Inovação brasileira: eletricidade pelo ar

Por Antonio Sisoto

Uma descoberta genial e revolucionaria

Da Inovação Tecnológica

Cientista brasileiro descobre como coletar energia do ar

Redação do Site Inovação Tecnológica - 25/08/2010

Fernando Galembeck, da Unicamp apresentou suas descobertas históricas hoje (25) durante a reunião da American Chemical Society (ACS), em Boston, nos Estados Unidos. [Imagem: Unicamp]

// //

Eletricidade do ar

Alimentar casas e fábricas com eletricidade coletada diretamente do ar pode ser possível: cientistas brasileiros resolveram um enigma científico que durava séculos sobre como a umidade na atmosfera torna-se eletricamente carregada, abrindo caminho para seu aproveitamento.

Imagine dispositivos capazes de capturar a eletricidade do ar e usá-la para abastecer residências ou recarregar veículos elétricos, por exemplo.

Da mesma forma que painéis solares transformam a luz do Sol em energia, esses painéis futurísticos poderão coletar a eletricidade do ar - a mesma eletricidade que forma os relâmpagos - e direcioná-la de forma controlada para alimentar qualquer equipamento elétrico, nas casas e nas indústrias.

Se isso parece revolucionário demais, mais entusiasmante ainda é saber que a descoberta que poderá tornar esses sonhos uma realidade foi feita por um cientista brasileiro.

O professor Fernando Galembeck, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) apresentou suas descobertas históricas hoje (25) durante a reunião da American Chemical Society (ACS), em Boston, nos Estados Unidos.

"Nossa pesquisa pode abrir o caminho para transformar a eletricidade da atmosfera em uma fonte de energia alternativa para o futuro," disse Galembeck. "Assim como a energia solar está liberando algumas residências de pagar contas de energia elétrica, esta nova e promissora fonte de energia poderá ter um efeito semelhante."

Eletricidade atmosférica

A descoberta do professor Galembeck parece resolver um enigma científico que já dura séculos: como a eletricidade é produzida e descarregada na atmosfera.

No início da Revolução Industrial, os cientistas perceberam que o vapor que saía das caldeiras gerava faíscas de eletricidade estática - trabalhadores que se aproximavam dos vapores eram frequentemente atingidos pelos choques elétricos.

Mas essa eletricidade se forma também em locais mais amenos, quando o vapor de água se junta a partículas microscópicas no ar, o mesmo processo que leva à formação das nuvens - é aí que começam a nascer os relâmpagos.

Nikola Tesla ficou famoso pelas suas tentativas de capturar e utilizar essa eletricidade do ar, tentativas infelizmente nem sempre bem-sucedidas.

Mas, até agora, os cientistas não tinham um conhecimento suficiente sobre os processos envolvidos na formação e na liberação de eletricidade a partir da água dispersa pela atmosfera.

"Se nós soubermos como a eletricidade se acumula e se espalha na atmosfera, nós também poderemos evitar as mortes e os danos provocados pelos raios," estima Galembeck.

Higroeletricidade

Os cientistas sempre consideraram que as gotas de água na atmosfera são eletricamente neutras, e permanecem assim mesmo depois de entrar em contato com as cargas elétricas nas partículas de poeira e em gotículas de outros líquidos.

Mas o professor Fernando Galembeck e sua equipe descobriram que a água na atmosfera adquire sim uma carga elétrica.

O grupo brasileiro confirmou essa ideia por meio de experimentos de laboratório que simulam o contato da água com as partículas de poeira no ar.

Eles usaram minúsculas partículas de sílica e fosfato de alumínio - ambas substâncias comumente dispersas no ar - para demonstrar que a sílica se torna mais negativamente carregada na presença de alta umidade, enquanto o fosfato de alumínio se torna mais positivamente carregado.

"Esta é uma evidência clara de que a água na atmosfera pode acumular cargas elétricas e transferi-las para outros materiais que entrem em contato com ela," explicou Galembeck. "Nós a chamamos de higroeletricidade, ou seja, a eletricidade da umidade."

