Lula e Trump têm reunião de três horas na Casa Branca

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram nesta quinta-feira (7) na Casa Branca. O encontro durou três horas e abordou temas como combate ao crime organizado, tarifas comerciais, minerais críticos e a regulação de grandes empresas de tecnologia.
Ministros presentes avaliaram a reunião como positiva e um sucesso. “Saio satisfeito da reunião. Não tenho assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, disse Lula em entrevista coletiva na embaixada brasileira.
Um dos objetivos do governo brasileiro era entregar uma proposta de cooperação em segurança pública para combater o crime organizado, incluindo o tráfico de armas e a lavagem de dinheiro. O documento foi entregue em inglês a Trump. “Ele disse que ia ler a proposta à noite”, afirmou Lula.
O governo brasileiro teme que os EUA classifiquem as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Segundo Lula, esse assunto não foi tratado na reunião bilateral.
Houve momentos de tensão no encontro, com divergências sobre tarifas comerciais. Lula afirmou que o Brasil teve um déficit de US$ 14 bilhões com os Estados Unidos e contestou o argumento de Trump sobre um desequilíbrio favorável ao Brasil. Para resolver o impasse, Lula propôs a criação de um grupo de trabalho que, em 30 dias, apresente uma proposta para acordo.
Lula reforçou que não interfere em eleições de outros países e disse não acreditar em interferência de Trump nas eleições brasileiras. “Quem decide o destino do Brasil é o povo brasileiro”, declarou.
O presidente brasileiro entregou a Trump uma lista com nomes de autoridades brasileiras proibidas de entrar nos EUA, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a filha de 10 anos do ministro Alexandre Padilha (Saúde). “Se ele não resolver, quando eu me encontrar com ele outra vez, entrego outra vez”, disse Lula.
Lula enfatizou que o Brasil não será um “mero exportador” de minerais críticos e que o país está aberto a parcerias com diversos países, incluindo EUA, China, Alemanha e França. Sobre a regulação de big techs, Lula negou que o Brasil esteja proibindo plataformas americanas, mas defendeu a regulamentação soberana do país.
Lula se ofereceu para mediar conversas sobre Cuba e criticou o bloqueio econômico imposto pelos EUA à ilha. Segundo ele, Trump sinalizou que não pensa em invadir Cuba. “É um sinal importante”, afirmou Lula.
Em um momento de descontração, Lula brincou com Trump sobre a Copa do Mundo, pedindo que ele não anule os vistos dos jogadores da Seleção Brasileira. “Nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo”, disse Lula, que relatou que o republicano riu.
Durante o almoço, Lula contou que Trump reclamou de laranja na salada e foi visto tirando a fruta do prato. Lula classificou o vínculo com Trump como uma “relação sincera” e comparou o encontro a “amor à primeira vista”.