Os brasileiros que venceram o Nobel

Por Waldyr Kopezky

Nassif, em tempos de anúncio de Nobel, vamos lembrar de brasileiros premiados. O primeiro é Peter Brian Medawar, um médico de Petrópolis que deixou o Brasil aos 14 anos para viver na Inglaterra e, já naturalizado inglês, vencer o Nobel em 1960. Porém, o destaque mesmo vai para o comandante Edmundo Manzini de Souza, que liderou o 1º Grupo de Combate do 3º Pelotão (Pelotão Paraná) da 7ª Companhia de Fuzileiros do 13º Contingente do Batalhão Suez (Boinas Azuis). Eles ganharam o Nobel da Paz em 1988, por sua atuação para evitar a Guerra entre egípcios e israelenses no ano de 1963, no conflito de Suez. Segue reportagem:Edmundo, brasileiro Prêmio Nobel, conta sua saga Ele participou das Forças da Paz da ONU que ganharam o prêmio em 1988. Por Valdir Sanches, reportagem foi originalmente publicada no Diário do Comércio, em 06/2010 (não há link)

Em sua casa, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, Edmundo Manzini de Souza, Prêmio Nobel da Paz, recorda a noite em que, comandando um grupo de combate, no Deserto do Sinai, sentiu que o solo por onde caminhavam havia ficado diferente.

Seguiam à noite, como cegos, sob uma tempestade de areia. Iam grudados uns aos outros. Grudados mesmo: o de trás segurava um cadarço do uniforme do que ia à frente. O que acontecia com o solo é que os pés não afundavam mais na maciez da areia. Havia alguma coisa, sob eles, dura como cimento.

Era cimento mesmo. Haviam invadido, sem perceber, o acampamento de um grupo de nômades da Al Fatah. Se em vez de brasileiros fossem judeus estariam perdidos. Mas eram da terra de Pelé, e integrantes da Força de Emergência da ONU, a Organização das Nações Unidas. Os Boinas Azuis. Portanto, neutros.

Estavam lá para garantir a paz, ou, mais apropriado, impedir a guerra entre judeus e egípicios. Em 1963, a Faixa de Gaza, onde se encontravam, já era um barril de pólvora, se é que a expressão ainda faz sentido. A tensão era muito maior do que a de hoje, depois do ataque de Israel aos navios humanitários a caminho da Faixa de Gaza.

Naquela noite, os nômades do acampamento invadido, bem armados, imobilizaram o comando brasileiro. Mas o trataram bem. Respeitaram o comandante. Deixaram que Edmundo ficasse com suas armas, uma metralhadora e uma pistola. Desarmaram os outros e os mandaram sentar no chão.

Interessaram-se pelos cantis dos invasores. Não teriam araque, a aguardente árabe? Não, mas cachaça podiam garantir. Falando uma mistura de árabe, inglês e francês, trocaram amabilidades. Cigarro brasileiro (Minister) por chaveirinhos da Al Fatah. Quando o dia clareou, os nômades revistaram os invasores, conferiram a nacionalidade, na etiqueta dos uniformes, e os liberaram.

"Eu tinha 26 anos, era sargento, e comandava 22 homens no 1º Grupo de Combate do 3º Pelotão (Pelotão Paraná) da 7ª Companhia de Fuzileiros do 13º Contingente do Batalhão Suez. No deserto, todo dia tem tempestade de areia. Sob sol, a temperatura era de 52 graus. À noite, caía para 4 graus. A areia não retém o calor, mas reflete o sol.

"A nossa missão era evitar o confronto entre judeus e árabes. Os grupos nômades, como a Al Fatah e o Fedayin , estavam armados para pegar judeus. E era complicado. Às vezes a molecada jogava pedra na viatura. Para os nativos, nós éramos intrusos.

