Médicos espanhóis: salário para trabalhar no Brasil é bom

Do G1

Salário de R$ 10 mil é bom, diz órgão que representa médicos espanhóis

Não se pode questionar a formação médica espanhola, afirma instituição.  Programa 'Mais Médicos' abre vagas para estrangeiros em áreas críticas.

Rafael Sampaio

Os médicos espanhóis estão aptos a trabalhar no Brasil e o pagamento mensal de R$ 10 mil previsto no programa "Mais Médicos" é satisfatório, na avaliação de Fernando Rivas, dirigente responsável pela área de promoção do emprego da Organização Médica Colegial (OMC), órgão máximo de representação desses profissionais na Espanha.

O valor proposto pelo governo federal para atrair médicos a localidades no interior e nas periferias das grandes cidades foi criticado por médicos brasileiros. Para Rivas, no entanto, trata-se de uma "boa oferta" .

"Tal como está a situação da Espanha atualmente, onde os salários têm sido reduzidos entre 20% e 30% nos últimos anos e onde persistem os cortes [de verbas] na saúde, a oferta de R$ 10 mil mensais, mais alimentação e alojamento, é uma boa oferta", diz.

A previsão do "Mais Médicos" é que haja, além do salário mensal de R$ 10 mil, uma ajuda de custo inicial de R$ 10 mil a R$ 30 mil aos selecionados para cobrir gastos de instalação no novo local de trabalho.

Rivas também rebate as dúvidas levantadassobre o preparo dos profissionais estrangeiros que virão ao país.

"Creio que não se pode questionar a formação médica espanhola. O nível de nossos médicos está mais do que testado, e certamente aprovado", afirma.

Em meio a uma grave crise econômica, a Espanha enfrenta cifras recordes de desemprego entre médicos, diz o dirigente da OMC. "No mês de maio, o número de desempregados era de 3.395", informa. A quantidade é ainda maior se forem incluídos os profissionais que deixaram o país em busca de trabalho - só em 2012, 2.405 médicos foram trabalhar no exterior, e em 2011, foram 1.378, ressalta Rivas. "É evidente que há uma fuga notável de profissionais, e isso parece que não vai mudar nos próximos anos."

Diferença de idiomas
A diferença de idiomas também não deve impedir a ida de médicos espanhóis ao Brasil, de acordo com Rivas. "Mais difícil é o alemão, e temos muitos médicos saindo [da Espanha] rumo às terras germânicas", afirma. Ele considera que o português não é uma língua difícil de ser aprendida. "Há anos que médicos de nosso país migram para Portugal, e nunca tivemos informação de que a língua portuguesa tenha sido um problema."

Segundo Rivas, não é uma questão de dinheiro, ainda que "seja evidente que, sem uma oferta atraente, um médico não vá sair da Espanha". O principal, na opinião dele, é conhecer as condições de trabalho nos municípios que vão requisitar médicos pelo programa e assegurar que o profissional espanhol seja tratado do mesmo modo que o brasileiro, garantindo o exercício da medicina.

É preciso que, "no caso de algum querer ficar [após o fim do programa], se possam articular os mecanismos de revalidação de diploma de acordo com o nível de formação que os médicos da Espanha possuem", diz o dirigente da organização.

Não são a solução
Os médicos espanhós "não são a solução do problema" da saúde no Brasil, diz Rivas. Ele pondera que o "Mais Médicos" deve se configurar como um programa global, que inclua medidas profundas a médio e longo prazo, para que haja melhora real da saúde brasileira. "Isso não exclui o fato de que o programa deve levar os médicos com todas as condições de segurança e transparência, para que os estrangeiros façam a escolha com consciência", ressalta.

O fato de o "Mais Médicos" selecionar profissionais para atuação na rede de atenção básica é mais um motivo para não duvidar da capacidade dos espanhóis que vão clinicar no Brasil, na opinião de Rivas. "Não se deve supor nenhum problema para um médico espanhol trabalhar nestas condições."

'Mais Médicos'
A previsão do Ministério da Saúde é que até 18 de setembro todos os profissionais dentro do "Mais Médicos" estejam atuando no país. O programa permite a vinda de profissionais estrangeiros e de brasileiros que se formaram no exterior sem a necessidade de revalidação do diploma.

