Segundo Pinchot, vivemos procurando pessoas que se adaptem enquanto deveríamos procurar pessoas que ampliem as nossas formas de pensar. A diversidade mantém o sistema dinâmico e experimental, além de encorajar as pessoas a dar mais de si no trabalho. É impossível manter uma competência ou nível de exigência o tempo integral na empresa, a toda e qualquer instante e demanda. E é nesse pequeno lapso de tempo de eventual incompetência, ou erro, ou fraqueza, que somos pegos de surpresa e acusados de limitados ou emocionalmente instáveis. E o mundo dos negócios, os mercados, as empresas que anseiam por lucros imediatos, de modelos pragmáticos, não perdoam. Pré-conceituam, julgam e ignoram valores inovadores indispensáveis ao novo mundo da gestão. Deixar nosso lado emoção em casa e ir para o trabalho carregando somente a razão, é humanamente impossível. Não podemos dissociar a razão da emoção no ser humano. Então, se queremos ter pessoas dentro do ambiente empresarial, vamos ter que aceitá-las como são. Com emoção, limitações e potenciais. A criatividade surge exatamente naquele ambiente que tolera o erro, que convive com a diferença, com o gap, e "esta criatividade", muitas vezes, não necessariamente dá certo. Percebem-se, atualmente, investimentos dispensados aos profissionais de empresas, no intuito de diagnosticar tendências, aptidões e habilidades, mas ainda são esforços de ferramentas e metodologias que se mostram incipientes, imaturas, pois não conseguem perceber as filigranas psicológicas do indivíduo, ou seja, não respeitam a diversidade do indivíduo em relação a sua ecologia, ou não alcançam o quesito emoção que todo cérebro humano tem, implícito no profissional que atua no ambiente empresarial. Dessa reflexão, como todos somos seres humanos, dotados de sentimentos e emoções, em algum momento iremos apresentar uma falha. Iremos apresentar um gap, um desvio, um erro. A proposta deste texto é a de tentar trabalhar com este gap, com este desvio apresentado pelas pessoas, que são suas limitações, fraquezas e incompetências, em se tratando de profissionais atuando em ambiente de negócios, aprendendo a respeitar sua diversidade, independente de hierarquia, credo, religião, origem ou capacidade intelectual. A idéia é procurar nivelar, através do diálogo, feedback, treinamento e de desenvolvimento, as capacidades profissionais aferidas ao escopo das competências organizacionais requeridas. O que é precioso nesse raciocínio, é não permitir que as características originais do ser humano sejam modificadas ou customizadas, como se fosse um pacote presumível de valores. Precisamos do diverso, de idéias, da opinião contrária, da transgressão, do anárquico, para criar uma ação, um movimento. Desse processo, evoluímos para uma pretensa nova idéia. E assim, avançamos e dividimos essa nova idéia com nosso grupo. Lapidamos, refinamos, somamos, desenvolvemos e por quê não, poderá sair dali um novo produto ou serviço ? Portanto, é do diverso, da ausência de preconceitos, do somatório de esforços e diferentes pensamentos que nascem as riquezas dos bens que desejamos capitalizar e transformar em benesses, conforto, luxúria, que com certeza, desejamos que nos atendam, sem sentimento de culpa alguma. As pessoas, de maneira geral, ainda são muito cheias de pruridos para tratar desses temas inovadores. Nossa sociedade e cultura corriqueira não nos permitem discorrer sobre o tema. A hipocrisia de nossas atitudes fala mais alto e nossa vaidade nos emburrece. É mais cômodo aceitarmos que estamos bem. Refletirmos sobre nós mesmos, exige muito de nossas amarras internas, e irá nos fazer sofrer. Temos que ter auto-crítica suficiente para perceber, mesmo que por caminhos tortuosos, nossas limitações. Vale a pena rever o conceito de Capital emocional: é a capacidade de compreender a si mesmo e, por conseqüência, ser capaz de compreender o outro. Ou seja, é aplaudir o erro alheio e incentivar o reingresso a novas tentativas. Brilhante é perceber que somos limitados, rasos, erramos mais do que acertamos, somos mais fracassos do que vitórias. Aí está o requinte da situação. Ter a sensação nítida que somos pequenos diante da imensidão do novo, do conhecimento. Como resultado desse raciocínio, surgem idéias desapegadas do medo, soluções latejam, parcerias vingam e sonhos se encaminham. E assim os profissionais nas empresas desempenham com níveis de competências cada vez mais afinados a resultados talvez antes não atingidos. Porque, não estamos mais tratando de indicadores econômicos, numéricos, aqueles que estampam as capas de revistas econômicas, mas sim, de competências comportamentais, capitaneadas por seres humanos, embutidas de emoções. Se há emoção, nada pode ser considerado tão presumível, a ponto de algumas empresas ainda insistirem em estabelecer critérios de posturas, com seus caderninhos e manuais éticos, etc. e acreditar que os profissionais atuarão uniformemente, cartesianamente, ao longo de uma trajetória profissional, como se soldadinhos fossem. Pois estamos lidando com comportamentos, com visões sistêmicas e complexas, com sentimentos. Então, percebe-se que há uma evolução.