O mal evitado: cancelado túnel "planejado" por Kassab

O túnel, que se tornaria o maior da cidade em extensão, seria utilizado apenas por automóveis. Além de gerar um grande número de desapropriações, teria apenas função viária, não trazendo outro benefícios urbanísticos. Estudos da própria prefeitura mostram que existem várias alternativas, de melhor custo-benefício, para a continuidade da Avenida Roberto Marinho até sua ligação com a Imigrantes, mantendo-a como uma avenida-parque e qualificando o entorno.

A obra foi “planejada” pelo ex-prefeito Kassab e custaria a fabulosa quantia de 2,5 bilhões de reais, sem contar os corriqueiros aditamentos.

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Sociedade

UrbanismoUma luz com o fim do túnel do KassabEsperada para ser a maior extensão da cidade de São Paulo, via de 2,3 quilômetros ligaria Avenida Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantespor Nabil Bonduki — publicado 10/07/2013 12:01Sob o impacto das “ruas”, o prefeito Fernando Haddad tomou na semana passada a acertada decisão de suspender a implantação de um túnel de 2,3 quilômetros, ligando a Avenida Roberto Marinho à Rodovia dos Imigrantes. Depois de ter emitido a “ordem de início” à obra, contratada pela administração passada, o prefeito adiou sua execução – espera-se que para sempre – mostrando que seu discurso de prioridade para o transporte coletivo, ao contrário de outros governantes, não é pura retórica.

O túnel, que se tornaria o maior da cidade em extensão, seria utilizado apenas por automóveis. Além de gerar um grande número de desapropriações, teria apenas função viária, não trazendo outro benefícios urbanísticos. Estudos da própria prefeitura mostram que existem várias alternativas, de melhor custo-benefício, para a continuidade da Avenida Roberto Marinho até sua ligação com a Imigrantes, mantendo-a como uma avenida-parque e qualificando o entorno.

A obra foi “planejada” pelo ex-prefeito Kassab e custaria a fabulosa quantia de 2,5 bilhões de reais, sem contar os corriqueiros aditamentos. A suspensão da execução do túnel determinada por Haddad é relevante do ponto de vista urbanístico e financeiro, além extremamente simbólica do ponto de vista político. Espera-se que ela possa representar o início da reversão de um modelo de política urbana, baseado na opção pelo automóvel e na segregação socioterritorial, que tem corroído as finanças municipais e inviabilizado a cidade.

O prolongamento da Avenida Roberto Marinho integra o programa de intervenção da Operação Urbana Consorciada Águas Espraiadas, aprovada em 2001, durante a administração Marta Suplicy. Segundo o plano urbanístico original, elaborado pelo arquiteto Paulo Bastos, que faleceu em 2012 aborrecido com o desvirtuamento de seu projeto, o túnel teria apenas quatrocentos metros, na embocadura da avenida junto à rodovia. A proposta foi alterada na administração passada: inicialmente Kassab propôs um túnel de 4 km, reduzido para 2,3 km após uma forte oposição dos moradores da região. A mobilização foi fundamental para manter acesa a esperança de que essa obra não fosse realizada.

O túnel daria continuidade à política urbana baseada em grandes obras viárias que há décadas comanda e inviabiliza São Paulo. Essa tradição, que favorece as grandes empreiteiras de obras públicas, compromete a já escassa capacidade de investimento do município. É o que iria ocorrer se essa obra não prioritária fosse levada adiante.

Defensores do túnel têm argumentado que ele seria realizado com recursos da Operação Urbana Águas Espraiadas, que só podem ser aplicados no seu perímetro, não comprometendo o orçamento municipal. É um argumento falso, pois os fundos das operações urbanas são recursos públicos, geridos por um Comitê Gestor controlado pela prefeitura. Ademais, a operação não teria recursos suficientes para realizar essa obra e todas as outras intervenções previstas, como 8 mil habitações de interesse social para os moradores das favelas que precisam ser remanejados, a avenida parque no prolongamento da Roberto Marinho, a extensão da Chucri Zaidan e a contribuição da prefeitura para o metrô. Iniciada a construção do túnel, não restaria outra alternativa ao município senão sacrificar as demais intervenções e, além disso, alocar recursos orçamentários, sob risco de deixar a obra paralisada.

Essa operação urbana já arrecadou, desde 2004, 3,3 bilhões de reais, dos quais 2,3 bilhões, (70%) continuam em caixa. Dos 30% restantes, a despesa mais elevada (15%) foi para serviços e obras, a maior parte para a Ponte Estaiada. Muito pouco foi utilizado em habitação de interesse social, embora essa intervenção estive prevista desde 2001: foram investidos apenas 7% dos recursos arrecadados, incluindo desapropriações. Isso demonstra que a administração Serra-Kassab, em oito anos, preferiu fazer caixa a produzir moradias para atender os favelados da região. Ressalta-se, ainda, que a construção de duzentos apartamentos para os moradores da favela do Jardim Edith – ao exorbitante custo de 200 mil reais por unidade, sem incluir a terra – apenas foi executada por decisão judicial, que obrigou a prefeitura a reconhecer o direito dos moradores a permanecer no local.

