S&P rebaixa nota do BRB e cita risco em capitalização

A agência de classificação de risco S&P Global rebaixou, nesta sexta-feira (5), a nota de crédito do BRB (Banco de Brasília). A classificação foi de “brB-/brB” para “brCCC+/brC”.
Segundo a S&P, a nova nota significa que o banco está “altamente vulnerável e dependente de condições comerciais, financeiras e econômicas favoráveis para cumprir compromissos financeiros”.
O rebaixamento ocorre dias após um acordo entre o governo do Distrito Federal e a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para viabilizar um socorro de até R$ 6,5 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) à instituição. A capitalização busca cobrir o rombo deixado por operações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
A S&P afirma que a nova nota reflete “a crescente incerteza e os riscos de execução associados ao plano de capitalização, que, em nossa visão, passou a ser o principal desafio do banco diante das perdas decorrentes dos eventos recentes”.
Desde o lançamento da Operação Compliance Zero, o BRB enfrenta desafios relacionados à compra de ativos fraudulentos do Banco Master, condutas de executivos de alto escalão, fragilidades de governança e conflitos de interesse.
Os termos do empréstimo ainda estão sendo discutidos. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, informou que a proposta prevê pagamento em 15 anos e prazo de carência de dois anos. A taxa de juros não foi divulgada.
A operação não contará com aval da União, mas o governo federal concordou em ampliar o limite de crédito do Distrito Federal. Atualmente, a gestão distrital esbarra no teto de cerca de R$ 900 milhões do PAF (Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal).
A União calcula que seja possível viabilizar ao BRB um empréstimo entre R$ 6 bilhões e R$ 6,5 bilhões junto ao FGC. A garantia virá de um grupo formado pelos maiores bancos públicos e privados do país, com Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal avaliando compor esse conjunto.
A S&P aponta que as iniciativas estão sujeitas a uma estruturação complexa. “Esse cenário eleva o risco de atrasos e incertezas em um horizonte de tempo exíguo, diante da necessidade de capitalização estimada entre R$ 6 bilhões e R$ 8 bilhões”, afirma a agência.
“Descompassos no cronograma ou insuficiência de recursos para absorver as perdas podem elevar o risco de liquidação da instituição”, completa a S&P.
A materialização do acordo ainda enfrenta desafios de cronograma e riscos de impasses legislativos. “Esse cenário, somado à volatilidade de um ano eleitoral e às pressões orçamentárias do Distrito Federal, aumenta as incertezas”, diz a agência.
A nova nota de crédito também considera possíveis novos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que podem resultar em impactos adicionais à liquidez e ao funding do BRB, além de aumentar o risco reputacional do banco.