A medida provisória também institui a abertura de 11.447 vagas em faculdades de medicina até 2017 e, a partir de 2015, aumenta em dois anos a grade curricular das faculdades públicas e particulares de medicina, com formação voltada à atenção básica (1º ano) e setores de urgência e emergência (2º ano).

Neste período, os alunos terão uma autorização temporária para o exercício da medicina, e ganharão uma bolsa para atender no SUS. Cada um dos médicos vai receber uma bolsa federal de R$ 10 mil, além de dispor de uma ajuda de custo inicial que pode variar de R$ 10 mil a R$ 30 mil. O programa tem investimento de R$ 2,8 bilhões.

Segundo o governo, a prioridade será preencher as vagas do programa com profissionais brasileiros. Os postos de trabalho remanescentes serão completados com profissionais estrangeiros ou brasileiros formados no exterior.

"Não se pode obrigar um médico que quer morar na capital a ir para o interior. O profissional de saúde tem o direito de trabalhar onde quiser", afirmou a presidente Dilma Rousseff durante o lançamento, ao explicar porque optou por chamar profissionais estrangeiros, se necessário. Segundo ela, a iniciativa "se trata de garantir que todos os brasileiros tenham acesso a um médico".

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, defendeu que a vinda de profissionais de saúde formados no exterior não pode mais ser um "tabu". Ele destacou que, na Inglaterra, 37% dos médicos são formados fora, e que nos EUA são 25%, enquanto no Brasil o índice é de 1,79%.

Regras
Só poderão participar do "Mais Médicos" estrangeiros que tenham estudado em faculdades de medicina com grade curricular equivalente à brasileira, proficientes na língua portuguesa, que tenham recebido de seu país de origem a autorização para livre exercício da medicina e que sejam de nações onde a proporção de médicos para cada grupo de mil habitantes é de, pelo menos, 1,8 médicos para cada mil habitantes.

Isso exclui países como Bolívia, Paraguai e Peru, que estão abaixo. Espanha, Portugal, Cuba, Argentina e Uruguai são exemplos de países que superam esse índice.

Todos os profissionais vindos de outros países serão acompanhados por uma universidade federal. Os municípios inscritos no programa terão de oferecer moradia e alimentação aos profissionais, além de ter de acessar recursos do Ministério da Saúde para construção, reforma e ampliação das unidades básicas.

Os profissionais de outros países e brasileiros formados médicos em universidades estrangeiras ficarão isentos de realizar o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos, o Revalida, ao optarem pelo registro temporário de médicos, que será concedido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

No caso dos estrangeiros, será obrigatório que eles participem de um curso de três semanas, em uma universidade federal que tenha aderido ao programa, onde serão avaliadas por professores as capacidades técnica e de comunicação. Sendo aprovado, eles serão inscritos no Conselho Regional de Medicina do estado em que vão trabalhar.

Prazos
A escolha das vagas será dividida em duas fases. A primeira contará apenas com médicos brasileiros, e a segunda com os profissionais estrangeiros e com brasileiros que se formaram no exterior.

Segundo o governo, em 26 de julho serão publicadas as vagas existentes nas cidades brasileiras. Até 28 do mesmo mês, os médicos brasileiros inscritos no programa poderão escolher os municípios.

Em 1º de agosto será divulgada a relação de profissionais brasileiros, que terão de homologar a participação e assinar um termo de compromisso até 3 de agosto. Dois dias depois, as escolhas serão validadas no Diário Oficial da União e os médicos escolhidos começam a atuar em 2 de setembro.

As vagas remanescentes serão divulgadas em 6 de agosto. O processo de escolha nesta segunda etapa vai até 8 do mesmo mês e os resultados serão publicados em 13 de agosto. O início das atividades está previsto para 18 de setembro.

Ciclo de atenção básica
A medida provisória também aumenta a carga horária dos cursos de medicina da rede pública e privada do país. A partir de janeiro de 2015, será incluído um ciclo de dois anos na grade curricular voltado para atuação na atenção básica e nos setores de urgência e emergência.

Esse ciclo de formação será feito no Sistema Único de Saúde (SUS) e os alunos vão receber uma bolsa custeada pelo governo federal, além de uma autorização provisória para exercício da medicina. As instituições de ensino terão de oferecer acompanhamento e supervisão nas especialidades.

