Re: Estudos analisam o sistema de cotas nas universidades

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Urariano Mota

"Nao tem como queimar etapas em ciencias exatas. Nao tem como compreender equacoes diferenciais se nao domina trigonometria ... e assim vai ..."


Ora, em ciências que não são exatas tem como queimar etapas? Em que conhecimento se queimam etapas? Será que em um curso de Direito, ou de Ciências Sociais, ou de Letras, podemos queimar etapas? Isto é, chegar no curso sem uma curiosidade e leituras e estudos anteriores, e tocá-lo para a frente, porque, afinal, "essas besteiras de portugueis nós tira de letra"? Não é assim, em qualquer conhecimento, atividade, nada se tira d e letra, nada se improvisa. Até mesmos os músicos "intuitivos", quero dizer, aqueles que não sabem ler uma pauta, não se fazem sem estudo, sem aprendizagem, sem às vezes a mais dura aprendizagem. (Lembro do violonista Canhoto da Paraíba, a quem Henque Annes chama de "gênio selvagem", e sei e vi e senti o quanto ele estudou até o fim da vida, apesar de "analfabeto" em música...)


Na frase "Nao tem como queimar etapas em ciencias exatas. Nao tem como compreender equacoes diferenciais se nao domina trigonometria" repete-se o preconceito de julgar ciência apenas as chamadas ciências duras. Essas é que seriam A ciência. Todo o processo humano de acumular, errar e superar é reduzido apenas a quem sabe contar, ou pensa que sabe, porque decora e repete fórmulas. O que dizer dos fundamentais mestres de humanas, o que falar do gênio de Paulo Freire? Não, eles não fizeram ciência. Devem ter feito prática de solfejo de ouvido que deus deu. Que deus dá. Isso por um lado. Por outro, sei de experiência o quanto esses reinos "inacessíveis" do conhecimento, difíceis, para poucos, como matemática, podem ser humanziados, socializados, a partir de professores que não sejam idiotas e burros. Mais: sei o quantos e pode aprender o que for necessário aprender, em qualquer idade.Isso quer dizer: jovens que não cuimprirarm o estágio necessário de conhecer trigonometria, por exemplo, podem faz~e-lo em um ou dois anos, desde que se empenhem, desde que encontrem quem não o sjulgue burros, inaptos e ineptos.    


"Fora que os cursos em ciencias exatas sao dificeis, mesmo sem cotas a evasao chegava a 20%". Quem assim fala não sabe que a evasão é grande também em curos "mais fáceis", como história e geografia, por exemplo. Por quê? É que a evasão não se dá pelo encontro de obstáculos intransponíveis. Ela se faz mais em razão de perda de sentido, de motivação, de horizonte curto de mercado. Mas há uma coisa que mostra onde os cursos de extas são difíceis. E muito. No despreparo de professores, de mestres, formados na escola burra da autoridade e do desrespeito ao aluno. Ah, eles tornam pelo dogma a vida difícil dos alunos mais rebeldes. Sei disso e vivi. Abandonei um curso de matemática em razão da postura arbitrária e dogmática dos mestres do curso nos anos 70 no Recife. Um deles, de cálculo, num aula de limites, chegava a pregar a pérola de que 0/0 é igual a ∞. Indivíduo prático, engenheiro, era ele. Vulgarizava pelo grossura  a delicadeza do conceito de "tender para", ou da impossibilidade de um divisor zero. Outro, catedrático de física (havia esta múmia de atividade: catedrático), ao aplicar o método Keller (chamavam-no de "método killer"), exigiu que o resultado de um problema, √2 / 2 desse resultado em decimais, em lugar da sua simples indicação. Isso porque o tal do Keller era 10 ou 0 na nota.


Sim, os cursos de exatas eram bem mais difíceis. Mas suponho que devem ter mudado.     

 

Urariano