Crise européia, mecanismos econômicos e crise política

Por Waldyr Kopezky

Re: G8 e a saída para a crise na Europa

Sobre crise mundial, default de nações e a Grécia ameaçando cair fora da UE

Gente, essa história de fracasso da União Européia é absurdo...poucos foram responsáveis (agentes privados), muitos os prejudicados (cidadãos) e cobra-se hoje austeridade/contrição aos que estenderam a mão, buscaram ajudar/emprestar e carregam o peso da gestão pública no atendimento às demandas das sociedades, os Estados nacionais - que ainda foram responsáveis por absorver o "rombo" financeiro da crise gerada só por alguns. E estes ainda lucram nas duas pontas do processo de gestão da crise financeira. Vamos rememorar, porque o noticiário é tão distorcido que só é possível entender recapitulando:

1. A crise de 2008 nasceu no sistema financeiro privado. Ponto.

2. Para evitar que instituições bancárias entrassem em default (coisa que elas mesmas passaram a gritar aos quatro ventos, à época), os Bancos Centrais das nações em todo o mundo reagiram de forma quase idêntica - cobriram o rombo com dinheiro público (desfalcando o orçamento governamental) e "estatizaram" a dívida sem exigir contrapartidas de redistribuição desses valores disponibilizados (que tinham a evidente intenção de ser a liquidez que garantisse o crédito dos bancos privados à população, que assim poderiam refinanciar as dívidas dos seus clientes e garantir  a normalidade da economia nacional). Tais empréstimos estataís foram, aliás, financiados "generosamente" para os bancos a juros de 1% ou menos ao ano. "Era ajuda, então vamos ajudar", devem ter pensado os governantes, inocentemente.

....

3. Já os bancos, livres de quaisquer compromissos (novamente saudáveis pela injeção da liquidez estatal), surpreendentemente não refinanciaram seus clientes inadimplentes - estes prejudicados pelo superdimensionamento das próprias instituições bancárias na avaliação dos empenhos hipotecários que alavancavam a liberação desregrada de empréstimos, no período "gordo" de liquidez (que gerou a "bolha" de crédito). Pelo contrário: executaram quase todo mundo, negando o dinheiro estatal disponibilizado ao setor privado para esse fim e ainda tomando os bens empenhados na garantia das dívidas, recusando-se até em disponibilizar novas linhas de financiamento a empresas e pessoas físicas em dificuldades (sob a alegação de políticas econômicas de um cenário mais recessivo). Foram ajudados, não repassaram a ajuda estatal e ainda lucraram muito, garantindo para eles um formidável quantidade de ativos (bens móveis, imóveis e até estruturas físicas fabris) produtivos, responsáveis peloatendimento a demandas essenciais à população - como a dos segmentos alimentício, vestuário, energético e de serviços. E a prática foi essa: todo bem/ negócio/comércio tomado em empenho que não pôde ser absorvido e continuado pela corporação financeira foi totalmente encerrado, relacionado como massa falimentar desmobilizada e vendida em partes (maquinário, estoques de produtos e insumos, estruturas/propriedades físicas, etc.), com vistas a garantir uma parcela de compensação para o banco que absorveu o default.

4. Bom, nesse cenário é fácil entender por que quebrou todo mundo - a queda de negócios gerou falências e fechamentos em massa de médios/pequenos empreendimentos e a demissão em larga escala também cresceu, como consequência. O giro de capital no mercado caiu drasticamente, com uma quase "estagnação" de transações financeiras e comerciais em vários segmentos produtivos e fornecedores do comércioe vitais para o mercado interno. Isso revelou um sistema financeiro invertido, agindo em reverso de seuconceito/missão: gerou miséria, ao invés de prosperidade; concentrou renda e reestabeleceu uma elite, ao invés de distribuir renda através do estímulo ao empreendedorismo, ampliando mercados e garantindo igualdade/justiça social via maiores oportunidades e a livre concorrência no mercado. Criou-se tal aberração, verdadeiro paradoxo jamais previsto dentro do Capitalismo - um segmento de negócios/empreendimentos vital (sistema financeiro) que "mata" a quase totalidade de sua carteira de clientes (fofo e razão de sua existência, fonte de prosperidade, perenidade e, por isso, sua maior riqueza) só para manter-se vivo. Parece até que foi caso pensado.