Outra iniciativa é a criação de 11.447 vagas de graduação em medicina até 2017, em 117 municípios. De acordo com o governo, a expansão desses postos de ensino permitirá diminuir a carência de médicos em regiões mais carentes.


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61 comentários
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Onda Vermelha

Atuo na área de Telecomunicações. Nestes últimos anos milhares de profissionais de diversas nacionalidades para cá vieram e atuam em todo o país em minha área. E não se fez esse carnaval todo que a classe médica está fazendo. Na Engenharia Civil ou Naval se dá o mesmo. Recebemos anualmente enormes leves de profissionais das mais diferentes modalidades e não se vê esse tipo de reação de nenhuma outra corporação. Ora, se a população precisa de mais médicos que venham os estrangeiros que aceitem trabalhar nas periferias e nos grotões por R$ 10.000,00. "Ah, não! Quero ganhar mais, quero um mundo ideal, uma infraestrutura de última geração!". Então, meu caro, não vá! Você não é obrigado a ir. Fique em seu consultório particular ou hospital público ou particular nas grandes cidades que você irá se sentir melhor. Somente não venham com argumentos "furados" de que os médicos estrangeiros que para cá virão não tem condições de aqui clinicar ou que “todos” os hospitais país afora não oferecem condições mínimas. Isso é MENTIRA! E já é querer abusar de nossa inteligência. Existem sim unidades de saúde prontas e que não tem médicos e os prefeitos não conseguem ninguém mesmo oferecendo R$ 20.000, 00. Então, como ficamos? Deixamos a população que mais necessita do SUS sem assistência por que a classe médica quer uma “carreira de estado” nos moldes dos juízes? E tudo isso na marra? Fica parecendo chantagem. Infelizmente, a classe médica a muito tempo confunde ética com corporativismo. Uma pena!

 
 
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gedson

10 MIL REAIS PODE PARECER MUITO... PORÉM, SERÁ QUE OS ESPANHOIS SABEM QUE O IRPJ É DE 27,5 E QUE O INSS É DE 11 por cento?

SERÁ QUE NOSSOS HERMANOS SABEM QUE TERÃO QUE COLOCAR CERCA ELÉTRICA NOS MUROS DAS SUAS CASAS? SERÁ QUE OS HERMANOS SABEM O ICMS É DE 25 POR CENTO NA MAIORIA DOS ESTADOS?

SERÁ...SERÁ... TALVEZ HAVERÁ DECEPÇÕES DOS NOSSOS HERMANOS; ASSIM COMO BLATER DA FIFA.

 
 
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Onda Vermelha

Cai mais uma máscara do PSDB ( e do Serra, sempre ele) que criticou o programa "Mais Médicos" do Governo Federal.


Veja essa repotagem da Folha de 15 de janeiro de 2000. É muita cara-de-pau desses tucanos!


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1501200019.htm


Governo regula trabalho de médicos estrangeiros no país


DANIELA NAHASS
free-lance para a Folha


São Paulo, Sábado, 15 de Janeiro de 2000 

Pela primeira vez o governo federal vai regulamentar a atuação de médicos estrangeiros no Brasil. O Ministério da Saúde elaborou um decreto que está na Casa Civil da Presidência da República e deve ser assinado nos próximos dias.
O decreto autoriza a atuação de médicos estrangeiros onde não haja médicos brasileiros.
Levantamento do CFM (Conselho Federal de Medicina) constatou que 59,4% dos médicos brasileiros trabalham nas capitais e apenas 39,5% atuam no interior.
O Ministério da Saúde informou que não existem médicos em 850 dos 5.507 municípios brasileiros (veja texto abaixo e quadro ao lado).
Poderão trabalhar no Brasil médicos de países que mantêm relação comercial com o Brasil. Segundo a Folha apurou, o objetivo do decreto é regulamentar a atividade dos médicos cubanos que estão atuando irregularmente na região Norte, principalmente no Estado do Tocantins.
O acerto com o governo cubano teria sido feito pessoalmente pelo ministro José Serra (Saúde) quando ele esteve em Cuba em 1999.
Dados do CFM demonstram que os médicos brasileiros se concentram nas capitais do país, principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Nas regiões Norte e Nordeste há carência de médicos, principalmente no interior.
O decreto estabelece algumas regras para contratação de estrangeiros. A prefeitura tem de provar que tentou durante um mês conseguir um profissional brasileiro para a vaga.
Será criada uma comissão do governo federal e da sociedade civil para avaliar se o currículo do médico estrangeiro é compatível com os padrões brasileiros. A comissão visitará universidades estrangeiras para avaliá-las.
O médico estrangeiro só poderá trabalhar até três anos no Brasil.
Esse profissional também ficará proibido de se candidatar a cargos eletivos e não poderá fazer parte dos conselhos de medicina.
O presidente do CFM, Edson de Oliveira Andrade, afirmou que a entidade é contra a regulamentação do trabalho de médicos estrangeiros no Brasil.
Segundo ele, o que falta no país é uma política que incentive os médicos brasileiros a irem trabalhar no interior. "Nunca houve uma política de interiorização no Brasil", disse.

