Copo cheio

Um pouco de otimismo não faz mal a ninguém:

- os urubus - esvoaçando cada vez mais abundantes neste espaço - que saboreiem o seu próprio fel

- se for para lermos aqui o mesmo material funesto caudalosamente semeado pela grande mídia, qual o ganho na compreensão dos fatos?

- que venham as críticas construtivas, já existe golpismo demais por aí

- não custa lembrar uma coisa tão óbvia: o Brasil faz parte do mundo

- não vivemos em uma ilha, isolados de uma economia mundial que arde em chamas sob uma das maiores crises do capitalismo

- o que já conquistamos é motivo de orgulho e não pode ser destruído pelo "viralatismo" reinante

- desonerações não são realizadas aleatoriamente, mas abrangem áreas essenciais da economia

- o governo faz análises detalhadas dos vários setores que compõem a cadeia produtiva

- há uma contrapartida positiva na arrecadação de impostos estaduais e municipais com o aumento das vendas Leia mais »

Diversionismo na reforma política

  Sou a favor do plebiscito. Não é isso que sinalizam as manifestações? Existe um claro desejo de participação no grito das ruas, diante de um cenário de baixa credibilidade do mundo político.

  A tônica, agora, é discutir o sistema de votação: voto proporcional, distrital etc. Tudo bem, vamos discutir isso. Na minha opinião, discutir voto distrital, por exemplo, analisar com carinho sua viabilidade, é fato saudável, mas é também uma manobra diversionista aplicada pelas figuras que estão na imagem estilo facebook que acompanha este post.

  As figuras do quadrinho apontam numa direção (voto distrital) e todo mundo olha para ela, como se fosse o Santo Graal, enquanto o mais importante é capciosamente omitido. Corremos, assim, o risco de perder uma bela oportunidade. Crucial, mesmo, é mudar o sistema de financiamento de campanhas. A roubalheira dos políticos nasce nas campanhas eleitorais, todos sabem. O político eleito assume já comprometido com aqueles que "doaram" para sua eleição. Depois, o mandato em curso, vêm os aditivos de contratos, as licitações de cartas marcadas, os desvios de recursos, os apadrinhamentos. Leia mais »

Imagens: 
Plebiscito

Contragolpe

contragolpe

  Muitos brasileiros foram às ruas para exigir mudanças. De início, houve uma estupefação geral. Seguiram-se muitas análises políticas, que nos fizeram sentir um misto de esperança e medo.

  O Governo reagiu. Dilma garantiu ouvir os manifestantes. Reuniu-se com o MPL. Chamou ministros, governadores e prefeitos. À tarde, diante de uma mesa que deve ter mais área que meu apartamento, propôs a união em torno de 5 itens. Com seu pentagrama político, que adquire a força momentânea de um plano de governo, assumiu o protagonismo em meio a um clima de incertezas. Leia mais »

Uma primavera brasileira?

São Paulo convive com manifestações há um bom tempo. Quem trabalha na Avenida Paulista, por exemplo, vê passeatas e carreatas com razoável frequência. Tem espaço para todos os gostos naquela colméia. Sem-terra, sem-teto, funcionários públicos, professores, GLBT, sindicatos, cada um defendendo a sua causa. Isso é lindo, ainda que provoque transtornos irritantes. Nesse sentido, as atividades do Movimento Passe Livre também são lindas, a despeito de qualquer análise mais aprofundada do mérito das reivindicações. Ou seja, protesto hoje é normal e saudável, quanto a isso não há motivo para temores. Leia mais »

Virei best seller!

Capa - Degenerados

   Meu romance "Degenerados" apareceu hoje em 3º lugar entre os mais vendidos de ficção científica na Amazon. Isso faz dele um best seller, mas significa muito pouco em termos de público: o mercado de livros digitais no Brasil ainda é bem pequeno, embora crescente. Se o assunto for ficção científica, então, nem se fala. O gênero carrega um certo estigma negativo que tende a afastá-lo da Literatura.

