Michael Moore e a falência da cidade de Detroit

Sugerido por Assis Ribeiro

Do Terra Magazine

O documentário “Roger and Me” e as falências das cidades de Flint e Detroit

André Setaro

O Professor Jorge Vital de Brito Moreira, de Wisconsin, apesar de lecionar por muitos anos nos Estados Unidos, é baiano da Ilha de Maré. Enviou-me o texto que vai abaixo, e que resolvi publicá-lo aqui mesmo no meu blog do Terra Magazine, pela atualidade de seu relato e, também e principalmente, por se referir ao filme Roger and Me, do polêmico documentarista Michael Moore. Moreira se graduou em Ciências Sociais na Universidade Federal da Bahia e depois em Literatura nos EUA onde recebeu o título de Doutor (Ph.d) com uma tese elogiada sobre o grande escritor Antonio Callado.

Roger and Me (1989), o primeiro filme documentário de longa metragem do diretor Michael Moore,  mostra o próprio diretor Moore lutando para entrevistar a Roger Smith, o presidente da General Motors: o homem responsável pelo fechamento de onze fabricas de carros na cidade de Flint, Michigan, que deixou 30.000 pessoas sem trabalho e grandes partes da cidade em ruinas.

Roger and Me exibe uma história que se organiza  na forma de uma viagem (ou viagens) de “um cavaleiro andante” (o diretor, Michael Moore) em busca de conquistar uma meta ou um objetivo: convencer a Roger Smith a visitar a cidade de Flint para ver o resultado da sua decisão de fechar as fabricas de carros. Durante o percurso, o diretor encontra uma série de obstáculos que tratará de vencer para conseguir seu objetivo.

Nas viagens de Moore através de Roger and Me, o diretor não só denuncia as terríveis consequências da política destruidora das multinacionais automobilísticas para as  cidades como Flint,  como também antecipa, com grande clarividência e precisão,  o que hoje é a mais completa realidade: o colapso, a falência e a destruição de um crescente numero de cidades dos EUA, em particular a cidade de Detroit, como Flint, no estado de Michigan.

O atual e surpreendente pedido de falência da cidade de Detroit (que já foi o símbolo e o centro mundial da indústria automobilística) é mais um exemplo desta terrível realidade  que espera  os estadunidenses  dentro do neoliberalismo.

O documentário de Moore, de alguma maneira, me lembrou que nos antigos filmes de cowboy (Western) que assistia quando menino, era frequente presenciar uma narrativa ficcional onde o herói, montado a cavalo, fazia uma viagem para conquistar uma meta: expulsar os inimigos (os bandidos) de uma cidade sitiada. E como podíamos antecipar naquele tempo, os pistoleiros bandidos eram expulsos da região ou da cidade pelo bom pistoleiro (o herói, o artista ou o mocinho). A regra geral era que no final do filme (happy ending) o expectador saísse radiante da sala de cinema convencido de que o bem vence o mal, o certo vence o errado, a legalidade vence a ilegalidade e a justiça vence a injustiça. Naqueles filmes, os bandidos sempre eram derrotados pelo pistoleiro solitário, o verdadeiro herói dos filmes de cowboy (caubói).

Apesar das semelhanças, nos modernos filmes do diretor Michael Moore que tenho assistido, a existência real de indivíduos reais mostrada na tela do cinema, contradiz completamente a nossa antiga e acostumada  ficção  cinematográfica feita de ideologia,  desejo e  consolo emocional. “O bem vence a mal” tinha/tem sido, por longíssimo tempo, o ideologema fundamental da nossa velha ficção (tanto dos filmes de cowboys como das comedias românticas); porém nos  atuais documentários de Michael Moore a oposição “bondade/ maldade realiza um papel diferente e contrário: os bandidos reais estão no poder,  controlam a cidade (ou a região) porém os bons mocinhos (os bons pistoleiros de antigamente) e os injustiçados permanecem impotentes para expulsa-los ou mudar a precária situação existencial dos habitantes do local.