 
 
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Carlo Zardinni

Ou trepa ou saí de cima!

Até bem pouco tempo a cantilena desta mídia de merda do País era a seguinte: - pega um pobre coitado que sirva a seus propósitos e toca a procurar por um médico e não achando deita falação.

Agora que se quer trazer estes médicos a falação da mídia é a do despreparo dos médicos do exterior, sem falar no preconceito inato contra os cubanos e vamos fazer um trato apenas; - por serem "comunistas" e o quer que seja isto, hoje, no século XXI, mas cá prá Ocrides, o preconceito é bem outro, non é vero, tá lá dentro, guardado a sete chaves, pois hoje ele dá uma cana pesada ou uma multa ferrada no babaca.

Que venham e sejam benvindos esses médicos e que criem novos paradigmas de atendimento a quem realmente precisa de atendimento médico!

Deixem os coxinhas de jaleco falando sózinhos!

Em tempo, hoje de manhã mais uma esterqueira do MalDiaBraZil prá variar escamoteando a questão da extensão de doi anos no processo de formação de médicos. Não falaram uma vez sequer sobbre a remuneração que os formandos ganhariam nesta extensão do curso. Haja desonestidade nesta imprensa. Chega a ser repugnante!

 
 
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Jose Mayo

RESOLUÇÃO SOBRE INSCRIÇÃO DE MÉDICOS FORMADOS NO EXTERIOR

12/07/2013


O CREMERJ aprovou em plenária nesta sexta-feira, 12, a Resolução nº 270/2013, que dispõe sobre a regulamentação no âmbito do Rio de Janeiro da inscrição de médicos formados no exterior. O Conselho já havia ampliado, em Resolução de 2008, as exigências para a inscrição de médico estrangeiro e de médico brasileiro formados no exterior, complementando as decisões do Conselho Federal de Medicina (CFM). Agora, para a Resolução nº 270/2013, o CREMERJ considerou: o artigo 17 da Lei 3268/1957, que determina que os médicos só podem exercer legalmente a medicina após prévio registro de diploma no Ministério da Educação e Cultura e inscrição no CRM; o artigo 48 da Lei 9394/1996, que determina que os diplomas de graduação expedidos por universidades estrangeiras precisam ser revalidados por universidades públicas; e a Resolução do CFM 1832/2008, que determina que os diplomas de graduação em medicina expedidos por faculdades estrangeiras somente serão aceitos para registro nos CRMs quando revalidados por universidades públicas. Considerando a legislação em vigor no Brasil, o CREMERJ definiu, em sua Resolução, que: para fins de inscrição junto ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro, o médico formado no exterior deverá apresentar o diploma devidamente revalidado por intermédio do Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos – Revalida; e que a exigência contida na presente Resolução não afasta as demais obrigações definidas em Lei, e as determinadas pelos Conselhos Federal e Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro. A Resolução será publicada no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro nos próximos dias. Fonte: http://www.cremerj.org.br/informes/exibe/2117

 

"O pior desserviço que se presta às boas causas, é tentar fundamentá-las com argumentos ruins." (Jose Mayo)

 
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Anarquista Lúcida

Se a lei passar no Congresso, o Conselho vai ter que engulir essa regulamentaçao. Arre! 

 
 
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Julião

Os médicos brasileiros passam pelo mesmo exame proposto para os extrangeiros para comprovar competência?