Coletores de energia do ar

Painéis para capturar a energia higroelétrica poderão ser colocados no topo dos prédios para drenar a energia do ar e impedir o acúmulo das cargas elétricas que são liberadas na forma de raios. [Imagem: Martin Fischer]

No futuro, segundo Galembeck, poderá ser possível desenvolver coletores - similares às células solares que coletam a luz solar para produzir eletricidade - para capturar a higroeletricidade e permitir seu uso em residências e empresas.

Assim como as células solares funcionam melhor nas regiões mais ensolaradas do mundo, os painéis higroelétricos vão funcionar de forma mais eficiente em áreas com alta umidade, uma característica das regiões tropicais, Brasil incluído.

Alta umidade significa altos níveis de vapor de água no ar - um vapor que se torna visível ao se condensar e embaçar os vidros do carro, por exemplo, e cuja baixa intensidade incomoda tanto nos dias secos de inverno.

Galembeck afirmou em sua apresentação que uma abordagem semelhante poderia ajudar a prevenir a formação de raios. Ele vislumbra a colocação de painéis higroelétricos no topo de prédios em regiões onde ocorrem muitas tempestades. Os painéis drenariam a energia do ar, impedindo o acúmulo das cargas elétricas que são liberadas na forma de raios.

Seu grupo de pesquisa já está testando metais para identificar aqueles com maior potencial para utilização na captura da eletricidade atmosférica e prevenção dos raios.

"São ideias fascinantes que novos estudos, nossos e de outras equipes de cientistas, poderão tornar realidade," disse Galembeck. "Nós certamente temos um longo caminho a percorrer. Mas os benefícios no longo prazo do aproveitamento da higroeletricidade podem ser substanciais."

Fenômenos eletrostáticos

Durante o século 19, houve vários relatos experimentais associando a interface ar-água e os fenômenos eletrostáticos da chamada "eletricidade do vapor". O famoso Lord Kelvin idealizou um equipamento, que ele chamou de condensador de gotas de água, para reproduzir experimentalmente o fenômeno.

Contudo, até hoje ninguém havia conseguido descrever os mecanismos do acúmulo e da dissipação das cargas elétricas na interface ar-água.

Isso pode dar a dimensão dos resultados agora obtidos pelos cientistas brasileiros.

O trabalho do professor Fernando Galembeck e sua equipe demonstra que a adsorção do vapor de água sobre superfícies de materiais isolantes (dielétricos) ou de de metais isolados - devidamente protegidas dentro de um ambiente blindado e aterrado - leva à acumulação de cargas elétricas sobre o sólido, em um intensidade que depende da umidade relativa do ar, da natureza da superfície usada e do tempo de exposição.

A pesquisa verificou ainda um aumento acentuado nas cargas elétricas acumuladas quando são usados substratos líquidos ou isolantes sólidos, sob a ação de campos externos, quando a umidade relativa do ar se aproxima de 100%.

// // // Twitter

Facebook

Orkut

MySpace

Digg

Blogger

Delicious

Mais...

Outras notícias sobre:

Mais Temas

ImprimirEnviar a um amigoAssine nosso Feed RSSAssine nosso BoletimComo citar este artigo

Receba nossas notícias
em seu e-mail

Notícias relacionadas

Brasil tem excedente de energia elétrica, diz presidente da EPE

Cientistas chineses querem colaborar com brasileiros

Economia individual de energia tem grande impacto sobre meio ambiente

Biocombustível escocês é feito com subprodutos do uísque

Minivacas ambientalmente corretas produzem menos gás metano

Algas podem substituir metade do petróleo e inaugurar química verde

Mais lidas na semana

A Lua está encolhendo

Homem-foguete quer ir ao espaço com nave caseira

Cientistas fotografam buraco quântico deixado por elétron

Neurônios individuais têm poder computacional

Maior turbina movida a marés do mundo começa a ser instalada

Super laser poderá criar matéria do nada

Internet dos carros promete fim da irritação no trânsito

Estrela magnética desafia teoria dos buracos negros

// 

Média: 4.7 (6 votos)
20 comentários
imagem de Charlie
Charlie

Genial. Parabéns ao cientista brasileiro.