5. Com o setor privado quase estagnado, joga-se o abacaxi para os aparelhos de Estado: estes já haviam "estatizado" a dívida privada e agora "tomavam" empréstimos DAS MESMAS INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS PRIVADAS QUE ANTES AMEAÇARAM O DEFAULT E QUE FORAM RESGATADAS DA FALÊNCIA PELO AGENTE PÚBLICO, disponibilizando liquidez aos Estados com o mesmo dinheiro obtido no cofre do Estado, ESTES AGORA AMEAÇADOS POR ENORMES DÉFICITS PÚBLICOS EM SEUS ORÇAMENTOS gerados pela liberação do empréstimo que cobriu o rombo (privado) do Sistema Financeiro - só que os bancos fizeram isso emprestando a juros de 5% a 6% ao ano (e não a 1%, como obtiveram), porque eles não se prendem em qualquer sentimento altruísta ou preceito ético. O negócio da China no século XXI é lucrar com crises sistêmicas e guerras puntuais...

6. No caso do Banco Central Europeu (BCE), um detalhe tornou tudo mais crítico: na Constituição da União Européia (UE) está escrito que o BCE (absurdamente!) não pode emprestar diretamente dinheiro para os Bancos Centrais de cada país-membro, mas UNICAMENTE ÀS INSTITUIÇÕES/BANCOS PRIVADOS DESSES PAÍSES - vendadeira institucionalização da agiotagem. E ficou assim: o BCE emprestou aos bancos privados em 2008 valores que cobririam o risco de defaut do sistema financeiro em seus países (a 1% ao ano em média, lembre-se), mas "repassando" o custo aos Bancos Centrais nacionais, que então desfalcavam significativamente o "caixa" dos Estados com essa absorção de custos na ajuda dada ao setor privado, incorporando déficits orçamentários astronômicos. Os bancos privados europeus então "sentaram em cima" do dinheiro público que os tirava do risco e executaram os próprios clientes (da mesma forma que aconteceu nos EUA e resto do mundo). Miséria da maioria da população e governos endividados, que também passaram a pegar dinheiro (antes público) dos players privados (com juros de mercado escorchantes de 5% a 6%, sem choro nem vela). A ocasião faz o ladrão, não é mesmo?

7. E este é o detalhe que explica toda essa pressão entre os países europeus (com ameaças até de exclusão de nações da Comunidade Européia) exposta no noticiário mundial: o BCE exige de seus estados-membros padrões/índices econômicos garantidores de um patamar mínimo para seu sistema financeiro ser considerado saúdável, de comprovada liquidez e apto a prosseguir no Mercado Comum Europeu (MCE) - coisa que nações de mercados menores em giro de capitais e liquidez passaram a não conseguir mais cumprir (como Irlanda, Grécia, Itália, Espanha e Portugal), pois não possuem condições de "enxugar mais a máquina" para dirigir uma fatia maior de sua receita para dar conta do rombo da crise (privado, mas absorvido pelo BCE e repassado aos países), os novos empréstimos feitos junto ao sistema financeiro para cobrir o pagamento de suas contas e, igualmente, a continuidade de políticas públicas de estímulo e assistência à população mais desfavorecida - coisa absolutamente prioritária para equilibrar uma sociedade em plena crise econômica mundial.

8. Mas passou-se a exigir destes países em maiores dificuldades medidas austeras e restritivas - estas baseadas em cortes orçamentários a projetos, investimentos e iniciativas consideradas não-prioritárias, bem como a programas sociais e aportes mantenedores de serviços públicos de saúde, educação, transporte, infra-estrutura, além dos sistemas garantidores de direitos trabalhistas e pecuniários historicamente geridos pelo aparato estatal - numa exigência absurda para retroceder em conquistas históricas que deram às sociedades européias o mais alto padrão de vida entre todas as sociedades humanas, de qualquer tempo. Aí residea maior injustiça do processo de recuperação econômica: cobra-se dos cidadãos, estes muito menos responsáveis pela crise sistêmica (e muito mais prejudicados por ela, já que perderam tanto em suas rendas quanto no rombo das contas públicas, pois também são inequivocamente a maior "massa" contribuinte da receita estatal) sacrifícios ainda maiores para recuperar a economia. Mas, da responsabilização dos entes privados cuja irresponsabilidade, esbanjamento e endividamento comprovadamente geraram a crise mundial (via bolhas especulativas e práticas financeiras de alto risco), nada mais se fala...

