Os efeitos do Bolsa Família na educação

Por Ozzy

Bolsa Família melhora índices da escola pública

Autor(es): Linda Goular Correio Braziliense - 19/01/2011

Coordenadora do Plano de Mobilização Social pela Educação do MEC

Mais do que o controle para fins de concessão do benefício, o acompanhamento pelo MEC da frequência escolar de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade (Programa Bolsa-Família) tem gerado informações valiosas para o acompanhamento da trajetória educacional dos beneficiários. Ao cruzarmos tais informações com dados da Pnad e do censo escolar, vemos, por exemplo, que a frequência à escola está contribuindo não apenas para melhorar a vida dos beneficiários, mas, também, a de vários indicadores educacionais.

Uma das condicionalidades para a família não perder a bolsa é que os filhos entre seis e 17 anos frequentem, no mínimo, 85% das aulas todos os meses. Certamente, essa é forte motivação para os altos índices de frequência registrados, mas, uma vez na escola, esses meninos têm conseguido terminar o ensino fundamental e prosseguem no ensino médio. São cerca de 16 milhões de crianças, adolescentes e jovens, o que corresponde a perto de 40% do total dos alunos do ensino fundamental. No Nordeste, esse índice chega a alcançar quase metade das matrículas.

ImprImpressionados com os dados, especialistas têm afirmado que, se as escolas conseguirem reter os estudantes fazendo com que concluam o ensino fundamental, teremos outro país. A média de anos de estudo da população, que é hoje de pouco mais de sete anos, aumentará sensivelmente. Mas, sobretudo, teremos adultos que saíram da rua, aprenderam a conviver com as regras próprias do ambiente escolar e foram adquirindo hábitos de disciplina, de compartilhamento de aprendizagem com os colegas, acessando novos conhecimentos, ampliando os horizontes culturais. Serão, ao final, milhões de pessoas mais escolarizadas, que aspirarão para os filhos trajetória educacional maior, exigindo também, como direito, melhor qualidade de ensino e de oportunidades.

Situação bem diferente da atual. Segundo dados da Pnad/IBGE 2009, enquanto no estrato dos 20% mais ricos da população a escolaridade média dos que têm mais de 15 anos é de 10,7 anos, os 20% mais pobres nessa faixa etária têm apenas 5,3 anos de estudo. Nessa mesma faixa etária, entre os 20% mais ricos, 86% concluíram o ensino fundamental, enquanto no estrato dos 20% mais pobres apenas 40% alcançaram esse privilégio.

A boa novidade trazida pelo controle da frequência dos beneficiários do Bolsa Família é que isso começa a mudar graças ao desempenho dos alunos cuja renda familiar os coloca entre os 20% mais pobres da população. Bom exemplo é a evolução das matrículas de jovens de 15 a 17 anos no ensino médio. A análise do período compreendido entre 2004 e 2009 indica crescimento constante, que vai de 44,2% a 50,9%. Tomando como base, mais uma vez, os estratos dos 20% mais ricos e dos 20% mais pobres, o que se vê é pequeno crescimento entre os mais ricos, enquanto entre os mais pobres a taxa aumenta em mais de 50%.

Outro progresso notável refere-se às taxas de aprovação. Dados do censo da educação básica indicam que os beneficiários do Bolsa Família têm aprovação semelhante à média brasileira no ensino fundamental e bem superior no ensino médio. Melhor ainda: no Nordeste, ela é maior nos dois níveis de ensino. A situação só se inverte quando olhamos as taxas de abandono. Felizmente. Nesse caso, elas mostram que o percentual é menor entre os beneficiários, tanto no ensino fundamental quanto no médio. Em resumo, eles estão frequentando mais, abandonando menos e melhorando os índices de aprovação.

 É razoável supor que, uma vez na escola, eles aproveitam a oportunidade para seguir uma trajetória escolar da qual estavam excluídos. O desafio maior fica por conta dos professores e gestores. É importante que eles conheçam e reflitam sobre tais dados. Acolher o beneficiário do Bolsa Família sem discriminação e com atenção redobrada, reconhecendo suas deficiências de formação formal e social, é fundamental para que se possa extrair deles todo o potencial de desenvolvimento.