Pena que daqui 50 ou 100 anos vão atribuir tal feito a algum americano, igual fazem hoje com o avião e o automóvel.

 
 
imagem de André
André

Basta não ser um inocente útil feito Santos Dumont e, em vez de "deixar uma descoberta para a Humanidade" (oh, que propósito nobre, e malandros, independente de nacionalidade, adoram se aproveitar dessas coisas para depois obterem os louros), patentear toda e qualquer descoberta sem dó e sem dor e, se alguém quiser usar, cobrar royalties, que obviamente virão para o Brasil, que assim se primeiro-mundializa mais facilmente (aliás, nações só se primeiro-mundializam quando não agem na base do "deixar as coisas para a Humanidade").

 

Rastreado 24 horas/dia via patrulha ideológica

 
imagem de Ivan Moraes
Ivan Moraes

Porque, Andre?  Os cientistas brasileiros estao com medo de nao sobrar invencao pra inventar?

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
imagem de Álvaro
Álvaro

BOIMATE À VISTA!!!

 
 
imagem de Marcelo T. Duarte
Marcelo T. Duarte

O prof. Galembeck é um dos grandes nomes do Instituto de Química da Unicamp, é o tipo de pesquisa que sempre está em discussão neste blog, sobre a importância da pesquisa teóricae a ligação desta com a aplicação no nosso cotidiano.

Nossos parabéns ao professor e equipe.

 
 
imagem de Jorge Pereira
Jorge Pereira

Pois é. E a inovação brasileira só é inovação porque foi apresentada nos Estados Unidos. Aí a inovação que é brasileira passa a ser tecnologia americana. Interessante. Será que o que as pessoas procuram é fama? Inovação só pode ser apresentada nos Estados Unidos? Seria isso complexo de vira-latas?

E também não é interessante observar que inovação no Brasil acaba sendo sempre domínio público? Quem será que investe em inovação por aqui se for para ser dessa forma? Pesquisa em ambiente universitário-acadêmico é assim não ajuda o país em absolutamente nada. Então não é inovação. É pesquisa pura, básica. Só e simples. Dinheiro público brasileiro para benefício de todos menos para a indústria nacional que paga impostos e importa tecnologia.

 
 
imagem de André
André

E o avião deixou de ser uma inovação brasileira por ter sido apresentado em París? Porém, ao contrário de Santos Dumont, o lance é não ser inocente útil, parar de "deixar uma descoberta para a Humanidade", patentear tudo sem dó e sem dor e não só receber royalties pela descoberta como também propagandear a ciência de seu país para o mundo. Essa é a vida, meu caro. Enquanto brasileiro continuar com "síndrome de Santos Dumont", terceiro-mundializado seguirá o país onde ele vive.

 

Rastreado 24 horas/dia via patrulha ideológica

 
imagem de Marko
Marko

Ok Legal mas vamos c/calma, afinal

explicar determinado fenômeno é 1 coisa

extrair utilidade d tal explicação são ooooutro$$$$$ 500 (mto$ quinheto$ aliá$$ ) inclusive "outros quinhentos" políticos, e não apenas financeiros...

 

Ademais, a história está cansada d demonstrar q nem sempre a explicação d determinado fenômeno precede ou é essencial p/a utilização prática do mesmo.

 
 
imagem de Wagner Curdo
Wagner Curdo

Só custear a pesquisa não adianta.

Tem de desenvolver a tecnologia e meter o proof of concept.

Se nenhuma empresa do Brasil investe, tem outros que investem.

Faz parte da vida.