 

julião

 
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Jose Mayo

Penso que é mais apurado que o "teste" dos estrangeiros; Temos que nos preparar para um processo seletivo extremamente difícil e concorrido (tanto que poucos conseguem) e somos avaliados, quase todos os meses ao longo de todo o período de formação, em um currículo adaptado ao ambiente nosológico brasileiro (muitos dos nossos vermes e germes, e mesmo condições sanitárias, não existem na Europa ou no Caribe) e, conforme que especialidade o formado decida seguir, enfrentamos outro "filtro" severo devido à insuficiência crônica de vagas na residência, ou pagamos mais alguns anos de pós graduação...

No resumo, somos avaliados pelos nossos mestres e preceptores durante, em media, oito a dez anos. Coloca isso numa prova de algumas horas e raciocina se há, ou não, alguma diferença.

Saudações

 

"O pior desserviço que se presta às boas causas, é tentar fundamentá-las com argumentos ruins." (Jose Mayo)

 
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Anarquista Lúcida

E isso seguramente é que nem a jabuticaba, só existe no Brasil... Ora, ora, você acha que nos outros países os médicos se formam por correspondência? Papo mais furado. Corporativismo pouco é bobagem mesmo. 

 
 
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Jose Mayo

AnaLu,

Cada região do mundo, e até mesmo cada etnia ou conjunto social, termina por selecionar especificidades médicas; Há doenças endêmicas, próprias de cada região, e há costumes sociais que convergem em selecionar um certo "pool" de entidades nosológicas, para as quais os médicos de cada país são preparados. Um médico brasileiro, por bem formado e especialista que seja, também não tem condições, de "bate pronto", de sair do Brasil e ir clinicar de imediato em outras regiões do mundo (e olha que somos bastante favorecidos pela nossa dimensão continental, abarcando diversos tipos de ecossistemas e culturas). Todos os países que "importam" médicos sabem que é necessário um período de preparo, ou uma prova de suficiência, para que esse profissional possa atuar.

Procura melhores informações, depois analisa.

Saudações 

 

"O pior desserviço que se presta às boas causas, é tentar fundamentá-las com argumentos ruins." (Jose Mayo)

 
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Anarquista Lúcida

Isso é outra questao. Você dá um argumento, eu mostro que ele nao se aplica, você responde com outra coisa. Ora, ora. 

 
 
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Jose Mayo

Raciocina; Um médico brasileiro, formado no Brasil, além da grade "geral" é submetido a uma grade curricular específica e a um treinamento específico, voltados para a realidade do nosso contexto nosológico. Isso é assim, evidentemente, em todos os países do mundo, mas, para cada um o seu cada um e nenhum com uma formação tão ampla que permita o simples intercâmbio: TODOS adotam provas de suficiência, ou cursos de adaptação.

A "jabuticaba" seria exatamente o contrário: Que no Brasil não se fizesse o que se faz no resto do mundo, ou seja, o REVALIDA, ou similar.

Quanto à resposta que dei ao outro comentarista (que você não entendeu, mas que mesmo assim meteu o bedelho), baseia-se em que o REVALIDA tem como finalidade verificar a compatibilidade do conhecimento adquirido pelo postulante com a "nossa" grade curricular (evidentemente no que tem de específico) e, portanto, não se aplica aos médicos formados no Brasil que, com certeza, foram formados à luz dessa grade específica. Se aprenderam ou não, é outra coisa, mas de todo modo não se enquadram na finalidade dessa prova. 

Saudações

 

"O pior desserviço que se presta às boas causas, é tentar fundamentá-las com argumentos ruins." (Jose Mayo)

 
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Mauro Segundo 2

Nassif, sobre " Revalida":

O Terra publicou na íntegra uma das provas, a que foi aplicada em 2011. Como não sou médico e não estou com tempo, não li as questões, mas quem quiser pode ler aqui: 

http://noticias.terra.com.br/educacao/infograficos/revalida/

Muito está se discutindo sobre se a prova é justa ou não, se é feita para reprovar ou não. O fato é que reprova muito. Reprova muito porque é difícil ou reprova muito porque os candidatos são ruins? O dor no estômago que o paciente tem é por causa do remédio que ele está tomando ou por causa da própria condição de Saúde? Bom...precisa de um grupo controle. O governo está propondo um grupo controle: aplicar a mesma prova aos formandos do sexto ano. Se os estrangeiros forem muito ruins, o desempenho deles no revalida vai ser muito inferios aos Brasileiros. Se o desempenho for semelhante, das duas uma: ou o Revalida é péssimo enquanto instrumento de avaliação, ou ambos, Brasileiros e Estrangeiros que prestam o Revalida são péssimos médicos, e há que se repensar não só a importação de Médicos, mas a formação e a prática médica Brasileiras.