O desafio para os gestores estaduais e municipais é articular políticas intersetoriais – educação, saúde, desenvolvimento social, entre outras – criando uma rede de proteção às famílias. São passos fundamentais para garantir o direito de aprender, primeiro passo para levar essas crianças e jovens à emancipação e ao exercício pleno da cidadania.

https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2011/1...

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18 comentários
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Viviane Legnani

J Junior,

Concordo inteiramente com as suas colocações. Sou formadora de futuros formadores, ou seja, sou professora em uma universidade pública e trabalho com os alunos das licenciaturas e tenho me dado conta  que o meu próprio trabalho não faz muito sentido, pois os meus alunos se recusam a seguir a carreira docente em função dos baixos salários. 

Não podemos perder de vista que a plataforma de melhoria na educação da Dilma é exatamente essa: formar quadros competentes no ensino superior para que os mesmos elevem a qualidade da educação básica. No entanto, com os salarios vigentes esses profissionais escapam e continuaremos na mesma.    

 
 
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J. Junior

Jamais atribui ao Bolsa família a má qualidade da educação paulista. A questão é que a massificação do acesso ao estudo (quantidade de crianças matriculadas) não correspondeu a uma política pública de recepção dessas crianças e jovens antes excluídas. Tanto é verdade que nos esforçamos muito para pagar uma escola particular para os nossos filhos. Não é o bolsa família um programa educacional. Não basta colocar a criança na escola e deixá-la até o fim da adolescência sem aprender nada. Como não se reprova, vai aparecer na estatística como um avanço, conforme idealizados pelos economistas do FHC. Só falta quererem considerar mais pra frente o bolsa família como gasto em educação.

É urgente estabelecermos uma meta de aprendizado em cada série, e que esse objetivo tenha que ser atingindo, independente onde fique a escola. Pode-se notar uma grande semelhança das agência do Banco do Brasil espalhadas pelo Brasil, com eficiência semelhantes, respeitando é claro as característica locais. Por que não podemos ter as escolas assim, seja em São Paulo, Macapá, Fortaleza, Dourados ou qualquer cidade do Brasil.

A Educação devia ser questão federal, termos um padrão Brasileiro mínimo. Uma lei de responsabilidade educacional.

 
 
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Ana C

Vejo pelo menos dois enfoques diferentes sobre o Bolsa Família e seus efeitos na Educação.

Há aqueles oriundos de lares desarranjados, com pouca ou nenhuma regra de convivência social, como foi dito acima, cujas famílias não valorizam o conhecimento (afinal nem a própria sociedade valoriza como deveria), e que acabam se tornando "problemas" dentro da sala de aula, pois a escola não está preparada para recebê-los.

Por esse enfoque, creio que uma proposta de solução seria, uma reflexão séria da sociedade sobre - a profissão de professor;

- a remuneração salarial desse professor, que lhe dê condiçôes reais de vida com dignidade, para inclusive manter suas aquisições de conhecimento contínuo, necessárias no mundo atual;

- a  formação básica e necessária para o exercício dessa profissão.

Como professora antiga da Escola Pública do Estado de São Paulo, posso afirmar sem medo  de errar, que a indisciplina reinante nas nossas escolas, não iniciou em consequência do Bolsa Família, mas pode ter agravado muito em função desse programa. Profissionais desiludidos e desmotivados dificilmente produzem bons resultados.

Por outro lado, há aqueles alunos, cujas famílias eventualmente estiveram em situação precária por desemprego, e se utilizaram do programa para manter seus filhos estudando. Valorizam o conhecimento e entendem a necessidade do programa como política social. E quando tentam se desvincular do programa uma vez que não precisam mais dele para manter os filhos na escola,  não encontram respaldo nas prefeituras. Lógico que nem todos nesta situação são tão éticos, mas existem bom cidadãos.

Por este enfoque, creio que a melhor solução seria uma cobrança séria do MEC, sobre a fiscalização e o desenpenho das prefeituras e suas secretarias de educação.