   Fico feliz mesmo assim, principalmente quando verifico (relatórios de abril/2013) que foram baixadas 5 cópias do livro em países de língua germânica. Suponho que sejam brasileiros lá residentes ou algum alemão querendo aprender os meandros da nossa flor do lácio. Saber que o seu livro foi parar nas mãos de alguém lá do outro lado do mundo - com auxílio dos recursos de nossa era digital - serve para confortar um escritor desconhecido. Leia mais »

Nós e elas

    Nós e elas, reminiscências erótico-patéticas

   Corriam os anos 70, mais precisamente o ano de 1973. Eu tinha 15 anos e cursava o chamado primeiro colegial. A turma da escola era bem unida, inventava-se de tudo para ficar junto. Aos sábados, rolavam os famosos bailes de garagem regados a cuba-libre. Naquela idade, nossos hormônios atingiam ponto de ebulição e dançar música lenta, com os corpos agarradinhos, costumava prometer muitas delícias. Praticamente todos éramos virgens e as espinhas no rosto já começavam a incomodar. Leia mais »

Maioridade penal: falácia e diversionismo

   A lei que define a maioridade penal no Brasil é de 1940. Sou mais novo que isso, tenho 54 anos de idade. Vivi dos 16 aos 18 anos na década de 70. Não acho que os adolescentes ficaram mais maduros de lá para cá. São mais tecnológicos e recebem grande quantidade de informação. Ocorre que informação não é conhecimento e conhecimento não é saber, já dizia Frank Zappa, a conferir. Principalmente quando essa informação tem grande volume e pouca qualidade, apenas gerando mais confusão. A maturidade não sai das páginas do facebook, é preciso bater cabeça na vida real para eventualmente conquistá-la. Por outro lado, o mundo feito por mais velhos como eu ficou mais veloz e competitivo para eles. Passou a exigir bastante deles. Não sei dizer ainda se respondem adequadamente às nossas exigências, mas é certo que estão construindo o seu caminho no fragor da vida e espero que acertem. Espero que ao menos desconfiem, embora tenhamos desconfiado de nossos pais e, mesmo assim, ainda reproduzimos muitos dos seus equívocos. Leia mais »

Dia da Mulher

   Vejo os comentários, os cumprimentos, fico pensando: será que tenho sido bom o suficiente para aquela que me acompanha há 23 anos? É claro que uma mulher exigente e cheia de inteligência não se contentaria com os louros e os elogios de uma data espetada no calendário. Minha homenagem a ela não pode ser tão pequena quanto uma efeméride ou um post no blog. Leia mais »

Sobre Yoani

O blog de Yoani circula livremente em Cuba desde fevereiro/2011, apesar da precariedade da internet e das restrições à liberdade de expressão que existem por lá. Aqui no Brasil, todas as portas da velha mídia foram escancaradas para ela. Sua única dificuldade foi enfrentar um protesto (ruidoso, mas extremamente pacífico) de um grupo da Juventude Socialista. Isso não representou censura às suas ideias, muito pelo contrário, houve liberdade de expressão. Democracia é assim. Antes fosse assim em Cuba. Se Yoani realmente desejasse liberdade de expressão, deveria saber ouvir elogios e, também, vaias. Preferiu, contudo, associar o protesto ao terrorismo, como nos velhos tempos do macartismo e da Guerra Fria. Esta semana, na Globonews, havia um colaborador da ditadura militar, ex-diretor do Estadão, atacando os manifestantes, chamando-os de fascistas. Santa incongruência do alcaguete, Batman! E essa menina recebeu o apoio até do Bolsonaro, perigoso defensor da tortura, entre outros malucos e oportunistas. Leia mais »

Resenha: Dulce Maria Cardoso - Os meus sentimentos

Dulce Maria Cardoso - Os meus sentimentos

Tinta-da-China – 372 páginas

   