Bem...o CFM é contra o " grupo controle", tão difundido nas pesquisas de Saúde: 


http://noticias.terra.com.br/educacao/cfm-revalida-e-coerente-e-nao-precisa-passar-por-teste-com-medicos,04bce7caa54df310VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html
 

É como se o CFM apoiasse os picaretas que tratam Câncer com babosa, e argumentam que não precisam de testes controlados, já que na sua experiência pessoal o tratamento funciona bem. É bem o que o vice-presidente do CFM argumenta: não precisa ser testado porque ele acha que está certo (e nas entrelinhas, admite que tem medo do resultado, como o curandeiro que teme o teste científico da sua terapia porque prevê que o efeito não é mensurável).

 
 
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Anarquista Lúcida

Só que vai ser voluntária para os brasileiros, donde perde valor de comparaçao. Os candidatos mais fracos simplesmente nao farao a prova... Já os que querem revalidaçao por esse modo todos fazem. Nao dá para comparar. 

 
 
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Malú

Senhor Mauro80, achas mesmo que nossos médicos são a última bolachinha do pacote, é? Tenho certeza que o senhor sabe que aqui no Brasil temos é "ilhas" de excelências médicas, uma grande parte são péssimos médicos. Não precisa ir ao SUS para encontrá-los, basta comparecer a plantões que atendem planos de saúde para dar de cara com esses barbeiros. Mesmo aí em São Paulo, minha filha precisou de um especialista, um imunologista. Seguimos a indicação de uma médica que disseram seria uma bambambã, filha de um renomado médico. Bairro chic, consultório trichic, médica nova, bonita, o jaleco branco de doer a vista, quase trincava de impecável, pouco falou e também pouco quis ouvir, só abriu a boca para falar o óbvio e receitou um remédio ultrapassado que nenhum médico receita mais. Foi uma decepção. Claramente ela estava ali só para dizer às amigas que era médica e nada mais. Sorte que depois encontramos um médico excelente. Temos excelências médicas por aqui? Temos, sim, mas são poucos. As frequentes reportagens de erros médicos nos mostram que temos muitos carniceiros, isso quando chega ao conhecimento do público, a maioria dos erros médicos não chegam aos jornais.

 
 
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Anarquista Lúcida

Esse cara está aqui provavelmente pago para "defender" a categoria, Malú. Só comenta em tópicos sobre isso, sempre repetindo os mesmos argumentos (devem ser os que fizeram parte do "treinamento" dele...). 

 
 
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Mauro80

Como eu já postei lá embaixo, eu não acho que médico no Brasil presta não: acho que o nível dos profissionais brasileiros é muito ruim e merece questionamento sim. E acho que a função do governo é exigir dos médicos que atendem a população que tenham qualidade, e não contratar outros sem a mínima comprovação, sob o pretexto que é tudo igual, apenas pensando no impacto de marketing que vai lucrar. Um argumento digno de "Pedro Bó": já que os brasileiros são ruins, que diferença vai fazer uns cubanos a mais, ainda que sejam ruins, pra atender os pobres?

E caso vc não saiba, tem entidade médica, como por exemplo, o conselho regional de SP, que está tentando começar a implementar um sistema de "malha fina" pra filtrar profissionais despreparados, porém, infelizmente, ainda é só uma prova "experimental". Mas se faz isso e vai contra os interesses governamentais, eu já sei o argumento: é corporativismo, reserva de mercado, etc.

E só comento deste assunto pq sou médico, e é a única área que entendo firmemente, ao contrário de vcs, que sei lá que profissões tem, se é que trabalham, mas querem entender de tudo. E falando em pagamento, questiono eu: não são vocês funcionários do dito partido que governa, e também são pagos ou se beneficiam com o aumento da popularidade do mesmo? não acredito que uma pessoa possa negar o risco que a população pobre se expõe ao ser atendida por um profissional sem comprovação técnica adequada só por esporte. Só pode ter tutu petista na jogada.

 
 
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Mauro Segundo 2

É rir pra não chorar. 

Sua camisa tá manchada.

R: vc é petista.