O que não se pode mais permitir, é a manutenção de governadores, prefeitos e/ou servidores municipais irresponsáveis e oportunistas no trato com o dinheiro público, por conta da ineficiência e morosidade dos órgãos responsáveis pela fiscalização desses gastos públicos.

 

 

 

 
 
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Anonim090

Das coisa inacreditáveis!!! O setor de educação consome mais de  R$ 150bi/ano, mas é um programa social que não gasta mais de 1,5bi/ ano  quem consegue resultados de fato.

 
 
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joserezendejr

"Um efeito colateral dessa presença é que muitos destas crianças e jovens tem muito desinteresse pelo estudo (...) e acabam atrapalhando por assim dizer o aprendizado dos demais. (...) O que não pode é continuar a situação que encontramos nas escolas públicas, pelo menos no Estado de São Paulo; os professores não são respeitados e acabam por não darem aulas como deveria ser."

Em outras palavras -- e acredite se quiser: a culpa pela má qualidade da escola pública paulista é... do Bolsa Família! E da esperança e das oportunidades que o Programa dá aos jovens e às crianças pobres! Felizmente, o Brasil disse nas urnas três vezes "não" a essa visão preconceituosa de mundo. E há de continuar dizendo, por um país cada vez mais justo.

 

joserezendejr

 
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J. Junior

Josaphat, não podemos mais excluir alunos como antigamente. Precisamos educar bem a maior quantidade possível de crianças. O que falta é planejamento. É claro que é muito mais difícil lidar com alunos que vem de um ambiente familiar pouco culto e educado, mas esse fator não pode ser desculpa para abandoná-los, nem também de incluí-los não incluindo, apenas deixando nas salas de aulas, pois prejudicarão todo o ambiente escolar. Um plano educacional deve focar todos os alunos. Os acima da média, (devemos ter um plano para os nossos gênios), para os que estão na média e para os que estão abaixo da média. 

Acredito que os educadores podem encontrar soluções para essas questões, desde que a educação seja prioridade real. Um juiz em início de carreira ganha 21 mil reais, e todos sabemos como anda a Justiça. Um professor vai ganhar pouco mais de mil reais. Não podemos falar que educação é prioridade ou que é tratada como algo importante para o País. Parece que para o futuro do País, precisamos de apenas uma parte da população estudada em escola particular, o resto é desprezível em termos educacional.

 
 
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Alveny

A escola realmente virou depósito de alunos que não querem estudar, mas que estão ali todos os dias atraplhando os demais, somente por causa da Bolsa. Não acho que devem ser excluídos, mas a forma de inclusão é que não está correta. Mais do que frequencia, para receber a bolsa, deveria ser necessário boas notas e disciplina. Da mesma forma que estão presentes por causa do auxílio, com certeza os pais estariam mais presentes e cobrariam mais dos seus filhos o real estudo e comportamento ético, pois saberiam que sem isso, o auxílio seria cortado.

 
 
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Josaphat

Eu não falei que se deva voltar ao que era antes.

Vê-se que você não tem experiência com escola ou sala de aula, não é planejamento que falta, é vergonha na cara mesmo. 

Se você conhecer algum educador que tenha "soluções para essas questões" você me avisa. Gostaria de conhecê-lo também. 

 

_O Sr. tomou parte nesses tumultos? _Não são tumultos, Sire, é uma revolução!

 
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Geraldo Galvão

Se a presidenta Dilma resolver fazer alguma reforma no ministério, vou sugerir o seu nome para a pasta da Educação.

 
 
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RBelarmino

Nassif,  recomendo a abertura deste post,  para informar e ser comentado.

 

Juízes querem fundo de pensão que engordem suas aposentadorias.

Conselho Nacional de Justiça cria comissão para elaborar fundo de pensão para juízes que pode garantir aposentadorias de até R$ 70 mil mensais, para quem contribua com apenas R$ 2,9 mil. Enquanto o país enxuga a máquina apertando os servidores públicos e retirando direitos, os magistrados procuram uma maneira de aumentar suas aposentadorias as custas dos cofres públicos. O que você acha disso?