Assim, o primeiro filme de Michael Moore estabelece uma regra geral que será observada nos  documentários posteriores: as entrevistas de Moore são realizadas predominantemente nos dois lados da luta de classes – entre os membros da classe dominante e entre as vitimas  do sistema neoliberal. Assim, Roger and Me mostra brilhantemente como a poderosa classe dominante dos EUA (proprietária dos meios de produção capitalista) é a principal responsável pelo colapso, decadência e destruição da cidade de Flint (a cidade natal de Moore) que foi arruinada pelos patrões da indústria automobilística. Em poucas palavras, ao contrario dos filmes dos contos de fadas ou dos filmes de cowboy, nos filmes de Moore, os bandidos (ou vilões) continuam no poder repetindo as mesmas barbaridades de sempre e não passa nada.

O documentário Roger and Me recebeu entre 1989 e 1990, 11 prêmios de cinema. Estas premiações transformaram o jovem diretor num personagem famoso: Michael Moore passou a ser reconhecido como um notável diretor de cinema e como um  crítico feroz  da visão neoliberal da globalização capitalista. Pessoalmente, eu acreditava que Michael Moore estava recebendo um reconhecimento merecido pois Roger and Me mostrava (de modo contundente e irrefutável) a miserável condição de vida da população da cidade de Flint no  capitalismo neoliberal, depois que a General Motors fechou suas fábricas ali e abriu novas fábricas no México, onde a mão de obra era mais barata.

Apesar da conquista dos prêmios pelo documentário e um amplo reconhecimento, sigo pensando que  o filmeRoger and Me ainda não recebeu  todo o reconhecimento que realmente merece. Darei em seguida algumas informações e alguns dados que servirão como base e referencia aos meus comentários sobre o filme. Roger and Me e a atual  falência da cidade de Detroit.

“O pedido de falência desencadeou o que poderia ser uma prolongada batalha legal contra milhares de empregados atuais e antigos da cidade que tem direito a pensões e benefícios médicos. O Governador de Michigan colocou o destino da cidade nas mãos de um “Gerente de Emergência”: um funcionário não eleito que disse que o corte das pensões dos trabalhadores será de vital importância para solucionar o problema financeiro da cidade.”“Ainda que a cidade de Detroit apresente o maior caso de falência municipal da história dos EUA, não é um caso único nem isolado. Segundo o economista e professor Richard Wolff: "A falência de Detroit é um exemplo do fracasso de um sistema econômico" (“Detroit’s bankruptcy is an example of a failed economic system”).”

O prof. Wolff  afirma que “Há tantas outras cidades nos EUA na condição de Detroit, que se os tribunais decidirem que é legal retirar a pensão que foi prometida e pagar a esses trabalhadores, estamos diante do [a legalização] roubo. Esta é uma luta de classes clara, da redistribuição da renda a partir da base para o topo.”

Dado as informações acima,  regressarei  a Roger and Me para destacar algumas das notáveis virtualidades do documentário pois o modo novo e dinâmico que Michael Moore encontrou para trabalhar a relação forma/conteúdo é umas das características que atraiu bastante a minha atenção para ele . Ainda que o documentário trate de apresentar a historia objetiva da desgraça que se abateu sobre a cidade de Flint, ela é mostrada, no inicio, na forma de uma autobiografia familiar que se amplifica até se transformar numa espécie de historia da cidade. Aqui a relação objetividade/subjetividade é expressa através de entrevistas que tem a perspectiva e a narração do diretor. Assim, logo no inicio do filme, Moore apresenta a si mesmo e sua família por meio dos interessantes filmes caseiros de oito milímetros que se encontravam arquivados. Durante a mostra destes filmes, Moore se define como "uma espécie de criança estranha",  descendente de Irlandeses; um católico de classe média, filho de um empregado de montagem das AC velas de ignição da General Motors (GM).

