PL lança Michelle ao Senado e Flávio à Presidência no DF

O Partido Liberal (PL) realizou sua convenção neste domingo (2), no Parque da Cidade, com o objetivo de lançar a candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado Federal. A ex-primeira-dama, no entanto, não compareceu ao evento por ter sido hospitalizada. Ela segue sem participar de eventos públicos ao lado do enteado Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência com o apoio do pai, Jair. Apesar da ausência, a candidatura dela pelo Distrito Federal está confirmada. A governadora e candidata à reeleição, Celina Leão, também esteve presente.
Flávio chegou ao local às 19h e discursou para um público de pouco menos de duas mil pessoas. Em sua fala, voltou a defender a castração química para autores de crimes sexuais e a redução da maioridade penal para 14 anos. Ele também mencionou o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que os ministros “voltarão a respeitar a Constituição” em um eventual governo seu. “E vamos anistiar os presos do 8 de janeiro. O Distrito Federal vai ver Jair Bolsonaro em liberdade”, disse. O discurso durou menos de cinco minutos.
Celina, ao falar, contou que Bia Kicis lhe confidenciou que o “primeiro voto para deputada distrital” que a atual candidata ao Senado registrou na urna foi nela. “Hoje, quero te recompensar esse voto”, declarou, de mãos dadas com a deputada. O presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, acompanhava o evento na primeira fila, ao lado de Bia Kicis, de Thiago Manzoni, candidato à Câmara Federal, e de Alberto Fraga e Izalci Lucas, que também participaram da convenção do PSD que lançou José Roberto Arruda ao Palácio do Buriti. Em seus discursos, mesmo estando ao lado de Ronaldo Caiado, candidato do PSD ao Planalto, Izalci pediu votos para Flávio Bolsonaro. Fraga falou em “grupo político”, mas não citou o candidato à Presidência. A senadora Damares Alves não discursou, mas foi mencionada por Celina.
Os candidatos a deputados distritais mais aplaudidos foram André Kubitscheck e Joaquim Roriz Neto, ambos com sobrenomes de peso no Distrito Federal. Durante os discursos, apoiadores uniformizados começaram a deixar o estacionamento 11 por volta das 18h45, o que esvaziou o local. A organização estimava um público de 5 mil pessoas e cerca de 100 seguranças de duas empresas privadas foram contratados para o evento. Poucos deles, contudo, acreditavam que a projeção seria alcançada. “No máximo, mil e quinhentas”, afirmou um segurança, em reserva.
Todos os 13 candidatos à Câmara dos Deputados e os 43 postulantes à Câmara Legislativa (CLDF) discursaram. Com tantas falas, houve posições contraditórias. Uma candidata da área da Saúde relatou sofrimentos relacionados à crise sanitária da covid-19. Já Júlia Lucy, que tenta voltar à política após quatro anos, disse ter orgulho de participar da campanha em nome de Jair Bolsonaro, “o único que teve a coragem de falar a verdade sobre a farsa da pandemia”.
Helder Oliveira se apresentou como “ex-travesti”, afirmou ter sido salvo “pelo pastor Sóstenes Cavalcanti e por Nikolas Ferreira” e se colocou como contraponto a Erika Hilton (PSOL). Isac Hille, que se autointitula “o candidato da juventude”, usou seu tempo de fala para lembrar 2023. “O único pré-candidato réu pelo dia 8 [de janeiro], preso por lutar pelo meu país”, discursou. Edna Borges, que se identificou como “presa política”, disse ter, pela primeira vez, permissão para sair de casa aos fins de semana.
Uma das últimas a discursar foi a deputada e candidata ao Senado Bia Kicis. Ela prometeu o “impeachment dos ministros do STF que não cumprirem a Constituição”. “Vamos libertar Jair Messias Bolsonaro e os presos do 8 de janeiro”, afirmou, e pediu que os apoiadores “vão sem medo”.