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China pede estabilidade global antes de cúpula com Trump

China pede estabilidade global antes de cúpula com Trump
Foto: Andrew Caballero-Reynolds / AFP

A China afirmou nesta segunda-feira (11) que deseja trabalhar com os Estados Unidos para trazer mais estabilidade às relações internacionais, antes da visita do presidente americano, Donald Trump, ao país asiático. A cúpula de três dias com o presidente chinês, Xi Jinping, ocorrerá de quarta a sexta-feira.

A visita estava prevista para o final de março, mas foi adiada por causa da guerra no Oriente Médio. Esta é a primeira vez desde 2017, durante o primeiro mandato de Trump, que um presidente dos EUA visita a China. Joe Biden, seu sucessor, não esteve no país durante os quatro anos de governo.

As relações comerciais devem ser o tema central das negociações, após um ano de conflitos envolvendo tarifas e restrições. Antes da cúpula, negociadores dos dois países — o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent — devem se reunir em Seul. Em outubro, Xi e Trump concordaram com uma trégua temporária na guerra comercial e podem estendê-la durante a visita.

Outro assunto em pauta será a crise no Oriente Médio, iniciada com o ataque de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que Pequim quer trabalhar com os EUA com base na igualdade e no respeito mútuo para gerenciar diferenças e trazer mais estabilidade ao mundo.

A China é diretamente afetada pelo conflito e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do gás e petróleo do mundo. Trump chega à China na noite de quarta-feira. Na quinta, haverá cerimônia de boas-vindas, reunião bilateral com Xi, visita ao Templo do Céu e um banquete de Estado. Na sexta, os líderes terão um chá bilateral e um almoço de trabalho antes do retorno de Trump a Washington.

A China é a principal importadora de petróleo iraniano e um parceiro econômico e político importante para o Irã. Mais da metade do petróleo importado pela China por via marítima vem do Oriente Médio e passa pelo Estreito de Gibraltar, segundo a Kpler. O país começa a sentir os efeitos da guerra, mas está mais preparado que seus vizinhos.

Especialistas apontam que Xi Jinping chega à cúpula em posição de força em relação a Trump, que enfrenta pressão das eleições de meio de mandato nos EUA em novembro. Desde o início da guerra, Pequim moderou críticas aos EUA e o apoio ao Irã. Guo Jiakun disse que a China manterá um papel positivo na resolução da crise.

Na sexta-feira, o Departamento de Estado dos EUA anunciou sanções contra três empresas na China acusadas de fornecer imagens de satélite ao Irã. A China se opõe a sanções unilaterais, segundo Guo, que afirmou que o urgente é evitar a retomada do conflito. O Tesouro dos EUA também sancionou empresas na China continental e em Hong Kong por suposto fornecimento de armas ao Irã. Analistas duvidam que Pequim ceda à pressão sobre o Irã e acreditam que a China buscará conquistas concretas, mesmo que mínimas, como em relação às tarifas.

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