 
 
imagem de haroldovilhena
haroldovilhena

Vamos lembrar que durante o TEDx foi apresentada uma máquina, tambem criada por aqui, que extrai agua do ar...

Estamos chegando lá.

(ainda defendo que a tecnologia usada no pré-sal poderia gerar energia, nos moldes da pesquisa de Tesla).

 
 
imagem de André
André

Primeiramente, que ótimo saber que temos uma pesquisa de universidade brasileira que de fato significa uma revolução em nível mundial. É um tapa com luva de pelica que Fernando Galembeck dá nos pesquisadores brasileiros que fazem chechos acadêmicos para inflar artificialmente seus currículos.

O mais interessante de tudo isso é pensar que um imóvel poderia gerar energia o ano todo e em qualquer situação. Se tem sol no céu, os painéis solares captariam, enquanto os coletores de eletricidade da umidade do ar fariam o trabalho em dias mais nublados. E, claro, coletores de eletricidade do ar também podem funcionar à noite.

Também dá para pensar nesse princípio de coletar eletricidade da umidade do ar para outros usos. Carros, como sabemos, acumulam eletricidade estática do ar. Se a mesma puder ser coletada, ganha-se de graça energia que normalmente seria escoada dando choque nos passageiros que tocam a carroceria. Um sistema desses poderia também ser usado em conjunto com freios regenerativos. Para carros elétricos, seria uma chance de aumentar a autonomia, hoje em dia bem curta. Para carros híbridos, a chance de ganhar mais alguns quilometrinhos sem usar o motor a combustão funcionar. Porém, mesmo os carros convencionais teriam benefícios dessa tecnologia, sem que os motoristas sintam mudanças em relação àquilo que já conhecem.
No caso dos carros convencionais, coletar eletricidade do ar (e também dos freios regenerativos) seria a chance de reduzir ainda mais a necessidade de alternadores potentes, o que significa roubar menos força ainda do motor a combustão. Roubando-se menos força, de cara significa mais potência gerada por aquele motor. Menos força roubada também se reverte em menor consumo de combustível, o que também facilita a contenção do nível de poluentes. E dependendo do nível de potência, dá para fazer o mesmo com motores menores, o que também ajuda um bocado sem que signifique prejuízo para o desempenho geral.

E já que falamos de um princípio que pode ser aplicado a várias situações, também dá para imaginar também essa tecnologia sendo usada em caminhões, ônibus, navios (haja umidade no mar, não?) e aviões (passe dentro de uma nuvem e ganhe energia elétrica de brinde para mover dispositivos que usam eletricidade). E tudo isso, como sabemos, reverte-se em menos uso de combustível para uma mesma tarefa sem que se mude muito aquilo que já funciona bem.

Ainda voltando para imóveis, dá para imaginar uma geração elétrica combinada (painel solar + coletor de eletricidade do ar) proporcional à área construída de uma cidade. Com isso, São Paulo poderia ser uma "Itaipu" do assunto (quanto geraria uma cidade totalmente com painéis solares e coletores de eletricidade do ar ainda é um mistério). Aproveitando-se a já existente rede de distribuição, daria inclusive para direcionar a energia para o canto do país que precisasse dela.

E como falaram de prevenção de raios, quem sabe também pudéssemos tornar as cidades mais seguras. Por fim, não deixa de ser interessante uma certa analogia com De Volta Para o Futuro e aqueles 1,21 GW necessários para fazer a máquina do tempo funcionar. Eles vieram de um raio...

 

Rastreado 24 horas/dia via patrulha ideológica

 
imagem de Ivan Moraes
Ivan Moraes

O que isso esta me lembrando eh que algumas experiencias geotermicas chegaram ao fim outro dia mesmo por causa dos microterremotos.

Nao tenho a referencia imediatamente mas o ponto eh que eletricidade do ar ja tem dono.