Moore também destaca  a importância da GM  para a antiga alta taxa de emprego da população da cidade reconhecendo que  esta multinacional era o centro econômico e social fundamental da cidade de Flint. Nesta etapa, o filme também  ressalta que foi na cidade de Flint onde ocorreu a greve de Flint Sit-Down, resultando no nascimento da United Auto Workers Union.

Em seguida  Moore revela que de jovem seus heróis eram os filhos nativos de Flint que haviam escapado da vida de empregado das fábricas da GM como os membros da banda de rock “Grand Funk Railroad” entre outros e que seu sonho era evitar a triste tradição da vida familiar e da maioria das pessoas de Flint: o trabalho  nas fábricas de automóveis. Depois de morar e trabalhar em Califórnia, ele retorna a sua cidade natal. Quando chega,  a General Motors anuncia as demissões de milhares de trabalhadores da indústria automobilística pois a planta da multinacional está mudando-se para o México onde obterá  trabalho mais barato. A GM faz este anúncio, mesmo que a empresa (de acordo a Moore) esteja tendo lucros recordes.

Não continuarei descrevendo o filme mas aproveitarei a oportunidade  para listar algumas das sequencias de cenas de situações que, na minha opinião, fazem do documentário Roger and Me, um trabalho original, didático e divertido. 

Para tratar de conseguir entrevistar pessoalmente o presidente da GM Roger B. Smith e confronta-lo a respeito do fechamento das fábricas de automóveis de Flint,  Moore mostra:

-          O impacto emocional dos fechamentos de fábricas nos amigos e trabalhadores da GM em Flint nas suas próprias palavras.

-          A exibição das entrevistas com artistas e celebridades como Pat Boone, Ronald Reagan, expondo a sua demagogia e os seus inúteis conselhos para resolver o desemprego na cidade.

-          O trabalho do xerife-adjunto Fred Ross (ex-trabalhador da GM) realizando os despejos das famílias que não conseguem pagar o aluguel ou as hipotecas de suas casas ou apartamentos.

-          A procura de Roger Smith na sede da GM em Detroit, no Grosse Pointe Yacht Club e no Detroit Athletic Club, sendo sempre bloqueado por funcionários e seguranças do presidente.

-          A ridícula  presença do pastor estadunidense, Robert Schuller, que foi pago pelo prefeito  para pregar  esperança  e consolo aos desempregados da cidade.

-          Os disfarces que tem de adotar: como um jornalista de TV ora como acionista da GM.

Vemos também no documentário, uma inteligente montagem dos escombros urbanos da decadência de Flint, intercalados com as manchetes de jornal sobre as crescentes demissões e sobre os moradores que teem que abandonar a cidade, além de nos apresentar uma notável reportagem que informa que a população de ratos da cidade já ultrapassaram a população humana.

Moore também dirige sua câmera para entrevistar os moradores (dos subúrbios mais afluentes) que exibem atitudes classistas e estúpidas sobre as dificuldades econômicas da cidade. Num campo de golfe, uma senhora rica, responde que o desemprego na cidade  é  culpa dos trabalhadores: “essa gente não quer trabalhar”.

O presidente Ronald Reagan visita a cidade e durante uma reunião num restaurante sugere que os ex trabalhadores da indústria automobilística abandonem a cidade e busquem encontrar  um novo emprego noutro lugar. Ironicamente, enquanto Reagan estava reunido, o dinheiro do restaurante foi roubado da caixa registradora  por um operário desempregado.

Moore com sua câmara faz entrevistas com os moradores de Flint, que estão sofrendo as piores consequências econômicas das demissões  e mostra  a uma jovem mulher que para sobreviver vende coelhos como animais de estimação e carne para comer. Neste ponto,  a jovem mata um coelho batendo  com um tubo de chumbo na cabeça do animal frente da câmera.

