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Em entrevista ao jornalista Luís Nassif, Marcus Figueiredo, professor do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), afirma que o eleitorado está se direcionando para centro-esquerda, mesmo que não verbalize claramente sua opção.

Um dos pontos destacados na entrevista foi a guerra dos institutos, ocorrida no início de 2010 que, de acordo com Figueiredo, eclodiu por dois motivos: primeiro, a insatisfações de candidatos e partidos, especialmente no caso do PSDB que questionou a validade da pesquisa da Sensus; segundo, pela disparidade no tratamento dos indecisos. Segundo o professor, essas eleições baterram o recorde de pesquisas eleitorais, totalizando 44 avaliações contra cerca de 20 nas eleições 1989 - uma das mais disputadas.

De acordo com o especialista existem duas maneiras de fazer a avaliação: uma analisando o ponto a ponto, controlando pela data e distribuindo ao longo do período; a outra, avaliando a média do valor durante o mês. Para ele o melhor critério é o primeiro, pois "com a disputa aberta, agora no final [da campanha], nós podemos dizer que a curva de tendência se ajusta praticamente de um dia para o outro".

Uma das justificativas para a oscilação das pesquisas são as ondas que surgem em favor ou contra determinado candidato. Segundo Figueiredo, episódios como o caso Erenice Guerra, desencadearam uma onda com forte repercussão nos últimos 15 dias. No caso específico, o escândalo resvalou principalmente da classe média para cima, direcionando votos da candidata Dilma Rousseff (PT) para a candidata Marina Silva (PV).

Sobre pesquisa partidária, o professor explica que algo em torno de 50% a 55% do eleitorado tem preferência partidária e que esse quadro se repete desde 1980. “Compartilho a crítica de que eles [os partidos] deveriam ser mais atuantes na organização política da sociedade”, conclui.

Para finalizar, o professor faz uma breve explanação sobre a posição do eleitorado brasileiro. Para Figueiredo nestas eleições houve um realinhamento do eleitorado para uma posição de centro-esquerda, visto o crescimento sistemático dos partidos de esquerda no congresso.

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