A argumentação do Luiz

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Alessandro Guimarães Pereira

A argumentação do Luiz Werneck é sempre muito consistente, mas acho que ele se equivoca ao fazer um contraponto dos "impulsos medernizadores" vindos de São Paulo com forças que representam o "atraso político e social". A meu ver não há uma geografia política bem definida que acompanhe o retrato econômico. Não significa que São Paulo, por ter o maior PIB, represente hoje (até por decorrência da lide entre PT e PSDB) o moderno na política. Tanto que para sustentar o contraponto o autor pega exemplos gritantes, como dos Sarney ou do Jefferson. E poderia usar tantos outros, como do Jader e do Bornhausen. A questão é que ficou simplista demais evocar as dicotomia entre o moderno e o atraso, entre o empresarial e o oligárquico. Puxar São Paulo de um lado e os "outros" de outro lado não parece explicar com força o que realmente está se construindo na democracia brasileira. Bastava, por exemplo, ele direcionar o olhar um pouco além, como por exemplo para o Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro ou Minas Gerais que ele perceberia que sua lógica argumentativa retrata apenas parte - e não o todo - do jogo político em construção.