 

Voto distrital de merda, vai sumindo do Brasil, e leve seus "religiosos" e espioes mediaticos porque o Brasil nao eh casa da sua sogra.

 
imagem de René Amaral Junior
René Amaral Junior

Nicola Tesla experimentou e conseguiu transmitir eletricidade pelo ar e pelo solo, mas foi massacrado pelos capitalistas de seu tempo, aliados a Edison fizeram o diabo para desmoralizar e desacreditaro seu ex colaborador. O criador da corrente alternada, que permite a transmissão a longas distâncias, ao contrário do canalha Edson, tinha uma consciência social elevada e fez o possível para tornar a eletricidade mais barata e acessível a todos. Foi derrubado covardemente por gente que hoje goza de mais fama e respeito do que este verdadeiro gênio que entre outras coisas inventou e testou com sucesso o precursor do controle remoto, isso entre o  fim do séc. XIX e a primeira década do séc. XX.

Vale à pena uma pesquisa básica no google do nome Nicola Tesla.

 
 
imagem de Augustobs
Augustobs

Nassif,
falando em energia e revolução, olha essa:
uma nova técnica para retirada de gás de xisto transformou os EUA de maior importador de gás do mundo há 04 anos atrás em auto-suficiente já neste ano de 2010. Com essa nova técnica eles ganharam suprimento de gás para mais 45 anos ao patamar de consumo atual.
E a cereja do bolo...pesquisando na internet descobri que o Brasil tem a segunda maior reserva de xisto do planeta!

Talvez os especialistas em geologia e Petrobrás que leêm este blog possam nos esclarecer se o xisto do Brasil também poderá ser utilizado para esse fim e se a Petrobrás já está fazendo algum movimento nesse sentido ou se o foco no pré-sal está impedindo ela de enxergar esta revolução. As reportagens abaixo mostram que as maiores empresas petrolíferas do mundo já estão dando passos largos para esse novo tipo de exploração.

https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2010/5...
e
http://www.ce-epc.org.br/cms/index.php?option=com_content&view=article&i...

 
 
imagem de Jurgen
Jurgen

 Acabar com os raios e relâmpagos.  Não é uma opção. Reduzir já é perigoso. Alguém já se deu conta que este fenômeno raios e relâmpagos são os geradores de ozônio que nos protegem das radiações solares? É exatamente aquele escudo de proteção que bombardeamos com vários gases e está cada vez mais fina. As consequências todos já leram em algum lugar.

 
 
imagem de Carlos J.
Carlos J.

Ele apresentou sua teoria lá em Boston??? Coitado. Vão roubar sua idéia. Deveria tê-lo feito aqui, na Unicamp, num auditório lotado, com registro, filmes, atas registradas em cartório, etc e tal...

Mais uma que perdemos...

 
 
imagem de peregrino
peregrino

ihhhhhh rapaz...que perigo
trilhas de eletricidade no ar? ó céus...é melhor comprar um capacete de Faraday já.

só pra rir um pouco, porque hoje acordei muito sério

 
 
