O novo modelo de jornal proposto pelo L'Opinion

Sugerido por Filipe Rodrigues

Em um momento de grave crise da imprensa tradicional (muitas vezes causada pela própria), parece que na França surgiu o que vem a ser um novo modelo de jornalismo impresso e de sobreviência do negócio frente a Internet.

Por um lado há o jornal tradicional que cobra muito caro pela notícia, mas não vende e não consegue reduzir  custos para baixar o preço. Por outro lado existe jornais baratíssimos ou gratuitos (sustentado inteiramente pela publicidade) de qualidade duvidosa.

Será que não existe o meio-termo? Com um conteúdo diferenciado e sem querer copiar o formato de notícias da mídia digital?

Do Terra Magazine

O novo perfil do intermediário

Se há uma grande mudança a partir da mega conexão das pessoas é o fim dos intermediários. Pelo menos no modelo hoje conhecido.

Para que utilizar uma central de táxis se o usuário utiliza o aplicativo de localizar e chamar os carros mais próximos – grátis?

Por que comprar passagens aéreas com agências se as companhias incentivam a compra direta, sem comissões – e ainda oferecem enormes descontos?

E para que servem os jornais feitos no velho estilo de notícias, notícias e mais notícias, se as informações relevantes chegam à audiência em tempo real por dispositivos móveis e por mídias mais ágeis que o papel?

A única solução para enfrentar os tempos da conectividade total é a criação de valor no intermediário. O corretor de imóveis que conhece o cliente e o apartamento a ser oferecido, que encontra a solução para o problema do cliente – e não o perturba com telefonemas e visitas a casas em outros bairros, sem iluminação natural ou com valor bem mais alto do pretendido.

Na imprensa é a mesma coisa. O jornal por anos e anos era o encontro entre informação, anunciantes e leitores. Hoje a informação chega de várias formas, o anunciante produz conteúdo, o leitor compra direto da loja, a audiência vê a notícia acontecer ao vivo.

É a morte dos jornais? Não, é a morte dos jornais que não quiserem se reinventar. O jornal-intermediário está com os dias contatos. O jornal-que-cria-valor tem enorme futuro pela frente.

No auge da crise europeia, o jornalista francês Nicolas Beytout lançou em maio o jornal L`Opinion, de segundas a sextas, com apenas 8 a 12 páginas – e quase nada de publicidade. Não espere saber quanto foi o jogo do Paris Saint Germain, mas conheça o negócio que há por trás de uma equipe de futebol. O jornal, vendido a EU$ 1,50 cada edição, parece estar bem encaminhado, da mesma forma que as versões web e tablet (que não são meras reproduções da edição em papel, mas outro produto – a pagamento). Beytout criou valor no seu produto, que deixou de ser intermediário para ser explicativo, ajudar a audiência a entender as notícias.

Bendito seja o agente de viagens que telefona para o cliente – conhecendo seus gostos – e oferece um programa de férias sob medida – e com preço ajustado. Que bom se corretores de imóveis chamassem a potenciais clientes apenas quando tivessem bons apartamentos, na zona desejada, a preço justo. Esse é o intermediário que agrega valor, o intermediário necessário, que vale o investimento do cidadão.

O jornal precisa valer o preço que cobra por um exemplar. Ou o chororô pela queda das vendas será a cada dia maior.

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