Com a nova administração, que agora determinou a suspensão do túnel, o cenário altera-se totalmente. A prioridade passa a ser a produção de habitação social, intervenção indispensável para o prolongamento da Avenida Roberto Marinho e a implantação da avenida parque ao longo do córrego Aguas Espraiadas. Essa operação urbana que, até o momento, gerou exclusão socioterritorial, poderá mudar o sinal e aplicar os recursos arrecadados em obras que possam beneficiar a população e gerar qualificação urbanística na região do Jabaquara e do Brooklin.

Mas, para isso se tornar realidade, é fundamental cancelar definitivamente o túnel planejado por Kassab e reformular o programa de intervenções da operação urbana a partir de um plano urbanístico amplamente debatido. Assim se dará um passo fundamental para alterar o caráter excludente, especulativo e antidemocrático que tem caracterizado as operações urbanas no Brasil.

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2 comentários
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Gustavo, tem mais! O tunel nao foi cancelado, e sim adiado. Podera sofrer alteracoes de percurso? Sim, podera. Porem, cancelado e informacao improcedente. O atual prefeito priorizou a construcao do tunel e das habitacoes de interesse social, e depois retornar ao projeto de extensao da Roberto Marinhao. O site da propria Prefeitura Municipal de Sao Paulo informa isso a populacao: ADIADO, enquanto voce desinforma.

 
imagem de Andre Felipe Schmidt

Caro Sr. Gustavo Belic - Ha inumeras informacoes improcedentes em sua materia. A primeira observacao deve-se ao fato de que a verba arrecadada por qualquer Operacao Urbana Consorciada deve ser utilizada somente no perimetro da mesma sim. Informe-se lendo O Estatudo da Cidade e a Lei das Intervencoes Urbanas. Esta Operacao Urbana removeu inumeras moradias irregulares e precarias, tendo obrigatoriedade como previsto em lei, de reverter 10% de sua verba a habitacoes de interesse social HIS e CDHU - iniciativa inedita no Brasil. A movimentacao para que isso aconteca e concreta; tome a iniciativa de visitar os arredoras da Av. Jorn. Roberto Marinho e os setores da OUCAE e confira com seus proprios olhos antes de publicar informacoes que nao sao reais. O interesse da prefeitura e de manter o morador da favela na regiao de sua moradia atual, onde o mesmo trabalha, onde seus filhos vao a escola e participam da comunidade. Se este morador decide mudar-se para a periferia, a municipalidade continua sobrecarregada na obrigacao de oferecer transporte publico, novas escolas, novos hospitais na periferia e este ciclo nunca acaba. No entanto, a prefeitura nao tem como obrigar este morador a aceitar uma apartamento no mesmo bairro que ele mora no momento em que sera desapropriado - a maioria quase absoluta destes moradores preferem receber a indenizacao em dinheiro do que pagar luz ou qualquer outra despesa numa habitacao legalizada - ele prefere mudar para periferia, invadir ilegalmente outro terreno que nao lhe pertence, utilizar ilegalmente agua e luz. Talvez voce pudesse abordar o fato de que esta populacao devesse receber da prefeitura orientacoes sobre cidadania e da mobilidade social que a moradia propria oferece. Outro ponto nao informado pelo senhor - a mudanca no projeto para um tunel e nao a avenida parque deve se a estudos ambientais que indicam que a area degradada a ser recuperada e urbanizada para utilizacao da populacao sofreria maior impacto ambiental se a passagem de veiculos fosse ao redor do parque linear previsto. A intencao do arquiteto Paulo Bastos era a criacao de um parque de caracteristicas bucolicas que oferececem a populacao um local para lazer e atividades esportivas e sociais. Caso realmente seja feita a avenida parque como extensao da Av. Jornalista Roberto Marinho, este objeto estaria sujeito a influencia da movimentacao constante de automoveis, onibus e outros que descaracterizariam totalmente o objetivo do projeto. Antes de falecer, o arquiteto idealizador do projeto Paulo Bastos publicou artigos explicando seu ponto de vista. Muitos problemas existem na intervencao urbana, mas certamente voce nao abordou nenhum deles. Leia!! Procure informacoes em fontes confiaveis e nao de artigos escritos por desinformados como voce.  Ha outras informacoes improcedentes em sua publicacao, mas pode comecar informando-se corretamente antes de publicar absurdos que confundem a populacao menos preparada e sujeitas a influencia de pessoas desavisadas como voce.

 

 

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