"Nosso acampamento, com barracas de lona, ficava no Deserto do Sinai, na Faixa de Gaza. Uma de nossas missões era cuidar de um trecho da Linha de Demarcação de Armistício, uma valeta cavada na areia, de 60 cm de fundo por 60 cm de largura. Separava Israel da Faixa de Gaza (os brasileiros cuidavam de 32 quilômetros). Se houvesse problemas, nós seríamos o alvo, dos dois lados.

"A valeta tinha que ser limpa todo dia, para marcar a divisa. Era um trabalho insano. A tempestade cobria de areia, e tínhamos que cavar de novo."

Edmundo servia como sargento no Quartel General do 2º Exército (hoje 2ª Região Militar), em São Paulo, quando soube que o Exército Brasileiro integraria as forças de paz da ONU. Disputou uma vaga. Um dos seus interesses era o soldo, três vezes maior do que ganhava aqui (não lembra valores). Havia um detalhe: estava noivo.

O navio em que embarcou, em Santos, levou-o a... Porto Alegre. Na capital gaúcha passou por treinamento, recebeu vacinas e instruções. Tudo pronto, integrou a força de 380 homens embarcados no navio Ary Parreiras, com seus beliches de seis andares. Demoraram-se muito tempo nas Ilhas Tenerife, próximo às costas da África. Com mais de um mês de viagem, desde a partida, chegaram a Port Said, no Egito.

Nesse porto começa o Canal de Suez, que liga dois mares – o Mediterrâneo ao Vermelho – e permite a navegação da Europa para a Ásia, e vice-versa, sem contornar a África. O canal estava no centro dos incidentes da região. O destino seguinte dos desembarcados foi Rafah Camp, na Faixa de Gaza.

Perto desse lugar, no antigo Forte Inglês, o Brasil instalara seu QG. Dali, os recém-chegados foram enviados para suas bases, à frente da Linha de Demarcação de Armistício, em lugares pouco habitados do deserto.

"Durante o dia, fazíamos vigilância em três postos de observação, separados entre si por três quilômetros. Ficávamos em uma caixa de cimento, com o visor voltado para Israel, a uns 50 metros da linha. Usávamos binóculos, telefone magnético de campanha e armas de defesa.

"Às seis da tarde saía a patrulha à pé. Ficávamos 12 horas andando ao longo da linha. Em silêncio, sem fumar. Não falávamos, se preciso cochichávamos. Quando uma patrulha motorizada se aproximava, ficávamos em posição de defesa e dávamos sinal de lanterna. Pedíamos a senha. Eles davam, e nós dizíamos a contra-senha.

'Essas senhas eram criadas pelo QG da ONU, e mudavam toda noite (palavras do alfabeto de radiocomunicação, como 'charles', 'delta', 'victor'). A situação era: quem não tem senha come chumbo.

Às vezes, no começo, apareciam alguns soldados de outro país, bêbados. Dávamos sinal, eles paravam. Mas não sabiam dizer a senha, só falavam de onde eram e queriam prosseguir. Nós dávamos a ordem: 'Volta!'. E eles não tinham jeito senão obedecer."

Para distrair, não ficar só pensando na família, os soldados construíram uma praça em frente ao acampamento (que, então, já tinha base de alvenaria). Instalaram uma placa, com o nome dos 23 homens do grupo. Uma frase de Edmundo encimava a relação de nomes: 'Somente os bravos vencem a solidão do deserto'.

O Canadá, que cuidava da logística, fazia as cartas das famílias chegar pela mala diplomática. Vinham em aviões canadenses ou no Hércules C-130 da FAB (Força Aérea Brasileira). Às vezes atrasavam muito. Um bolo de Natal só chegou para Edmundo em fevereiro.

Em março de 1964, quando os militares assumiram o poder no Brasil, Edmundo e seus homens ficaram angustiados. Não tinham notícias da pátria, dizia-se que estava havendo uma guerra civil. Às vezes conseguiam uma informação melhor, do noticiário de rádios estrangeiras que falavam um pouco de português.