 

CNJ pretende criar novo modelo de aposentadoria para magistrados

Juízes elaboram fundo de pensão

Por Adriana Aguiar | Valor Econômico

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) formou uma comissão para elaborar um modelo de fundo de pensão para juízes. A ideia é substituir o atual sistema de aposentadoria integral, extinto pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998, por um fundo de pensão com contribuição dos magistrados e da União, que proporcione resultados melhores do que os atuais. Simulações do sistema que poderá ser desenvolvido, apontam, por exemplo, que magistrados que contribuírem com R$ 2,9 mil por mês, tendo o mesmo valor de contrapartida da União, pelo período de 30 anos, podem se aposentar recebendo até R$ 70 mil mensais.

A primeira reunião da comissão - formada por representantes da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Ministério da Previdência, entre outros - deve ocorrer no dia 26, segundo o conselheiro do CNJ Jefferson Kravchychyn, coordenador do grupo. Segundo ele, caberá à comissão elaborar estudos sobre a viabilidade do projeto e sobre o impacto nas contas da União. A intenção, diz Kravchychyn, é de que seja feito um levantamentos sobre o número dos juízes, tempo de serviço, valores de vencimentos, entre outros fatores. Ele pretende encaminhar a proposta até junho para o Supremo Tribunal Federal (STF). Antes, o texto deve ser aprovado pelo CNJ.

Enquanto o novo sistema não é desenvolvido, os juízes permanecem nas antigas regras de aposentadoria. Ou seja, os magistrados colaboram com 11% da sua remuneração total bruta para a Previdência e, ao se aposentar, recebem os vencimentos integrais da função pela qual se aposentou. Por isso, segundo o conselheiro, também terão que ser elaboradas regras para a substituição de um sistema por outro.

O presidente da Anamatra, Luciano Athayde Chaves, afirma que a ideia do projeto é interessante. "Como os magistrados representam um contigente menor de servidores e que demoram a se aposentar, esse fundo pode ser benéfico e apresentar bons rendimentos". Já o presidente da AMB, Nelson Calandra, é contra um fundo de pensão nesses moldes. Para ele, o melhor caminho seria lutar pela aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 46, de 2008, que tramita no Senado. A PEC resgata a possibilidade de juízes, membros do Ministério Público e da Defensoria Pública receberem aposentadoria integral.

Segundo Calandra, os juízes ingressam na carreira na faixa dos 25 anos e a maioria permanece por cerca de 45 anos contribuindo com a previdência em 11% sobre a integralidade dos salários - ao contrário das demais profissões em que há um teto para o valor da contribuição. "Assim seria justo recebermos sobre o valor integral". O desembargador afirma, porém, que a AMB participará da comissão sustentando sua posição e contribuindo no que for necessário.

O fim da aposentadoria integral para a categoria é questionado no STF. A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Anamatra aguardam o julgamento das duas ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) que tratam do tema.

 
 
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Leandro Almeida

Já é um começo. Mas se a qualidade do que se ensina não for muito melhorada, não fará o efeito necessário para que um dia sejamos, finalmente, o país do presente.

Sem investir pesado na qualificação (em alguns casos, requalificação) e aprimoramento dos mestres, nem a escóla de tempo integral de Darcy e Brizola (que não existe mais na prática) poderia render o necessário.

 

Acompanhemos com entusiasmos, mas sem descuidarmos da questão da qualidade. Ela é fundamental.

 
 
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Pisquila

Nassif, apesar do meu comentário não ter nada a ver com o post acima, veja a que ponto chegaram os jornalistas (??) do jornal O Globo. O post abaixo foi retirado do blog "Táxi em Movimento". É de um taxista blogueiro da cidade do Rio. Pelo que notei navegando pelo blog em questão, o seu autor é bastante politizado e sabedor dos seus direitos como cidadão (não que outros taxistas não sejam...). O endereço do blog é: http://taxiemmovimento.blogspot.com. Eu quase não acreditei no que li. Mas como o taxista carioca Jorge Schweitz tem um blog que não é anônimo (tem nome, foto, telefone e tudo o mais), creio que ele não seria louco de falsear esse fato e correr o risco de ser processado pela tal jornalista(??) e pelo grupo midiático em questão. Segundo ele mesmo diz, depois que postou o comentário, jornalistas do Globo começaram a fazer um "pente-fino" da sua vida pessoal. Eis o texto extraído do blog:

"Acabo de sair da 9a. DP...