Enquanto o filme avança, a taxa de criminalidade (com tiroteios e assassinatos) vai se tornando lugar comum na cidade de Flint. O crime torna-se tão comum que, quando o programa do canal de TV, ABC News, “Nightline”, tenta fazer uma reportagem ao vivo sobre o fechamento das fábricas, alguém rouba a caminhoneta (Van) da rede de TV (junto aos cabos)  e o canal é forçado a parar a transmissão. Viver em Flint torna-se tão desesperador, que a revista Money nomeia a cidade como o pior lugar para se viver na América. Os moradores reagem com indignação e num palco realizam um comício onde edições da revista são queimadas.

No clímax do filme, o diretor Michael Moore finalmente confronta, numa breve entrevista, ao presidente da GM, Roger Smith, logo depois que ele acabou de ler uma mensagem anual do Natal de 1988. Abordando-o a uma certa distância (pois dois guarda-costas o impedem de se aproximar de Mister Smith), Moore solicita que o presidente Smith visite a cidade de Flint para ver a situação das famílias dos trabalhadores da GM que estão sendo despejados  de suas casas um dia antes do Natal

Como podíamos esperar, Roger B. Smith recusa o convite e diz que sente muito pela situação dessas pessoas, mas que ele não tem nada a ver com isso. Smith continua mentindo ao dizer que ele tem certeza que a General Motors não vai expulsar os trabalhadores de suas casas.

Abatido pela frustação e  pelo fracasso de não ter podido trazer Roger Smith  para ver a favela dominada pelo crime que Flint  se tornou, Moore proclama: "à medida que o final do século 20 se aproxima, os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres  … e isto é realmente o início de uma nova era." Após os créditos finais, o filme Roger and Me mostra a mensagem: "Este filme não pode ser exibido dentro da cidade de Flint porque  todos os cinemas foram fechados."

Pé de Páginas.A mídia coorporativa de EUA (New York Times, Washington Post, Miami  Herald, Chicago,  Fox, CBS, NBS) é tendenciosa e prefere noticiar escandalosamente as catástrofes naturais pois as enchentes, os furações e os ciclones permitem culpar a natureza pelos danos causados.A mesma mídia coorporativa evita (ou se nega a) dar informações detalhadas sobre as catástrofes humanas, pois elas são direta (ou indiretamente) produzidas pelo sistema capitalista e por sua classe dirigente, e, consequentemente este tipo de noticias  permite que leitor estabeleça a responsabilidade do governo neoliberal  nas catástrofes sociais.  É por essa razão que a mídia coorporativa procura evitar ou esconder  as notícias sobre a gigantesca falência da cidade de Detroit. Ou quando publica as noticias, ela se posiciona desde o ponto de vista de  um jornalista (ou repórter) que pertence a classe média ou média alta ou que está profundamente ligado a classe dominante e aos seus interesses.É difícil ler as informações sobre a falência de Detroit nos principais jornais ou nos canais de TV dos EUA..É surpreendente observar que quando a mídia menciona a falência da cidade de Detroit é para culpar os trabalhadores, o socialismo e o comunismo.E quando algum analista desta mídia se refere a Michael Moore ao documentário Roger and Me é simplesmente para demonizar ou difamar seu diretor.

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10 comentários
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Marcelo Nascimento

Isso que aconteceu em Detroit foi um exemplo de grande escala o que ocorre em cidades pequenas.

Fecha uma fabrica de 3 mil funcionarios e a cidade de repente vira cinzas ... Jah escutei muitas nao soh no Brasil como no exterior.

Em Sao Jose dos Campos, por exemplo, quando a Embraer foi privatizada, o numero de funcionarios caiu de 15000 para 3 mil funcionarios. A cidade teve uma queda brusca e muitos imoveis foram postos a venda. Atualmente ela tem 15 mil funcionarios mas nada garante que em 5, 10 anos a Embraer entre em falencia, jah que essa industria eh altamente volatil (veja casos da Fokker, Mc Donald Douglas, etc).

Muitos bairros de Nova York por exemplo mudaram nos anos 50 quando empresas se mudaram. Hoje esses mesmos bairros industriais viraram bairros residenciais e tem ateh uma linha trem que foi desativada e virou parque.