Em 25 setembro de 1964, Edmundo e seus companheiros iniciaram a longa viagem de volta. Em Port Said, à entrada do Canal de Suez, embarcaram no Barroso Pereira, navio da Marinha de Guerra brasileira. Escalaram em diversos portos, entre eles o de Marselha, na França. Só em 13 de outubro desembarcaram no Rio. Um ano e três meses depois da partida.

No cais do Arsenal da Marinha estavam a mãe e a noiva de Edmundo, que haviam viajado de São Paulo. "Foi uma alegria indescritível, uma emoção que ninguém pode imaginar." Edmundo está casado há 44 anos. Tem quatro filhos e dois netos. É professor doutor cirurgião dentista, e sanitarista, formado pela Universidade de São Paulo, USP. Na última quarta-feira fez 73 anos.

Em 1988, o Prêmio Nobel da Paz foi destinado às Forças de Paz da ONU. O Batalhão Suez, dos brasileiros que atuaram durante dez anos (1957-1967) na Faixa de Gaza, estava incluído. Edmundo guarda sua medalha e seu diploma de Nobel da Paz junto com outras medalhas, como a do Exército Brasileiro e do Pacificador.

O contexto que levou o brasileiro Edmundo a Gaza

Inaugurado em 1869, o Canal de Suez, no Egito, liga o Mar Mediterrâneo ao Vermelho. Viabiliza a navegação da Europa para a Ásia, e vice-versa, sem precisar contornar a África. Foi construído por iniciativa da França. Este país e o Egito eram seus maiores acionistas. Mas o Egito vendeu sua parte aos ingleses.

Em 1953, Gamal Abdel Nasser liderou uma revolta e assumiu o governo do Egito. Três anos depois, em 1956, nacionalizou o canal e fechou o porto de Eilat, no Mar Vermelho, o que impossibilitou o trânsito de Israel.

Negociações entre os países envolvidos fracassaram. Com isso, Israel invadiu a Faixa de Gaza, controlada pelo Egito, e a Península do Sinai, em território egipício. As aviações francesa e britânica atacaram o Egito, e Nasser afundou 40 navios no canal, e o fechou.

Os ingleses e franceses passaram a controlar o canal, mas os Estados Unidos condenaram o emprego da força. Em março de 1957, os ocupantes se retiraram e o canal foi reaberto. Israel deixou o Egito, mas o risco de confronto entre os dois países continuou latente.

Nasser procurou o apoio da ONU para garantir a paz. Criou-se, assim, a Força de Emergência da ONU, com dez países integrantes – entre eles o Brasil. Para pacificar a região, e evitar novos confrontos, essa força – apelidada dos Boinas Azuis – interpôs-se entre as de Israel e Egito.

Com 6 mil homens revezando-se, a Força de Emergência garantiu a paz de 1957 a 1967, quando se retirou, a pedido de Nasser. Ainda havia soldado da força na região, brasileiros inclusive, esperando embarque, quando eclodiu a Guerra dos Seis Dias, em que Israel bombardeou Egito, Síria e Jordânia.

Mas este já não era assunto para os Boinas Azuis. 

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16 comentários
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celia coutinho

parabens, me sinto orgulhosa de ser esposa de um boina azul, que participou da turma de 1957.

 
 
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celia coutinho

parabens, me sinto orgulhosa de ser esposa de um boina azul, que participou da turma de 1967.

 
 
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Waldyr Kopezky

Cara Dê, concordo contigo e discordo (gentilmente) do André Araújo, pois noto um viés político nas nomeações (apesar de todos os louros e a tradição que a instituição da premiação tem, merecidamente, como o AA bem nos lembrou). O D. Helder é uma boa lembrança.