imagem de Bast
Bast

Noticia cientifica na imprensa comum e sempre uma fantasia. Ciencia e para iniciados e quando sao e somente em um pedacinho estreito da mesma. Para avaliar a real importancia, somente quem conhece o assunto em profundidade. Quanto a patentes mencionadas aqui, citando Santos Dumont,  o problema nosso e que a ciencia feita aqui e de segunda, nao existe nenhum incentivo a inovacao, criatividade, etc. Os projetos nao passam de temas revisitados, com rara excessao, laboratorios inteiros sao montados com tudo comprado fora quando seguir alguns recebem treinamento e depois de 2 a 3 anos( as vezes nunca funcionam) resulta em alguma medida. Muitas vezes( ja falei aqui muitas vezes) quando isso acontece,  o equipamento nem e mais produzido.  Se vc pensar em empresas nacionais a situacao e pior ainda. a petrobras sempre colocou muitos recursos em desenvolvimento tecnologico, parte dos royaltes a ANP tambem disponibiliza- quantas patentes resultaram? Em pesquisa, petroleo e mineracao do ponto de vista da prospeccao, nao se trata de tema de fronteira. Quando se observa o que foi feito na epoca das grandes prospecoes de metais nos estados unidos e canada pelos idos de 1965 a 1980, nota se um grande volume de literatura tecnica e cientifica feita por empresas da epoca, usadas ate hoje. No entanto, petrobras, Vale( olha o tamanho),nao tem contribuicao nenhuma, e escandalaso, nao se trata de contribuir pouco, e zero. O Cenpes da petrobras fez o que ate hj, raciocinando nesses termos. Existem problemas ambientais enormes associados com hidrocarbonetos tanto no solo/agua quanto poluicao atmosferica? Cade patentes e artigos cientificos de ponta? O discurso da falta de dinheiro sempre foi a muleta para a baixa produtividade cientifica/tecnologica, porem ele nao tem sentido a muitos anos. Somos usuarios de ciencia, perdomina o raciocinio terceiro mundista.  

 
 
imagem de MarianoSSilva
MarianoSSilva

Parabéns ao Prof. Fernando Galembeck  pelo trabalho! A idéia é revolucionária e deve estar ainda na fase de pesquisa científica pura, com, provavelmente, já algum trabalho em andamento na área de investigação aplicada. A fase da pesquisa tecnológica vem depois e é aí que entra a engenharia, a implantação de processos de produção, plantas piloto, análises de custo e lucro, ferramental, etc.

Matéria publicada no Valor Econômico e postada hoje neste blog sustenta que o Brasil representava 2,42% do PIB mundial em 1980, decaiu para 1,99% em 2003 e hoje (2008) ostenta a participação de 2,14%. Portanto, apesar da recuperação recente vemos que para recuperar a posição relativa que ocupávamos em 1980 resta ainda algum chão. Porque disto? Não vou repetir aqui a cantilena da Av. Paulista e adjacências sobre câmbio e juros, porque tanto um assunto quanto o outro requerem análises mais decentes que as ventiladas na grande imprensa. Certamente, o verdadeiro fator a explicar os dados reside na lenta desindustrialização que ocorre no país. Para o leitor apressado, parece que estou a fornecer munição para o Serra. Vá de retro! Observe a decadência entre 1980 e 2003 e a recuperação de 2003 a 2008 para entender minha real posição. Então porque disso? A ciência brasileira teve um enorme crescimento nos governos Lula, fato reconhecido até por ferrenhos adversários. Para ser honesto, também no governo FHC houve crescimento da produção científica, notadamente na área da agricultura. Então onde mora realmente o problema? R: Na destruição da engenharia nacional nos governos FHC e Collor. Lembram-se do "eu odeio política industrial" do ministro "grande mala"?

Na época da ditadura militar os cientistas envolvidos com pesquisas puras deixaram o país em massa , devido a perseguições políticas, ou a falta de perspectiva de trabalho, visto que, o  governo de então colocava mais ênfase em pesquisas aplicadas ou tecnológicas. O país surfava, então, na dianteira das nações em desenvolvimento com uma indústria militar de primeiro mundo, desenvolvimentos marcantes em semicondutores, a descoberta de petróleo "offshore" em Campos, indústrias nascentes em microondas, lasers e ótica, novos materiais, instrumentação, computadores e insumos, turbinas a jato, etc.

Então assumem os vice-reis dom fernando. O estado foi privadoado e entregue aos amigos "grandes empresários" de então, os quais foram tão empreendedores que nunca fizeram seus negócios crescerem ao ritmo mundial. Cadê a livre iniciativa cara pálida! As únicas exceções apenas confirmam a regra : o predador mineral por excelência e a telefonia celular-que representa uma alternativa altamente lucrativa para ocupar o nicho propositalmente deixado limpo para ela. Se as telecomunicações evoluíram tanto no país, como alguns alegam, porque a banda larga ainda é tão cara no país? Com o estado destruído e sua capacidade de investimento reduzida a pó, o país entra em compasso de espera. Vou parar por aqui porque todo mundo já conhece esta história.