O que aconteceu em Detroit, eu acho que nao tem jeito de recuperar, mas uma cidade eh sempre dinamica.

 
 
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RUY SIPRIANO DE CASTRO FIGUEIRA

NOBRE JORNALISTA.EXCELENTE ARTIGO.GOSTARIA QUE VOLTASSE A EXPLORAR OS CONSÓRCIOS MUNICIPAIS DE SAÚDE.JÁ LI EXCELENTE ARTIGO SEU SOBRE O ASSUNTO PUBLICADO HÁ ANOS NA FOLHA DE SÃO PAULO.REPITA-O, PELO MENOS, UMA VEZ POR MÊS.CALOROSOS ABRAÇOS.RUY

 
 
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jns

Uma das maiores cidades da América está sofrendo uma morte horrível

“A tragédia econômica que Detroit está enfrentando será alastrada para todo o país em breve. Detroit só chegou lá primeiro.”

The Economic Collapse Blog | Michael Snyder | 20 Julho 2013

Detroit - Photo by Bob Jagendorf

A cidade de Detroit, metrópole habitada por 1,8 milhões de pessoas, teve a maior renda per capita nos Estados Unidos. 

Agora é um podre e decadente buraco de cerca de 700 mil pessoas que é alvo das piadas do resto do mundo.

Mas uma coisa é certa; a cidade de Detroit está falida. 

Uma das maiores cidades na história do mundo tornou-se apenas uma casca da sua imponência e magnitude econômica do passado. 

A falida metrópole acumulou muito reveses administrativos que contribuíram para a sua queda vertiginosa, destacando-se, entre eles:

1) Deve dinheiro a mais de 100.000 credores

2) Possui 20 bilhões de dólares em dívida e passivo a descoberto, representando mais de US $ 25.000 por habitante.

3) Em 1960, teve a renda per capita mais alta em todo o país.

4) Em 1950, havia cerca de 296 mil empregos na indústria e hoje, há menos de 27 mil.

5) Entre dezembro de 2000 e dezembro de 2012, 48 por cento dos empregos na indústria, no estado de Michigan foram perdidos.

6) Há muitas casas disponíveis para venda em Detroit por US $ 500 ou menos.

7) Neste momento, existem cerca de 78 mil casas abandonadas na cidade.

8) A terça parte dos 140 quilômetros quadrados da área de do município está vaga ou abandonada.

9) Um índice surpreendente de 47%  dos moradores da cidade são analfabetos funcionais.

10) Menos das metade dos moradores com mais de 16 anos de idade estão trabalhando formalmente neste momento.

11) Mais de 60% das crianças estão vivendo na pobreza.

12) Detroit foi a quarta maior cidade dos Estados Unidos, mas nos últimos 60 anos, a população caiu 63%.

13) Depende, fortemente, das receitas fiscais que aufere dos cassinos que ainda resistiram ao colapso e recebe cerca de 11 milhões de dólares por mês em receita tributária das casa de jogos.

14) Existem 70 locais contaminados (Superfund sites) com resíduos perigosos em Detroit.

15) Mais de 40% das luzes das ruas não funcionam.

16) Apenas cerca de um terço das ambulâncias estão em uso.

17) Algumas ambulâncias têm sido usadas há tanto tempo que ultrapassaram mais de 250 mil milhas rodadas.

18)  Dois terços dos parques na cidade foram permanentemente fechados desde 2008.

19) O tamanho da força policial foi reduzido em cerca de 40% na última década.

20) A polícia leva,  na média, 58 minutos para responder as chamadas.

21) Devido aos cortes no orçamento, a maioria das delegacias de polícia estão agora fechadas ao público por 16 horas por dia.

22) A taxa de crimes violentos em Detroit é cinco veze maior do que a média nacional.

23) A taxa de homicídios é  11 vezes maior do que em New York City.

24) Hoje, a polícia soluciona menos de 10%  dos crimes que são cometidos em Detroit.