   Este romance foi para mim uma descoberta surpreendente, um caleidoscópio irretocável de palavras, um meticuloso quebra-cabeças erigido com os mais delicados fragmentos da sensibilidade humana. Leia mais »

Resenha: Ian McEwan - Serena

Ian McEwan - Serena

Ian McEwan - Serena

Companhia das Letras - 380 páginas

   Ian McEwan, premiado escritor inglês nascido em 1948, não escreve seus livros baseado somente naquilo que tem na cabeça. Cada um de seus romances traz em seu curso os registros de uma pesquisa prévia minuciosa sobre o assunto tratado. Em “Sábado” (2005), por exemplo, a rotina de um neurocirurgião é dissecada em pormenores até mesmo científicos, de maneira que nos sentimos penetrar na mente do profissional e seus problemas diários no trabalho. O autor estuda seriamente o contexto histórico e cotidiano de suas personagens e, por conseguinte, o leitor confia na solidez da narrativa. Leia mais »

Felipão: ¿Por qué no te callas?


“Tem que trabalhar bem esse aspecto. Se não tiver pressão, vai trabalhar no Banco do Brasil, senta no escritório e não faz nada”

Felipão falou bobagem e muitos incautos correram como boi atrás da vaca. Para quem não sabe, o BB é uma sociedade de economia mista e os seus funcionários não são funcionários públicos. O contrato de trabalho é regido pela CLT, como ocorre com a maior parte dos trabalhadores brasileiros. Há demissões e descomissionamentos no BB, embora a estabilidade e o nível técnico sejam maiores. A diferença é que, para entrar no BB, o sujeito tem que prestar concurso público. Muitos tentam entrar e não conseguem. Outros nem tentam, porque a relação candidato/vaga é muito elevada e afugenta os menos preparados. Alguns pobres de espírito sofrem de inveja por não conseguirem uma vaga. Leia mais »

Cachorradas

 

   O discurso é espumante:

   - Pegaram o Rosemary! Cirurgia plástica e cruzeiro de navio!

   - Acorda, Brasil! Isso é uma vergonha!

   - Imagina na Copa! Leia mais »

Imagens: 
Cachorradas

Para Roma, com amor

   Ao final de “Para Roma, com amor”, concluí ter sido enganado. Embora muita gente recomende o filme, logo falei: a trama é cheia de clichês, o roteiro e as personagens são pouco convincentes. “Meia noite em Paris” é bem melhor, pontifiquei, enquanto corriam os créditos finais. Em seguida, como sempre faço, procurei encontrar as razões do diretor, tentei entender o que Woody Allen quis dizer com sua história. Ou melhor, suas histórias. Mastiguei devagarinho. Percebi, então, que não havia sido enganado por ninguém, exceto por mim mesmo. Subestimara o filme, fizera uma leitura apressada e superficial do seu roteiro. Leia mais »

O depois

O mensalão deverá influir bem pouco nas eleições, mas será preciso restaurar publicamente a verdade dos fatos depois de encerrada a fase do espetáculo. Não basta o provável sucesso eleitoral daqueles que se alinham ao espectro progressista das disputas políticas. A prevalência dos valores sociais encontra sua razão de ser em valores humanistas. Muita gente boa foi condenada devido à intensa pressão midiática que colocou o STF de joelhos. José Dirceu e Genoíno lutaram para mudar o país, semearam um futuro melhor para todos os brasileiros. Como prêmio por suas trajetórias em favor da justiça social, cumprirão penas definidas em um processo de viés inquisitorial. Sofrerão a dor da injustiça. Seus familiares, além desse sentimento de injustiça, suportarão amargas ausências. Posso imaginar os olhares injetados dos justiceiros, tristes olhos que se comprazem na acre satisfação da vingança. Desprezemos por um instante estes que se embebem no ódio. José Dirceu e Genoíno não merecem tanto ódio. Cometeram seus erros, decerto, mas o poder e a sanha mesquinha de seus julgadores produziram castigos desproporcionais a esses delitos. Leia mais »