Caro Luis C. Botelho: não acho que devamos julgar à distância de teatros de combate os soldados, como tu fizeste. Não temos bagagem nem experiência pra isso. Seria - segundo esta tua régua com que medes o Comte. Edmundo - também risível a participação dos pracinhas brasileiros na II Guerra Mundial (qual o tamanho da tomada de Monte Castelo, em proporção à tomada da Europa?), ou então dizer que as milhares de mortes norte-americanas no Afeganistão são pura incompetência, mesmo eles estando em combate com um grupo (talebans) treinado por eles e que já derrotou o Exército da URSS. Percebe o engano?

Caro Sérgio Lamarca, até me arrepiei! Teu tio é um herói pra mim! E tenho outra afinidade de pensamento contigo: apesar de meu pai ter sido preso no DOPS, ser anarquista (como o "Anarquista sério") e sofrer por fazer parte da Lista Negra da TV, eu tenho um baita orgulho da tradição militar brasileira, porque acho que as Forças Armadas sabem incorporar como ninguém as qualidades de tolerância, compaixão e gentileza que nossa cultura preserva. Basta ver os comandos no Haiti, que designaram soldados de origem nas favelas brasileiras, com contato com uma realidade similar e que pudessem entender o cotidiano da população. Além de patrulhar, fizeram um trabalho social impressionante! Forte Abraço!

 
 
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WALDYR, parabéns pelo post.  Só gostaria de mencionar que o Brasil quase teve um ganhador do prêmio Nobel...o grande  Dom Hélder Câmara!!!! Indicado 4 vezes ao Prêmio sendo que, em 1970, quase com o prêmio na mão,  Médici praticamente impediu que este prêmio lhe fosse concedido.  

 

Pra mim, Dom Hélder foi maior que o Prêmio Nobel...um grande brasileiro......

 

Um dia desses, eu separo um tempinho e ponho em dia todos os choros que não tenho tido tempo de chorar. Carlos Drummond de Andrade

 
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luiz c l botelho

Prezado Nassif

Será este o retrato da competência no teatro  de operações dos Sargentos e Comtes Brasileiros  do CFN.Pfiu!.

"Naquela noite, os nômades do acampamento invadido, bem armados, imobilizaram o comando brasileiro. Mas o trataram bem. Respeitaram o comandante. Deixaram que Edmundo ficasse com suas armas, uma metralhadora e uma pistola. Desarmaram os outros e os mandaram sentar no chão.

Interessaram-se pelos cantis dos invasores. Não teriam araque, a aguardente árabe? Não, mas cachaça podiam garantir. Falando uma mistura de árabe, inglês e francês, trocaram amabilidades. Cigarro brasileiro (Minister) por chaveirinhos da Al Fatah. Quando o dia clareou, os nômades revistaram os invasores, conferiram a nacionalidade, na etiqueta dos uniformes, e os liberaram.

"Eu tinha 26 anos, era sargento, e comandava 22 homens no 1º Grupo de Combate do 3º Pelotão (Pelotão Paraná) da 7ª Companhia de Fuzileiros do 13º Contingente do Batalhão Suez".

 
 
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Sérgio Lamarca

Parabéns ao WALDYR KOPEZKY.

A título de conhecimento, se os boinas azuis receberam o prêmio nobel da paz, como Waldyr tão bem relatou, meu tio, falecido capitão Carlos Lamarca, também o recebeu. Pois foi um dos muitos brasileiros que foram a Suez, inclusive foi condecorado por ato de bravura. Poucos sabem desta história do capitão da guerrilha.

Um dos muitos relatos que ouvi do meu avô Antonio sobre o meu tio e que ele voltou transformado de lá, a campanha de Suez foi um divisor de águas para personalidade dele, até então jovem soldado que amou a sua pátria e não uma parcela do exercito que derrubou o governo democrático do João Goulart em 1964.