Uma jornalista do Jornal O Globo entrou em meu táxi e ficou enfurecida ao eu comentar que O Globo estava sendo tendencioso (exatamente esta palavra que utilizei) em relação ao Caso Joanna...

A moça ficou descontrolada...

Mandou eu parar o carro...

Ligou para a redação (falou com alguém chamado Paulo Roberto) dando minha placa e meu nome completo que ela retirou acintosamente do cartão que levo no parabrisa...


Retruquei que daria o troco a tornando famosona na Rede através do meu blog...

Ela disse que eu estava a ameaçando e me conduziria a 9a. DP...

O troço é tão surreal que fiquei com medo dela inventar algo por lá...

Quando entrei na 9a. DP ela desabou a chorar e disse que eu estava a ameaçando...

Ficou todo mundo me olhando achando que eu tinha espancado a mulher...

Eu olhei prá ela e pedi que ela falasse somente a verdade...

Daí ela não inventou mesmo (devo reconhecer que ela não mentiu completamente)...

A moça da recepção pediu seu nome e ela apontou prá mim alegando não falaria seu nome na minha frente para eu não reproduzí-la em meu blog...

A moça do balcão perguntou então como poderia abrir uma solicitação de alguém que não quer dar seu próprio nome...

Ela se identificou como jornalista do Jornal O Globo e que queria falar com o delegado titular...

Imagina, você?!

Alguém entra numa delegacia simplesmente porque alguém não concorda com linha editorial do Globo...

Como os créditos no meu celular estavam acabando fui até uma lotérica para recarregar e liguei para outros jornalistas porque fiquei com medo de ser plantada uma sacanagem já que ela comunicou a redação do Globo...

Ficou parecendo enredo do Scorcese...

Mas, o que mais deixou a senhora jornalista desestabilizada foi quando me alegou isenção completa dos profissionais do Globo que jamais aceitariam qualquer pressão e sugeri que ela na próxima reunião de pauta recomendasse uma matéria longa sobre a grande trajetória de Leonel de Moura Brizola...

Juro que foi somente isto que fez esta moça entrar na 9a. DP para se queixar...

Agora, esta senhora não é a senhorinha do cafezinho ou a moça da limpeza, ela é jornalista mesmo...

Descobri que era jornalista depois que ela desligou o celular onde recomendava retificação do texto sobre os dois irmãos que foram pegos roubando donativos já que ela acabara de se falar com o reitor da UERJ, que era o local que o motorista do caminhão trabalha...

Agora...

Como é que um jornalista intimida um taxista e leva o sujeito prá delegacia já que só de falar em polícia qualquer um treme sabendo que vem pepino por aí?

E se eu fosse um taxista desarticulado e sem noção dos meus direitos e deveres?

Já imaginaram esta moça na época da ditadura caso contrariada por alguém e com esta carteira bacana de quarto poder?

Já estou de saco cheio desta coisa de carteirada abrir portas e reverterem verdades absolutas...

Seria facílimo identificar esta moça e estampar o nome dela por aqui já que ela me colocou numa situação totalmente desnecessária somente para tentar me atemorizar...

Quando retornei da rua o delegado me recebeu no gabinete dele e foi hiper gentil pedindo que eu esquecesse o incidente já que moça estava arrependida depois da dimensão que a coisa tomou...

O delegado permitiu que eu reproduzisse seu nome e eu acabo de esquecer...

Acho que é Mário, mas o restante deu branco...

Até brinquei com o delegado:

- Me conta aqui baixinho o nome da dona prá publicar no meu blog, delegado, por favor...

Dr. Mário riu e disse que não sabia...

Comentei também que me recusei a receber o valor da corrida e joguei os R$ 20,00 de volta para cima do banco traseiro e quando sai do carro percebi que ela havia deixado no assoalho de trás...

Tentei deixar na delegacia as vinte merrecas, mas o pessoal se recusou a ficar com a grana...

