Herdeira do Lulismo

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As eleições presidenciais de 2014 refletem, mais uma vez, a importância que o Partido dos Trabalhadores tem para a democracia brasileira.

Seis dos onze candidatos que disputam o pleito deste ano já estiveram no PT (Marina, Luciana Genro, Eduardo Jorge, Zé Maria, Mauro Iasi e Rui Costa, além de Dilma).

Nesta eleição, pela primeira vez, as duas candidaturas na frente nas pesquisas eleitorais têm suas origens políticas no PT, deixando o principal partido da oposição (PSDB) fora da disputa do 2º turno. Na última pesquisa IBOPE, as intenções de voto na petista Dilma Rousseff e na ex-petista Marina Silva juntas alcançam 70%.

Marina é, hoje, a principal opositora de Dilma com chances reais de apear do poder a coalisão liderada pelo PT por mais de uma década, da qual ela fez parte até 2009.

Eleita Senadora pelo Acre em 1998, Marina Silva ganhou destaque nacional por liderar no Senado a oposição ao governo FHC. Em 2002, quando o PT chegou ao Governo, Marina era considerada uma unanimidade no partido tanto que foi a primeira ministra anunciada por Lula.

Mais adiante, as divergências políticas de Marina com Dilma, então Chefe da Casa Civil, assim como o desejo dela em disputar a sucessão de Lula levaram a senadora a se afastar do governo e sair do PT.

Em 2010, na primeira disputa entre as candidatas, Dilma foi apresentada por Lula como a sua legítima sucessora. Estreante em eleições, Dilma saiu de ilustre desconhecida para o primeiro lugar nas pesquisas e foi confirmada Presidente da República pelas urnas.

Menos afeta aos holofotes da mídia que seu antecessor, a Presidenta teve uma presença mais discreta nos noticiários até junho de 2013 quando eclodiram amplas manifestações populares tomaram as ruas do país.

Com o desempenho insatisfatório da economia, somado às denúncias de corrupção na Petrobrás, ao julgamento do mensalão pelo STF e à oposição sistemática dos grandes meios de comunicação ao seu governo, Dilma viu esvair sua popularidade colocando em risco a continuidade do seu governo.

Com a polarização das eleições, Marina vem se apresentado ao eleitor como a melhor herdeira do lulismo do que Dilma.

Para o cientista político André Singer, o lulismo é uma via de modernização conservadora em que o modelo de mudança social acontece pela alavancagem dos mais pobres, sem que isso implique na ruptura com os setores reacionários e tampouco com a atual ordem dos interesses financeiros.

Neste sentido, as posições de Marina realmente flertam muito mais com o lulismo em contraponto a Dilma, que adotou políticas mais intervencionistas na economia, enfretamento os interesses predatórios do capital financeiro.

Entretanto, a grande questão suscitada sobre o lulismo é se ele pode ser uma estratégia política eficiente sem o aval do seu patrono.

Muitos analistas afirmam que os herdeiros do lulismo podem até vencer eleições, mas dificilmente conseguiriam repetir o desempenho do presidente operário, pois a “grande personalidade” de Lula e lastro de poder no parlamento e na sociedade assegurado a ele em parte pela força do Partido dos Trabalhadores não se repetirá igualmente com outro líder.

Por isso, nesta eleição pode até ser que Marina Silva seja a melhor herdeira do lulismo, mas ela provavelmente será um “Lula sem saias”, ou seja, uma líder carismática, mas sem força social e parlamentar própria e com pouca capacidade de modernizar o Brasil, sobrando-lhe apenas o conservadorismo. 

 

 

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