Documentário: Sound City

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  •   Dave Grohl defende o elemento humano na música em "Sound City"
  • O diretor Dave Grohl toca guitarra durante as filmagens de "Sound City", documentário lançado em 2013 nos Estados Unidos e uma das atrações do festival da 18ª edição do festival "É Tudo Verdade"

    O diretor Dave Grohl toca guitarra durante as filmagens de "Sound City", documentário lançado em 2013 nos Estados Unidos e uma das atrações do festival da 18ª edição do festival "É Tudo Verdade"

Preservar o elemento humano em meio a um mundo cada vez mais voltado para os meios digitais é a principal mensagem de "Sound City", documentário produzido pelo músico Dave Grohl a respeito do aclamado estúdio homônimo, localizado nas proximidades de Los Angeles, nos Estados Unidos. O longa é uma das principais atrações da versão brasileira do festival "É Tudo Verdade", que chega à 18ª edição. A programação, voltada para a exibição de documentários nacionais e estrangeiros, será mostrada nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

A ideia do longa surgiu quando o estúdio precisou fechar as portas em 2011. Grohl, que gravou o disco "Nevermind" ao lado do parceiros do Nirvana naquele lugar, resolveu fazer um documentário sobre a história do objeto mais estimado: a mesa de gravação analógica Neve 8028.

O artefato é descrito pelo roqueiro canadense Neil Young como se fosse a nave Enterprise, de "Jornada nas Estrelas", mas aprimorada com esteroides. No longa, Dave Grohl chega a mostrar um comprovante de compra com o preço absurdo pago pelos proprietários do estúdio pela mesa: US$ 76 mil, o suficiente para comprar duas casas na década de 1970 nos EUA. Há somente outras três mesas iguais no mundo inteiro, todas obras-primas do engenheiro Rubert Neve, que também dá seu depoimento no longa.

AmpliarSound City (2013)9 fotos6 / 9O produtor e engenheiro de som Keith Olsen, uma das principais figuras do estúdio Sound City durante as décadas de 1970 e 1980. Ele deixou os parceiros Gottfried e Skeeter para abrir seu próprio estúdio, que tinha um espírito diferente daquele que é celebrado no documentário Divulgação

A parceria entre Tom Skeeter e Joe Gottfried, proprietários do estúdio, foi o impulso para a era de ouro do estúdio, quando artistas como Neil Young e Fleetwood Mac e Rick Springfield gravaram discos de sucesso no local, que seguiu a ser procurado ao longo dos anos por conta da mística sobre a qualidade dos álbuns gravados ali.

Esse sentimento de "local sagrado" é reforçado durante as quase duas horas de documentário. A misteriosa sala de gravação de bateria, capaz de proporcionar um som ótimo para o instrumento ainda que sua configuração não seja a ideal segundo os especialistas, é um exemplo da "mágica" do lugar.

A sujeira, pequenos defeitos de gravação e os improvisos são todos estimados pelo elenco extenso de artistas consultados durante o longa, representantes de vertentes distintas do rock como o nu-metal do Slipknot até o rock clássico de Tom Petty and The Heartbreakers.

Quem se baseia somente no trailer do documentário pode ser levado a pensar que o filme finca o pé apenas na defesa da música captada de forma analógica, crua, sem auxílio de computadores. Este é o discurso que Dave Grohl mantém no filme inteiro, sempre buscando o elemento humano que considera primordial para manter o espírito do rock e da música em geral vivo.

Entre os "inimigos" desse ideal estão tecnologias como o CD e sintetizadores, mas o mais citado é um programa de computador conhecido como ProTools. Seu impacto na indústria fonográfica foi grande a partir do início do século 21, mas o seu papel "maligno" é minimizado pela voz mais adulta do filme no que diz respeito à aceitação da tecnologia como ferramenta inevitável na música atual: Trent Reznor, vocalista e principal nome do Nine Inch Nails.

O músico afirma que o meio digital pode servir para produzir sons de qualidade, mas que talento do artista para explorar a ferramenta ao máximo é indispensável.

Entre os pontos altos do longa estão as gravações na parte final do filme, quando Grohl rouba o "artefato de ouro" e o leva para seu estúdio particular, o Studio 606, com o objetivo de gravar um disco para celebrar o antigo estúdio: "Sound City: Real to Reel".

Entre as jams sessions mais marcantes está a reunião histórica de Dave Grohl com os ex-parceiros de Nirvana, o baixista Krist Novoselic e o guitarrista Pat Smear. Para substituir Kurt Cobain, um nome à altura: Paul McCartney. Outro ótimo momento é a interação entre Trent Reznor, Grohl e Josh Homme, vocalista do Queens of the Stone Age ao gravarem a faixa "Mantra".

O filme será lançado em DVD que contém uma cópia do CD resultante do esforço de Grohl para celebrar o espírito analógico. Mas se a tradição é algo a ser celebrado durante a exibição de "Sound City", talvez faça mais sentido aos fãs de música conferirem o longa em uma tela grande de cinema, tão antiga quanto uma máquina de escrever ou uma mesa Neve, e cuja mágica é proporcionada pela ação de um humano.

http://guia.uol.com.br/sao-paulo/cinema/noticias/2013/04/05/dave-grohl-defende-o-elemento-humano-na-musica-em-sound-city.htm

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