Portanto, se a moça quiser o dinheiro de volta basta ligar que deixo na portaria da Irineu Marinho, 30...

Como vocês sabem que não minto nunca, esta é a história do que aconteceu...

Um ou outro detalhe passou batido, mas posso esclarecer se for o caso...

Eu poderia tranquilamente identificar esta senhora em meia hora, não vou fazê-lo...

Agora, é importante que todos saibam que a Internet deu uma dimensão a todos nós que iguala o poder de fogo tanto de quem é anônimo quanto de alguém que acredita que o fato de trabalhar num grande Jornal pode sair por aí levando quem quer que seja para se explicar na delegacia qualquer discussão banal...

Quando ao Caso Joanna, realmente tenho esta impressão que o Globo tem procurado incensar o André Marins e a Vanessa Maia Furtado...

Um episódio marcante do Caso Joanna foi quando o Mais Você da Ana Maria Braga deu ampla divulgação e a Ana Maria foi surpreendida com chamada de capa que dizia que Joanna Marcenal havia morrido simplesmente de meningite...

Aquilo foi uma rasteira que nem o Dr. Frank Perlini, diretor do IML, entendeu...

Apesar de todos indícios periciais apontarem que a causa da meningite foi maus tratos providenciados pelo casal Marins o Globo fala sempre em meningite e ponto...

Os Marins foram infinitamente mais cruéis que os Nardoni e não sofrem a mesma pressão midiática que levou os Nardoni a serem presos desde o primeiro instante...

Não sei, talvez este episódio desagradável nos legue a oportunidade de O Globo repensar e nos ajudar efetivamente a fazer Justiça por Joanna...

Quem sabe?

Jorge Schweitzer


PS: Acabo de receber recado que o Jornal O Globo está procurando informações minhas por aí... Olhem só: medi muito minhas palavras acima para não desdenhar da moça que pareceu ter sérios problemas de distúrbios que foi presenciado por todos na delegacia... Se deturparem a verdade dos acontecimentos existe inclusive o delegado que sabe o que ocorreu... Doideira tem hora... Vocês tentarem criar uma história inexistente somente para retaliação pode dar zebra... Como é que é? Não acredito que instituição O Globo irá potencializar uma história idiota destas que até mesmo a jornalista com visíveis problemas de equilíbrio tentou encerrar por ali... Mas, sem problemas... O jornalista que está tentando escarafunchar para ver se pode montar o quebra cabeça para me pegar deve estar avaliando que não está trabalhando num boteco da esquina em que ele é dono do balcão... Deve estar tendo o respaldo de alguém acima dele... Esta história parece que vai render... Aguardem cenas dos próximos capítulos..."

 

 
 
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Órgão segue ritual do Judiciário, mas é auxiliar do Legislativo

Tivesse o TCU sido eficiente fiscal do dinheiro público nos últimos anos, a CGU possivelmente não teria identificado tantos desvios

FREDERICO VASCONCELOS
DE SÃO PAULO

Os ministros do Tribunal de Contas da União usam toga, repetem rituais da magistratura, mas o órgão não tem nada a ver com o Poder Judiciário. É apenas um auxiliar do Poder Legislativo.
Os procuradores que atuam no TCU são servidores de carreira, concursados, mas o Ministério Público do órgão nada tem a ver com o Ministério Público da União.
Seus ministros não são subordinados ao Conselho Nacional de Justiça. Seus procuradores não são fiscalizados pelo Conselho Nacional do Ministério Público.
Pode-se dizer que o tribunal de contas não é fiscalizado rigorosamente por nenhuma instituição externa.
O Congresso Nacional, que fornece quadros para a composição do tribunal, aparentemente não tem vontade política e renuncia às tarefas de fiscalizar e avaliar as contas do órgão.
Os ministros do TCU são indicados por critérios políticos ao sabor de interesses do Legislativo e do Executivo. O cargo costuma ser um prêmio para ex-parlamentares.
O atual procurador-geral no TCU está há quase 12 anos no cargo e postula um sexto mandato. Os procuradores podem ser indicados pelo plenário, em lista tríplice, para o cargo de ministro, nomeação que cabe ao presidente da República.
O tribunal reproduz práticas do Judiciário. Seus ministros também têm direito a 60 dias de férias, veículos com motorista e vencimentos equiparados aos dos membros do Superior Tribunal de Justiça.
O TCU não é órgão do Judiciário, mas seus membros são regidos pela Lei Orgânica da Magistratura Nacional.
O tribunal também distribui medalhas e colares. É comum as sessões serem abertas com longos discursos sobre datas comemorativas e elogios a vivos e mortos.
O órgão conta com quadro de auditores competentes. Atribui-se à politização do plenário o fato de muitas punições sugeridas pelos órgãos técnicos serem abrandadas, transformadas em simples recomendações.
Essas circunstâncias talvez expliquem por que o "superior tribunal da administração pública" é incapaz de coibir com rigor a corrupção e de punir os desperdícios de recursos repassados a Estados e municípios.
Tivesse o TCU sido eficiente fiscal do dinheiro público nos últimos anos, a Controladoria-Geral da União possivelmente não teria identificado tantos casos de desvios milionários de recursos federais em convênios com prefeituras de todo o país.

