Proclamação da República?

Autor: 

Inspirados nas ideias “positivistas” de Auguste Comte e no “Sonho Americano”, em 15 de Novembro de 1889, foi declarada a “proclamação” que instaurou a forma republicana federativa presidencialista do governo no Brasil, derrubando a monarquia constitucional parlamentarista do Império do Brasil. O positivismo fica marcado na bandeira, “L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but”. (“O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim"). Como compunha os apoiadores ao “golpe” os latifundiários e grandes ruralistas, descontentes com fim da “Escravidão”, optou-se por retirar a palavra “amor”, e correr o risco de ser taxado de...

Do “Sonho Americano” também não foi possível aproveitar muita coisa, afinal, construir ferrovias, cortando o Brasil de norte a leste, de oeste a sul com o modal mais barato e eficiente, seria um serio risco as “velhas elites dominantes”, que ganham seu pão, sem muito suor [seu, próprio] desde 1500, com uma formula antiga: latifúndio, trabalho escravo (ou análogo), monocultivo e matéria prima para exportação. “Eis o nosso eterno destino”. 

Se um copo de vidro está preenchido até a metade com água, é possível, como Comte, observar: “o copo esta metade cheio ou está metade vazio?”. Fato é que nem tudo que parece ser é, e nem toda mudança é “positiva”. Apesar de sermos um país em que o subjetivo positivista está arraigado: seja nas universidades, nas escolas, nas academias, nos jornais, na estrutura centralizadora da união, na burocracia de nosso dia a dia. 

O copo com água, se metade cheio e metade vazio é mera abstração, distração “positivista”. Pois o governo deposto de Dom Pedro II representava mudanças estruturais que colocaria o Brasil ao nível de nações “desenvolvidas” e oferecia dignidade aos seus filhos e filhas. Como se mantem a “ordem” em uma base em que estrutura social e econômica é marginalizada, criminalizada e faminta? (“Não há civilização sem distribuição de riquezas”, Ulisses Guimarães afirmava). Pois será qual foi o fim da proclamação da republica? 

O governo de Dom Pedro II, representou, antes de uma monarquia, a primeira vez que o Brasil pensou em se desenvolver de forma autônoma e independente, construindo o seu próprio caminho. Por esses motivos (ou fim) queria construir ferrovias, financiadas por um banco próprio (o Banco do Brasil) e arquitetada por brasileiros, em nossas próprias universidades. 

Dom Pedro II foi abolicionista, grande leitor e antenado aos grandes acontecimentos do mundo em sua época, tanto que foi condecorado várias vezes internacionalmente. Tinha prestigio e amizade de grandes pensadores e cientistas da época, como Richard Wagner, Lois Pasteur, Graha Bell, Charles Darwin, Victor Hugo, Fiedrich Nietzsche, entre outros. Conversava com eles, pois foi estudioso em diversas áreas, que incluíam, antropologia, geografia, geologia, medicina, direito, filosofia, estudos religiosos, pintura, escultura, teatro, música, química, poesia e tecnologia. 

Dom Pedro II estava anos luz de distância, daqueles “positivistas’ tupiniquins (o positivismo já representava o velho, lá na Europa, é do início do Século XIX. Outra característica das oligarquias brasileiras, copiar o que já passou, o que já deu errado e implantar de forma ainda mais equivocada). Eis o “amor” ao positivismo, que permaneciam a discutir “se o copo metade vazio ou metade cheio”. 

Aonde quero chegar? Qual é o fim? É que o “fim” ou progresso da proclamação foi, justamente o de, fingir uma mudança para não mudar nada, ou pior, piorar. De ali em diante, travou se por duas ou três décadas, o sonho de construir um projeto nacional autônomo e independente. Pararam as ferrovias, o financiamento e as universidades. Venceram os latifundiários, os cartorialistas, os banqueiros, os contra a abolição da escravatura. Tanto é fato, que Joaquim Nabuco, com a abolição da escravatura, refletia, “aos pretos adultos terra, aos filhos deles escolas”. Indo além, profetizou, “a escravidão termina hoje, suas marcas não”. As favelas e os negros, as periferias e os negros, os presídios e os negros. Amostras atuais de um mosaico implantado pelo “positivismo tupiniquim”. Na frase que contamina os porões onde eles proclamam: “O Brasil vai bem. Mas o seu povo vai mal”. 

 

Comemoramos o que com a proclamação da republica? Comemoramos que Dom Pedro II nunca deu festa e banquete aos políticos e oligarquias de seu tempo? Ao contrario dos “positivistas tupiniquins” que adoram jantares, festas regadas ao dinheiro público? Dom Pedro II tinha o ideias republicanas, ao contrário do que deu o “golpe”, Deodoro da Fonseca, que foi declaradamente monarquista. 

O copo com água está metade cheia ou metade vazio? Ou vazio esta a mesa dos brasileiros, mesmo em uma terra de tantas farturas, e tão cruel com o “amor” aos seus filhos e filhas. Quantos outros golpes os brasileiros que sonharam com autonomia e independência levaram durante o século XIX, Século XX e agora no Século XXI? Darcy Ribeiro, Cecilia Meireles, Milton Santos, Cora Coralina, Celso Furtado, Maria da Penha, Betinho, Maria Bonita, Guerreiro Ramos, Elza Soares, Paulo Freire, entre tantos outros, o que proclamam?

A palavra proclamar é como o copo de vidro, com metade de água. Ela é vazia, vaga, superficial, generalista. Materialmente ela pode significar retrocessos enormes. (Como é mesmo Brasil de hoje, o que ele proclamou?). Eu prefiro proclamar o Brasil dessa juventude que ocupa escola, que ocupa universidade, que ocupa assembleia, que ocupa televisão, que ocupa a internet. Eu quero ouvir o que essa juventude proclama. Eu ouço a voz deles sob a luz do sol, essa juventude proclama: 

 

 “Um Brasil autônomo e independente”.

 

 

Média: 4.5 (2 votos)

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.