Para os que pouco sabem da vida do capitão da guerrilha, ele assoviava o hino do exército para nós, crianças e isso se faz escondido nas minhas memórias até hoje, ao ouví-lo me arrepio e lacrimejo lembrando o amor que ele tinha pelo Brasil e pelo exército (volto a dizer, o exército do Brasil e não de um punhado de golpistas que se apoderaram do poder).

Tenho uma mágoa muito grande destes 8 anos de governo Lula, seu governo simplesmente medrou diante das ameaças bufas dos golpistas que ainda vivem, em sua maioria de pijama. Capitulou em todos os sentidos diante dos reacionários que ainda se encastelam na mídia e nos clubes militares. Muitos que hoje estão andando nos ministérios e nos corredores do poder de Brasilia foram da mesma cepa revolucionária, mas acho que o poder os fez esquecerem seus companheiros que foram abatidos, talvez alguns tenha até a vontade de que esqueçam o seus passados.

A candidata a presidente, Sra Dilma Rousseff recebeu o meu voto e de toda a minha família por ter  sido companheira de luta do capitão da guerrilha, acho que ela deve se orgulhar de seu passado. Espero que eleita,que  não faça como o pragmático sindicalista e presidente da república acostumado a negociar com seus antigos patrões, rateou e deu marcha a ré na questão da memória dos anos de chunbo, que enfrente o problema de frente, sem medo como o Lula teve. Que seja altiva como foi diante da tortura e ponha seu nome na história do Brasil como a  presidente que não "botou o galho dentro" diante dos seus torturadores e difamandores.

Ousar a Lutar!

Ousar a Vencer!

 

 
 
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Waldyr Kopezky

Caros, infelizmente é verdade...

O Brasil não tem nenhum brasileiro laureado oficialmente até agora, por força da naturalização do Medawar como inglês e da premiação à Forças de Paz, como um todo - incluindo as tropas nacionais. Mas postei pelo merecimento a estes homens, porque os militares brasileiros que têm integrado as tropas da ONU tem feito bonito lá fora (vide o Haiti).

Anarquista sério, obrigado pelo assombro...Meu nome é de origem eslava (tcheco/polonês), mas meu avô era austríaco e veio em 1909 com seu pai (meu bisavô), engenheiro responsável pela construção da cobertura da Estação da Luz, em São Paulo. Mas não há motivos para espanto: meus outros três sobrenomes (completo é Waldyr Villalba Moreno de Andrade Kopezky) "mataram " minha ascendência ariana (hehehehe). Sou quase índio ,como todo mundo (ademais porque tenho cabelo comprido...).

Sobre o registro do nome do seu filho: no BRasil, cartórios seguem regras de "trásdantontem". Pra vc ver, eu sou de 1968, mas meu pai (que era de 1938) também era Waldyr com "w" e "y". A irmã dele (minha tia), que nasceu três anos depois foi registrada como Yara, mas o nome de batismo teve de ser Angélica, porque a Igreja antigamente só admitia nomes bíblicos...Pode? Abs.

 
 
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Amaro

O   Prêmio Nobel foi feito instrumento político. Tudo leva a crer que a Suécia  transformou-se em plataforma de lançamento das manobras do Pentágono. 

Caso não se mudem os conceitos, corremos o risco de ver os prêmios serem concedidos somente a quem come na mão dos ianques. Quem diria, até o Nobel foi avacalhado.

 
 
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Andre Araujo

Nada a ver, é inacreditavel alguem escrever bobagens sem filtro assim sem mais nem menos.

1.Os Premios Nobel são uma instituição PRIVADA, dotada de recursos PRIVADOS, doados por um instituidor PRIVADO. A partir dai podem dar premios a quem bem entenderem. Voce pode fazer a mesma coisa com seu dinheiro.

2.Os criterios de premiação são mundialmente respeitados, há mais de um século. Não é meia duzia de pessoas que escolhem, como se fossem os jurados do Silvio Santos. A seleção começa em um questionario  distribuido a 1.000 personalidades mundiais do maior nivel, reitores de universidades,  os anteriores Premios Nobel, presidentes de parlamentos,

presidentes de fundações de reputação mundial. É claro que podem errar mas o criterio de seleção é construido para haver uma media de opiniões de alto nivel.