Folha de São Paulo, 19/01/2011

__._,_.___

 
 
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J. Junior

Um efeito colateral dessa presença é que muitos destas crianças e jovens tem muito desinteresse pelo estudo (não por culpa deles é claro, mas por descrédito que o estudo pode melhorar a sua situação), e  acabam atrapalhando por assim dizer o aprendizado dos demais. Como normalmente veem de lares desarranjados, com pouco educação, acabam por serem um grande problema para escola. Que tem professores na família ou como amigos sabem do que estou falando. 

A escola não foi preparada para recebê-los. Deixo bem claro que não advogo a sua exclusão ou qualquer forma de separação, nem que somente as crianças beneficiárias do bolsa família ou as mais pobres que trazem esse tipo de problema. Mas precisamos de um plano educacional que trate da não só da indisciplina na sala de aula, como os problemas sociais e familiares desses alunos, para que possam melhor desenvolver o aprendizado. O que não pode é continuar a situação que encontramos nas escolas públicas, pelo menos no Estado de São Paulo; os professores não são respeitados e acabam por não darem aulas como deveria ser.

 
 
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Yamamoto

Acho que esse problema está entre-linhas, a longo prazo, neste trecho:

"Mas, sobretudo, teremos adultos que saíram da rua, aprenderam a conviver com as regras próprias do ambiente escolar e foram adquirindo hábitos de disciplina, de compartilhamento de aprendizagem com os colegas, acessando novos conhecimentos, ampliando os horizontes culturais. Serão, ao final, milhões de pessoas mais escolarizadas, que aspirarão para os filhos trajetória educacional maior, exigindo também, como direito, melhor qualidade de ensino e de oportunidades."

 
 
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Josaphat

A escola inclusiva é essencialmente quantitativa. Ela foca nesse aluno mais pobre a que você se refere. O aluno, digamos, mais equilibrado e com maior capacidade de atenção e concentração fica relegado a segundo plano.

O aluno 'pobre-problema' busca na escola (por total falta de cultura do saber) um espaço de sociabilização e de busca do lúdico.

A escola se tornou em depósito de crianças e adolescentes em busca do tempo perdido.

E com o gosto e aprovação da sociedade e do poder público que vê nessa situação o mais belo e útil presende dos deuses, pois só atrai professores fracassados (os melhores, como sabemos, estão nas escolas particulares e nas faculdades e universidades) que aceitam receber pouco, resolve uma parte do problema com a criminalidade (os menores infratores estão nas salas de aula) e mantem a massa dentro de um padrão controlado de consciência, mão de obra barata e manobra fácil em época de eleição.

 

 

 

_O Sr. tomou parte nesses tumultos? _Não são tumultos, Sire, é uma revolução!

 
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Ana C

Josaphat,

Apenas discordo de "só atrai professores fracassados (os melhores, como sabemos, estão nas escolas particulares e nas faculdades e universidades)".

Há professores ótimos, que trabalham simultaneamente em escolas públicas como em particulares. E o fazem por necessidade, uma vez que o estado não os remunera dignamente.

 
 

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