o visitado foi o então ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Alexandre Padilha, que atualmente é ministro da Saúde.

A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência) afirmou à reportagem que as audiências ocorreram com servidores e seguiram as normas da administração pública. Além disso, disse que reuniões com sociedade civil, setor produtivo e outros segmentos são parte da rotina. “Essas agendas não produziram qualquer desdobramento administrativo, contratual ou regulatório decorrente desses encontros”, completou a pasta.

O Ministério da Saúde afirmou que seus gestores “recebem, em acordo com as regras da administração pública, representantes de diversos setores da saúde para apresentação de novas tecnologias e soluções”. Sobre a Duosystem, disse que a companhia “apresentou à pasta proposta para regulação da atenção especializada, utilizada em São Paulo e em alguns outros estados”. “Por falta de interesse do Ministério da Saúde, não houve qualquer andamento.”

O Ministério de Desenvolvimento Social não respondeu aos contatos, feitos por email e ligação ao longo desta terça-feira (4). A reportagem ligou para os números registrados no site do Grupo Bringel, mas também não houve resposta.

Em maio deste ano, Roberta Luchsinger disse à PF que foi responsável por apresentar Lulinha para o lobista conhecido como Careca do INSS. Em dezembro, havia sido alvo de buscas em fase da Operação Sem Desconto, que investiga esquema que teria descontado mais de R$ 6 bilhões dos beneficiários do INSS de 2019 a 2024. A fraude consistia em débitos não autorizados em aposentadorias e pensões e se tornou tema de desgaste do atual governo.

A polícia apontou, em dezembro, a atuação de Roberta como “essencial para a ocultação de patrimônio, movimentação de valores e gestão de contas bancárias e estruturas empresariais utilizadas como instrumentos da lavagem de capitais”. Nesta terça-feira (4), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a abertura de um terceiro inquérito contra Lulinha para apurar suspeitas de tráfico de influência, após pedido da PF. Assim como as duas primeiras, a investigação também envolve a suspeita de atuação de Roberta Luchsinger em favor de uma empresa junto a um órgão público.

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