3. Não tem nada a ver com Pentagono, muitos premiados são contra a politica externa dos EUA e a seleção final pela Academia Sueca é feita em um pais historicamente neutro, que não faz parte do sistema anglo-americano, a Suecia foi neutra nas duas Guerras Mundiais.

4.Existem muitas premiações no mundo, se o Nobel tem prestigio é porque erra menos que os outros.

 

 

 
 
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Mario S

Peter Brian Medawar apenas adquiriu a nacionalidade brasileira por haver nascido no Brasil, mas viveu toda sua vida, desde os dois anos de idade, na Inglaterra, sua nacionalidade britânica não foi adquirida (Naturalizada), mas originaria de nascimento, uma vez que sua mãe era britânica.

Quanto a Prêmio Nobel de 1988, esse foi dedicado a todos os Boinas Azuis, entre os quais muitos Brasileiros, mas também muitos de de diversas nacionalidades. O Premio em si foi entregue a ONU e recebido pelo secretario Geral das Nações Unidas

 
 
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ANTONIO JOSÉ LOPES

Indiretamente também o professor Ubiratan D´Ambrósio, professor emérito da UNICAMP, Educador Matemático que ganhou os principais prêmios da área, participou do prêmio Nobel da Paz em 1995, quando Joseph Roblat dividiu o prêmio com  as Conferências Pugwash sobre Ciência e Negócios Mundiais. Ubiratan era o único latino americano da Pugwash, ajudou a decidir o destino do prêmio.

 
 
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chicocvenancio

Nassif,

Infelizmente ainda creio que o Brasil não tenha ganho nenhum prêmio nobel. Esse prêmio de 1988 foi dado às forças de paz da ONU e não a ele especificamente.

Digo, ele não levou o dinheiro pra casa.

 
 
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anarquista sério

 

  EXcelente post. Eu não sabia disso.

      Parabéns ao WALDYR KOPEZKY.

       Uma curiosidade: Waldyir com ''w'' e ''''Y.'' não é comum.

           Certamente é uma pessoa nascida antes de 1971 ou muito depois.

          Não consegui,em 1971,registrar meu filho Sidnei com Y.

           E uma outra: Esse sobrenome é húngaro? russo?

                 Mas em 1979 registrei um outro filho com Sandney( podia colocar o Y)

               Mas o mais importante,como escreveu Maria Jose, é aprender.

                  Este blog é cultural tbm.

              Mais um colaborador didático e muito interessante.

                    Valeu!!!

              

 
 
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Rios

Brasileiros portadores do Nobel

Esta é a relação oficial dos brasileiros portadores da Medalha do Nobel da Paz da Skandinavisk Handels Kompagni da Dinamarca durante o período de Agosto de 2002 a Março de 2005.

Estes soldados são veteranos do Batalhão de Suez, que participou da UNEF I, e de outras missôes de paz da ONU, realizadas entre 1948 e 1988.

http://pt.wikipedia.org/wiki/For%C3%A7as_de_manuten%C3%A7%C3%A3o_da_paz_...

 
 
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Sanzio

A concessão do Prêmio Nobel da Paz sempre causou polêmica, especialmente durante o período da Guerra Fria. Juntamente com o de Literatura, trata-se de uma premiação que sofre de influência e viés político, e não poucas vezes foi atribuído a pessoas ou instituições relativamente desconhecidas, ou que, embora famosas, não tivessem o reconhecimento internacional como militantes da causa da Paz.

A premiação de Barack Obama, no ano passado, é exemplar desse último caso. Recém empossado como presidente dos EUA foi premiado por suas “boas intenções” no campo da diplomacia. Ocorre que, quando de sua indicação para o prêmio, ele sequer havia sido eleito presidente, logo, sua premiação teve um caráter de “arma política” contra o desastre da administração Bush.