Não palite os dentes na mesa.

R: vc é petista.

Você parou na vaga de deficientes.

R: vc é petista.

"Petista" virou álibi para toda falta de argumento possível.

Dr Mauro, na época quee o congresso extinguiu a CPMF, tirando 40 Bilhões/ano da Saúde (lá se vão 300 Bi, 10 copas do mundo) o Sr perambulou pelos Blogs expressando sua indignação contra os parlamentares PSDEMOs?  Vestiu seu jaleco e foi fazer manifestações? 

Me de a gentileza de responder, por favor. 

 
 
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Mauro80

Bom, cansei de dar murro em ponta de faca, juro que deste site leio apenas as notícias, pq pelo menos o Nassif parece ter senso crítico, independente de sua tendência política. Mas os comentários não dá... Só tem seguidor cego da Shari ah, preocupados com qualquer medida que aumente a popularidade e garanta a eleição seguinte do seu partido... E a saúde que se $&%#. Mas antes de parar de vez de ler esses comentários, faço uma pequena descrição de como os argumentos foram discutidos:

- os médicos no Brasil são ruins, precisa melhorar a qualidade de ensino e exigir mais dos alunos e profissionais (isso vai dificultar ainda mais achar médico baratinho pro governo)...

O PTista sábio: isso é corporativismo e reserva de mercado! Máfia branca!

- os profissionais esrtangeiros que querem trabalhar no Brasil precisam demonstrar que são aptos a exercer a medicina com responsabilidade para os brasileiros, ou seja, revalidar o diploma...

O PTista sábio: isso é corporativismo burguês! Máfia branca!

- não podemos tratar os pobres como cidadãos que merecem uma saúde exercida por profissionais de qualidade desconhecida. Eles merecem mais segurança...

O PTista sábio: isso é corporativismo, seu mafioso, calhorda e bandido! Dilma vai acabar com vocês!

- é preciso olhar a floresta ao invés de uma árvore só... Os problemas do SUS estão longe de se resumir a falta de médicos, a estrutura toda está doente...

O PTista sábio: palmas pra melhor e mais fantástica presidente que o Brasil já teve, o ser simbiótico conhecido como Luladilma! Vai acabar com esses bandidos sujos de branco!

- vão à merda, na próxima eleição vou procurar alguém menos hipócrita... Talvez o PSOL...

O PTista sábio: você é tucano! Os meus políticos do coração vão trazer eleitores de cuba pra votar neles!

 
 
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Jose Mayo

Antes do Dr Mauro responder, me tira uma dúvida: Onde você ouviu falar, exceto nas justificativas para a sua implantação, que a CPMF alguma vez foi destinada à Saúde; Você viu isso acontecer? Eu não. 

 

"O pior desserviço que se presta às boas causas, é tentar fundamentá-las com argumentos ruins." (Jose Mayo)

 
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Mauro Segundo 2

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2007/12/12/proposta-do-governo...

 
 
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Jose Mayo

Deu vergonha? Bota o texto inteiro assim, ó:

"Proposta do governo para aprovar CPMF e carta de Lula

Os ministros abaixo assinados receberam hoje das entidades públicas de Saúde, por intermédio do CONASEMS (Conselho Nacional dos Secretários e Secretárias Municipais de Saúde), a reivindicação de direcionamento do total dos recursos oriundos da CPMF para a área da Saúde.

O Governo tem dialogado sobre este tema com as lideranças políticas e partidárias no âmbito do Congresso Nacional e tem condições de, neste momento, declarar que:

- Uma vez aprovada a prorrogação da cobrança da CPMF nos termos da PEC 50/2007, o Governo respaldará um acordo parlamentar que dirija valores correspondentes da CPMF, que não são dirigidos hoje à Saúde, para que passem a sê-lo, a partir de 2008, de forma progressiva até 2010, à exceção dos recursos abrangidos pela DRU;

- o Governo esclarece que estes novos recursos serão acrescidos aos patamares atuais;

- os novos recursos oriundos da CPMF serão acrescidos aos atuais e não substituirão as outras fontes atuais; e

- a admissão da proposta em questão significa que os gastos referentes a inativos sejam incluídos como despesas de saúde.

