Ucrânia adverte Irã a não retaliar após ataque a navio

A Ucrânia advertiu o Irã nesta terça-feira (28) a não retaliar após um ataque ucraniano a um navio iraniano no mar Cáspio no sábado (25), que matou uma pessoa. O chanceler ucraniano, Andrii Sibiha, telefonou para o colega iraniano, Abbas Araghchi, pedindo comedimento. Sibiha também exigiu que o Irã pare de apoiar a Rússia, segundo sua descrição no Telegram.
De acordo com Kiev, o navio atingido transportava equipamento para as Forças Armadas de Vladimir Putin. O Kremlin condenou a ação, com o porta-voz Dmitri Peskov classificando-a como terrorismo internacional. “Um ataque a um navio iraniano é um ataque ao Irã”, disse Peskov, ecoando a promessa de vingança feita por Araghchi na véspera.
A ameaça de retaliação gerou especulações na mídia e redes sociais ucranianas. Estimativas indicam que o Irã poderia usar o míssil Khorramshahr, de maior alcance, para atingir Kiev em até 25 minutos, dependendo do ponto de lançamento. Circularam boatos de que lançadores estariam sendo preparados, mas o governo de Volodimir Zelenski negou ter essa informação de inteligência.
Fontes com acesso ao Kremlin disseram à reportagem que Kiev tentou criar um fato para aproximar as duas guerras e chamar a atenção de Donald Trump, às vésperas da viagem de Zelenski a Washington. Desde que assumiu, Trump cortou a ajuda direta a Kiev e busca promover negociações de paz. As mesmas fontes descartaram a hipótese de articulação com Israel, levantada por blogueiros iranianos.
Do ponto de vista militar, um embate direto entre Irã e Ucrânia parece limitado a ataques pontuais. O apoio militar iraniano à Rússia é atualmente nulo, após meses de embates que degradaram as capacidades do Irã. Antes da invasão de 2022, Teerã vendeu centenas de drones Shahed-136 a Moscou e transferiu tecnologia de produção, mas não há cláusula de defesa mútua entre os países.
O mal-estar entre Ucrânia e Irã tem histórico. Após ataques iranianos a aliados dos EUA no Golfo Pérsico, Zelenski enviou 200 especialistas em drones para ajudar na montagem de defesas. Em paralelo, a troca de ataques entre Rússia e Ucrânia continuou, com ações russas no mar Negro atingindo instalações portuárias e um navio cargueiro perto de Odessa, que pegou fogo.