Que aconteceu com os engenheiros? Bem, a rede gLobo muito feliz anunciava que PhDs de São José dos Campos que trabalhavam com tecnologias militares estavam "radiantes da vida"  fabricando bonequinhas de pano... Na época a Bombardier (concorrente da Embraer) capturou vários engenheiros da Embraer. A Celma (fabricante de motores a jato) foi entregue à GE. E tome canalhices por aí afora...

Por enquanto estou aqui a descarregar um pouco de fel, mas não é este meu propósito aqui. Que solução sugeriria, para uma discussão , de rumos a tomar pelo governo de minha candidata Dilma? Sugeriria aumentar o investimento em centros de pesquisa tecnológica e na formação ampliada de engenheiros. Devemos desenvolver a engenharia em detrimento da ciência básica? Não, um rotundo não! Um país com nossa história e caminho para o futuro não pode se dar ao luxo de abandonar caminhos para seguir outros. Tem que fazer tudo ao mesmo tempo! O que estou querendo dizer é que a maior parte do dinheiro novo (pré-sal) deve ser investido em educação e ambiente de trabalho para engenheiros e técnicos especializados. Estou sugerindo que se crie uma carreira técnica nas universidades. Que se envie técnicos e engenheiros ao exterior, independentemente de títulos de pós-graduação. Que se crie institutos tecnológicos pelo Brasil afora, vocacionados para as economias regionais. Precisamos desenvolver habilidades em solda, vidraria, polimento e usinagem ótica, mecânica de alta precisão, materiais cerãmicos, eletrônica, usinagem química e tratamento de superfícies, processos de síntese de química fina, e muitas outras.

O governo Lula mostra, claramente, a disseminação e interioração da educação de nível superior no país. A criação de Institutos Federais (IF) pelo país é uma realidade e minha candidata declarou em campanha que criará ainda mais IFs em seu governo, no que confio. O que urge é uma valorização da profissão de engenheiro e técnico. O interesse dos jovens se manifesta ,em grandes números, pela visibilidade de uma carreira futura, e, não sem razão pois visibilidade representa emprego. Hoje as engenharias de petróleo e mecânica atraem muitos jovens por causa da Petrobrás. Não se vê, entretanto, o mesmo poder de atração nas outras especialidades.

Para finalizar, o primeiro passo a ser dado é aumentar a visibilidade das profissões de engenheiro  e técnico de forma a trair jovens talentos. A maioria dos pesquisadores em ciência pura não entende de tecnologia, embora muitos apregoem isto, e ao participar da alta administração do governo tendem a imprimir uma orientação às políticas que lhes seja mais familiar. O que estou sugerindo é que haja na tomada de decisões em políticas de C&T a presença de engenheiros notoriamente reconhecidos pela comunidade.

A ciência brasileira está à frente da sul-coreana, porém nossa tecnologia, que já foi superior, hoje está muito atrás. Quase a mesma coisa em relação à China. O país ganha liderança em setores tradicionais e um chaebol começa a se formar. O problema é claramente de defasagem tecnológica! Não acredito que sejamos menos criativos em tecnologia do que em ciência. O futuro da nação depende de alguma mudança de rumo.

 
 
imagem de  Angelo Giordani Frizzo
Angelo Giordani Frizzo

Acho que esta será a última vez que vamos ouvir falar disso. 

A "galinha" foi contar vantagens na "toca das raposas". 

 
 

Postar novo Comentário

O conteúdo deste campo é privado não será exibido ao público.
CAPTCHA
Esta questão é para testar se você é um visitante humano e impedir submissões automatizadas por spam.
CAPTCHA de imagem
Digite os caracteres exibidos na imagem acima.

Faça seu login e aproveite as funções multímidia!