25) A criminalidade está tão elevada que a própria polícia está alertando às pessoas para ‘entrar em Detroit assumindo a sua responsabilidade pelo risco’.

É fácil apontar o dedo para as causas da situação trágica de Detroit, mas a verdade é que o resto da América está indo pelo mesmo caminho e, em todo o país, existem centenas de governos estaduais e locais que também estão à beira da ruína financeira.

O economista Eric Scorsone, da Michigan State University, assegura que "Detroit não é única: Chicago, Nova York , San Diego e San Jose estão na mesma situação que é detectada em outras grandes cidades do país. A situação pode não ser tão extrema como a de Detroit, mas muitas das cidades enfrentam os mesmos problemas".

Detroit só chegou lá primeiro.

 
 
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Leandro_O

Detropia:

http://www.documentaryedge.org.nz/2013/ak/film/detropia

A Síndrome de Detroit é inerente ao capitalismo irresponsável:

GM planeja saída gradual da Coreia do Sul por custoPlano da montadora norte-americana, que parece já ter sido colocado em prática com recentes decisões, ressalta reclamações de montadoras sobre custos salariais

Seul - A General Motors começou a reduzir gradualmente sua presença na Coreia do Sul depois que crescentes custos trabalhistas e sindicalismo militante fizeram a companhia repensar sua dependência do país para um quinto de sua produção mundial, disseram três fontes com conhecimento da estratégia.

O plano da montadora norte-americana, que parece já ter sido colocado em prática com recentes decisões de mudança de produção de modelos mais recentes para fora da Coreia do Sul, ressalta reclamações de montadoras locais e estrangeiras sobre custos salariais rapidamente crescentes no sétimo maior exportador do mundo.

http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/gm-planeja-saida-gradual-da-coreia-do-sul-por-custo

 
 
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Marcelo F. Campos

O Partido Democrata faliu Detroit


O que todos os prefeitos de Detroit desde 1962 têm em comum? Jerome Cavanagh, Roman Gribbs, Coleman Young, Dennis Archer, Kwame Kilpatrick, Kenneth Cockrel, Jr. e o atual Dave Bing são todos do mesmo partido que, depois de 51 anos seguidos, conseguiu falir um dos ícones da história americana.

Em 1960, Detroit tinha a mais alta renda per capita do país e hoje tem a mais baixa. Repetindo: até a última administração republicana, Detroit tinha a mais alta renda per capita dos EUA e, depois de meio século de feitiçarias de esquerda, tem a mais baixa. Tente discutir com esse dado ou culpar o capitalismo por isso.

A falência de Detroit está longe de ser surpresa para qualquer analista atento e honesto, mas é emblemática. A bancarrota da “motor city” coloca mais fogo no debate que quer a comparação direta entre os resultados obtidos pelos modelos oferecidos pelos dois grandes partidos do país. Estes modelos são aplicados também nos dois maiores estados dos EUA, o socialista na Califórnia e o de livre mercado no Texas, como num enorme teste de laboratório. E esta comparação não é apenas um debate econômico, é a versão revista e atualizada da Guerra Fria, só que agora em pleno território americano.

Não se deixe enganar: antes de avaliar a situação da economia americana atual, separe primeiro os estados “azuis” (democratas) e “vermelhos” (republicanos) e veja o que está dando certo e o que não está. Ver Barack Obama se vangloriar de dados da economia inflados pelos resultados dos estados “vermelhos” como o Texas, administrado por republicanos desde 1995 e que gerou 1/3 dos novos empregos do país na última década, é simplesmente ultrajante.

A maior cidade do Michigan foi enviada sem escalas para níveis de pobreza raros no mundo ocidental, o que pode ser comprovado em números divulgados recentemente pelo The Wall Street Journal:

- 47% dos adultos da cidade são considerados analfabetos funcionais (contra 20% da média do país)

- Apenas um terço das ambulâncias está em condições de sair da garagem

- 40% dos postes de luz das ruas estão apagados

- O tempo médio de resposta de um policial a um chamada ao 911 é de 58 minutos (média nacional: 11 minutos)

- Um terço das edificações da cidade está abandonado (78 mil prédios fantasmas)

- 210 dos 317 parques públicos estão fechados.