Brasília, 12 de dezembro de 2007"

Ou seja, a "tua" fonte confirma que a CPMF, até o ano de 2007 (ano em que foi extinta) JAMAIS TEVE OS SEUS VALORES DIRIGIDOS À SAÚDE e, como última pérola, na ocasião o governo propôs respaldar o acordo, desde que a destinação fosse progressiva (de 2008 a 2010) e... pudessem incluir, na CPMF, os gastos referentes a inativos, como se despesas de saúde fossem.

Bonito, né?

Saudações

 

"O pior desserviço que se presta às boas causas, é tentar fundamentá-las com argumentos ruins." (Jose Mayo)

 
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Malú

Antes de ser médico, você é tucano e está dando uma de cabeça dura apenas para defender o apoio do PSDB.

 
 
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Murilo C

Quando voce vai a um consultório médico e ve as revistas da mesinha, ali na sala de espera, passa a compreender muita coisa.

 
 
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Fabricio Moreira

Quando os ibéricos ( se vierem) perceberem que são massa de manobra de um governo que subfinancia seu sistema de saúde e ainda o gere pessimamente, sairão correndo. Diferentemente, por lá têm minimamente financiada a Saúde Pública num sistema aonde há condições de trabalho e é sério. Aqui, há mais de 20 anos, tenta-se consolidar um SUS que está moribundo pois não há recursos para ele. Esta briga do atual governo com os médicos brasileiros é o atestado da incompetência do atual grupo governante frente ao desafio da Saúde Pública: há 11 anos no poder e o SUS vai de mal a pior. Encontrar um bode expiatório "elitista" é bem gramsciano: são os malditos médicos os responsáveis por todo este caos...realmente, é muito raso este raciocínio que só cola em beócios e ignorantes ou aqueles de má-fé. Os moralistas de plantão acreditam que se faz saúde como se faz uma pajelança. Doce ilusão... Sem financiamento não há médico que dê conta de nada, só haverá mais frustração e dor. Quando ibéricos forem assolados pelo alto custo de vida mesmo em locais distantes dos grandes centros, pelas unidades de saúde que não dispõem nem de esparadrapo e gaze, pela corrupção endêmica e furiosa que grassa em todos os níveis da administração pública brasileira, verão a furada em que entraram. Mas segundo este governo, o problema (único) é a falta de médicos, é quase um mantra sagrado. Governo não é sério: tem EC 29 aprovada e boicota há anos sua regulamentação, joga com a ignorância dos leigos e má-fé dos partidários cegos de um governo que faz água. Quando a massa saiu às ruas, João Santana deu a senha para a presidente buscar o bode expiatório da sua má gestão na Saúde Pública.

 
 
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Renato Teixeira

Este governo é perito na arte do embuste! Como medida de marketing oferece este "salário". Meu pai, médico, faleceu ano passado. Seu salário pelo Ministério da Saúde? R$5.200,00 BRUTOS. Depois de 30 anos de serviço público. Agora oferecem este salário, falando como se sempre tivesse sido assim. João Santana em ação. Os médicos viraram " os estados unidos" do marketing de guerrilha.

 
 
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Anarquista Lúcida

Resta saber se era um salário por 20hs, como é comum com médicos, ou só por um plantao... Em ambos os casos, é um salário nao muito bom, mas razoável. Dá mais de 10.000 LÍQUIDOS por 40hs. Um professor doutor de universidade federal sem DE nao ganha isso. Com doutorado... 

 
 
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Renato Teixeira

Querida, meu pai trabalhava 40 hr semanais. Cumpria horario. Concurso aberto na cidade de SP, neste mês, R$1.750,00 para médico, 20hr. Conheçam a realidade, o Brasil real, sem esse marketing de interesse de ocasião. 

 
 
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Anarquista Lúcida

Esse salário, se é real mesmo, os médicos terao toda a razao de nao aceitar. Mas nao é esse salário que eles estao pedindo para a "carreira de estado" que reivindicam. 

 
 
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janes salete

A gente aceita a troca: vocês ai da foto vão para o exterior e a gente abre  espaço para a vinda dos médicos cubanos, ingleses, espanhóis, alemães, chineses, irarianos, russos, americanos com vontade e dignidade para salvar vidas. Enquanto nossos mediquinhos tupinicas(tipo esses ai da foto) só agirem como mercenários, não tem como apoiá-lo. É ou não vergonhoso constatar a mesquinharia desses “profissionais” tupinicas?

 

 
 

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