Música nas Escolas - Faça acontecer!

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A década é 1970. A seleção brasileira de futebol acabou de conquistar o tricampeonato no México e o Brasil vive sob a pressão da botina do governo militar. Nesse mesmo período, decreta-se a morte do ensino de música nas escolas públicas e particulares. No lugar das aulas de música, as escolas estão obrigadas a ministrar aulas de Educação Moral e Cívica e, mais tarde, Organização Social e Política do Brasil – OSPB.

O máximo que se aprendia em termos de música naquela época era cantar os hinos cívicos tais como o Hino Nacional, Hino da Independência, da Bandeira. As músicas que podiam tocar nos meios de comunicação eram somente as permitidas pelos fardados, tal como "Você também é Responsável", interpretada por Dom e Ravel, a qual, mais tarde, se tornaria conhecida como o Hino do Mobral - Movimento de alfabetização, ou ainda, da mesma dupla "Eu te amo meu Brasil".

O resultado é que hoje temos uma geração inteira com problemas em apreciar música. Muitos reclamam do tipo de música que é divulgado, da mensagem que a música veicula, do sucesso do grotesco e da falta de perspectiva na criatividade musical. Até as músicas que tocam no trenzinho infantil da nossa cidade, Cravinhos - SP, já foram questionadas no que diz respeito à adequabilidade para as crianças. Mas pouco se faz para mudar esse panorama.

Vamos agora para o ano de 2008. A Lei Federal 11.769, trouxe em seu Artigo 26, § 6º, a seguinte redação: A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo, do componente curricular de que trata o § 2º deste artigo... Os sistemas de ensino terão 3 (três) anos letivos para se adaptarem às exigências estabelecidas nos arts. 1º e 2º desta Lei.

Estamos em 2015. Em que pese a iniciativa de uns poucos, as escolas públicas e particulares ainda não possuem a Música em sua grade curricular, em franco descumprimento de uma Lei Federal. Ter bandinhas, formar um coral de alunos ajuda, mas não resolve. Alegam uma série de dificuldades para cumprir a lei, levantam monte de obstáculos e listam uma enormidade de problemas para fazer acontecer.

 Isso me faz lembrar meu primeiro chefe no início da minha vida profissional como engenheiro. Entrei na sala dele e disse: “chefe, eu tenho um problema”. A resposta dele foi um chacoalhão no meu ego: “eu não te contratei para me trazer problemas; me venha com soluções”. Na próxima vez que precisei procurar meu chefe para uma decisão, entrei na sala dele e disse: “chefe, tenho três soluções para o senhor decidir qual iremos adotar”.

Hoje, engenheiro aposentado e músico, ainda guardo a lição: não reclame e nem choramingue. Faça acontecer!

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