- 2/3 da população deixou a cidade desde os anos 60

- Menos de 5% dos carros do país são montados hoje na cidade

A cidade, onde as armas legais foram praticamente banidas como manda o manual esquerdista, é tão violenta que é impossível andar com segurança pelas ruas, você é logo aconselhado a pegar táxi. As escolas estão entre as piores do país, os serviços públicos mais básicos são negligenciados e tudo que envolve a prefeitura, como a licença para abrir um novo negócio, é um inferno burocrático terceiro-mundista, típico de qualquer lugar administrado por socialistas. Como definiu o jornal britânico “The Telegraph”, uma cidade assassinada por mau-caratismo e estupidez”.

Em Detroit, os prefeitos gastavam dinheiro público como “drunk sailors” e mergulhavam a administração municipal em escândalos de corrupção, subornos e clientelismo diretamente associados à expansão do governo. Kwame Kilpatrick, prefeito de 2002 a 2008, chegou a ser preso depois de condenado na justiça por mais de 25 crimes ligados à sua gestão.

Os sindicatos tiraram completamente a competitividade da cidade, mergulhando a economia local no caos. Enquanto torpedeavam qualquer tentativa da indústria automobilística de se modernizar, outras cidades atraíam as novas plantas e os empregos fugiram, assim como os investimentos. E o declínio da indústria da cidade era respondido pelos sindicatos com mais greves que exigiam ainda mais aumentos, proteções, regulações e subsídios, tudo com apoio explícito dos prefeitos democratas.

Hoje 15.000 metalúrgicos da ativa contribuem para fundos que pagam a aposentadoria de 22.000 pensionistas, com um déficit anual estimado de US$ 5,5 bilhões. Os EUA continuam fazendo bons carros, como o melhor SUV do mundo (eleito pela revista Motor Trend), o Mercedes-Benz Classe GL, só que agora ele é montado no Alabama. Parabéns, sindicatos!

No vizinho Wisconsin, o governador republicano Scott Walker resolveu enfrentar os poderosos sindicatos e chegou a ter seu mandato colocado em risco num “recall” ano passado, em que foi reeleito e agora promove uma verdadeira revolução no estado. Mas o futuro de Detroit ainda é incerto porque, evidentemente, você nunca vai ouvir a esquerda dizendo que errou.

Se existe algo certo na vida é o resultado de meio século de socialismo em qualquer lugar, mesmo no país mais rico do mundo. O Partido Democrata e os sindicatos faliram Detroit.

Que sirva ao menos de lição.

ALEXANDRE BORGES  

 
 
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Gui Oliveira

E na ganância, não vai nada?

 

Gui Oliveira

 
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prsnunes

"meio século de feitiçarias de esquerda..."

tá zuando, né? quer colocar a culpa pelo que aconteceu em detroit na esquerda e a confunde com o partido democrata? só rindo mesmo...

 
 
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Marco St.

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

O A.A não veio mas mandou um "quase" representante.

Chamar o partido Democrata de "esquerdista" nem mesmo o A.A cometeria tal insanidade. Como o texto é de um americano e para muitos dos americanos o termo "sindicato" é um palavrão comunista, a gente até desconsidera.

Mas o texto é divertido.

 

"Que tempos são estes, em que é necessário defender o óbvio?" Bertolt Brecht

 
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Marco St.

Chicago é a próxima da lista.

http://blogs.the-american-interest.com/wrm/2013/07/30/detroit-is-that-yo...

 

"Que tempos são estes, em que é necessário defender o óbvio?" Bertolt Brecht

 
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Zé das Couves

Daqui a pouco aparece o Tolerância Liberal para esclarecer que a clpa é dos sindicatos e dos trabalhadores com seus benefícios "excessivos".

 
 

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