Outros casos polêmicos foram as premiações dos beligerantes Kissinger e Le Duc Tho em 1973, do terrorista Menachen Begin em 1978, de Arafat, Peres e Rabin em 1994, entre outras.

A premiação do chinês Liu Xiaobo contém dois ingredientes de outras premiações similares no passado: além de ser um quase desconhecido, trata-se de um dissidente de uma ditadura de “esquerda” (a palavra esquerda aqui vai entre aspas, pois tem um significado mais amplo que o político, significa “o outro lado”, aquele não tolerado pelo mundo ocidental. Serve também para a premiação, em 2003, da dissidente iraniana Shirin Ebadi). Mas contém um ingrediente inédito: salvo esquecimento, é o primeiro caso de premiação a alguém que se encontra preso, acusado, justa ou injustamente, de criminoso.

Nelson Mandela ficou preso por 28 anos (de 19662 a 1990) sob a mesma acusação de crime que pesa contra Liu Xiaobo. Mas já era uma personalidade internacionalmente conhecida, sua história de vida emocionava e mobilizava milhões de opositores ao regime do apartheid no mundo todo, manifestações contra sua prisão ocorriam quase diariamente, a luta por sua libertação tornou-se a bandeira de milhares de movimentos ao redor do mundo por mais de um quarto de século.

No entanto, a Academia Sueca só lhe concedeu a honraria em 1993, quando o apartheid já havia desmoronado e ele já estava em liberdade havia três anos. E ainda dividiu o prêmio com o último presidente do regime racista Frederik de Klerk.

Outros ativistas antiapartheid já haviam sido agraciados com o Nobel da Paz antes dele: Albert Lutuli, presidente da ANC, em 1960 e o bispo Desmond Tutu em 1984. Mas ambos estavam em liberdade. Se houvesse concedido o prêmio a Mandela enquanto estava encarcerado, a Academia teria criado um sério atrito político com o regime do apartheid e seus apoiadores, notadamente os EUA e Israel. Sua premiação seria vista como uma provocação, assim como a de Xiaobo está sendo considerada uma provocação ao regime pelo governo chinês.

Colocado nessa perspectiva, o Prêmio Nobel da Paz deixou de ter a relevância que teve no passado no concerto das nações, mesmo premiando ex-terroristas. Com as devidas exceções, passou a ser uma arma para os grupos de apoiadores do vencedor dentro de seu próprio país ou mesmo internacionalmente, para os que o utilizam como discurso para a disputa política.

Assim, não é de se estranhar a coluna do ex-Clovis Rossi de hoje, na Folha, em que cobra do presidente Lula uma declaração de apoio ao laureado chinês. Mesmo confrontado com a explicação do Itamaraty de que a manifestação do presidente sobre a premiação de Barak Obama no ano passado se deu por razões diplomáticas – um chefe de Estado dirigindo-se a outro chefe de Estado – o colunista insiste na velha arenga da velha mídia de que o governo silencia sobre as questões de direitos humanos, de que o país, sob o comando de Lula, apóia a repressão aos dissidentes iranianos e cubanos, e todo o lero-lero que estamos cansados de ouvir.

Chega ao absurdo de dizer que o governo “estaria obrigado até constitucionalmente a manifestar-se, posto que o artigo 4 da Constituição cita a "prevalência dos direitos humanos" entre os princípios a serem utilizados pelo Brasil em suas relações internacionais.” Só faltou mencionar o episódio dos boxeadores cubanos e da Paula, a brasileira que se mutilou na Suíça e pôs a culpa nos neonazistas.

Triste fim de carreira para esse que já foi um dos grandes jornalistas da velha mídia.

 
 
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Maria José Rêgo

Parabens Nassif, aqui também se aprende história.

 
 

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