Conclusão:

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17 comentários
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Alit

Acredito que a grande tsranformae7e3o tecnolf3gica que estamos vivenciando no MIX das 3 (ou mais) Eras e9:1- A JUNc7c3O de tecnologias e de meddias com a tendeancia para a convergeancia/converse3o delas, como exemplo:a- o PC;b- A TV;c- O Celular;d- o re1dio;e- o dvd;f- e as demais meddias combinadas;Assim como o PC unificou num fanico aparelho e tecnologia ve1rias ope7f5es de meddias de comunicae7e3o (texto, audio, imagem e enfim ve1rios documentos) tambe9m estamos caminhando para outros aparelhos, ou APARElho QUE INTEGRE WEB COM AS DEMAIS OPc7d5ES DE INTERATIVIDADE;a grande diferene7a desta ERA para as demais e9 que:1- As meddias ou formatos antigos ne3o eram dependentes, como as atuais da ENERGIA ELc9TRICA!;2-EMBORA PARA A SUA CRIAc7c3O, PRODUc7c3O, DISTRIBUIc7c3O E VENDA se necessitou de energias diferentes (vapor, mece2nica, gasolina etc);3- ESTA PREDOMINc2NCIA E HEGEMONIA DA ENERGIA ELc9TRICA, EM NOSSA ERA, SOBRE AS DEMAIS FORMAS DE ENERGIA, TORNA-A FRc1GIL E INSTc1VEL, PRINCIPALMENTE SOBRE AS ALTERAc7d5ES CLIMc1TICAS Jc1 PREVISTAS NOS PRd3XIMOS 50 ANOS Portanto, teremos cada vez mais um fosso, um abismo separando as duas classes de populae7f5es futuramente:1- Com pleno acesso aos recursos e tecnologias;2- Com nenhum ou medunimo acesso a estas, devido racionamentos e outras formas de privile9gios sf3cio-culturais (apesar desta fase inicial em que parece que tudo e9 GRc1TIS, barato, com valores insignificantes )Afinal, nem tudo que lemos, vemos, publicamos na web e em seus Nb4s canais/formatos e9 CONHECIMENTO, embora possa ser dado, informae7e3o

 
 
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cadocado

"A crise de 2008 nasceu no sistema financeiro privado. Ponto."

Sim, nasceu no sistema financeiro privado, mas os governos foram absolutamente coniventes, logo, também culpados. É muito fácil culpar apenas os mercados, mas lembrem-se quem os regula (ou ao menos deveria regulá-los).

 
 
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Waldyr Kopezky

Caro Roberto São Paulo, acho que a regra de impedimento do BCE para empresar diretamente aos BCs dos países-membros é anterior mesmo à gestão do Trichet - é norma prevista na constiuição da União Européia. E aí é mais difícil mudar, da noite para o dia. Vou procurar saber, ok?

Caro Flávio Reis, a causa da crise é TODA do setor privado - que conseguiu repassar aos governos suas perdas avassaladoras (porque especulou por anos, via renegociação de carteiras de crédito/hipotecárias supervalorizadas e estimou seu falso crescimento num valor irreal, jamais garantido por qualquer empenho/alavancagem equivalente). E criou cenários de default estatal em muitos lugares do globo...

Vou ser um pouco mais explícito: os governos nacionais (á exceção dos EUA - que sempre tiveram déficits monstruosos bancados com a impressão de dólares a rodo) tinham, com o "estopim" (palavra sua)da crise em 2008, este dilema: ou deixavam os bancos quebrarem (default) por si mesmos, denunciando sua irresponsabilidade (mas eximindo-se de tentar qualquer ação para suportar as perdas dos clientes bancários, aplicadores ou poupadores regulares e comprometendo de vez a aura de crediilidade do setor financeiro, tido como âncora do sistema capitalista) ou então emprestavam dinheiro público para tentar um resgate dos bancos, da credibilidade do sistema financeiro como um todo e, portanto, da manutenção da normalidade da economia nacional.

Essa última medida foi a adotada, com a seguinte justificativa: resgatar os bancos seria só o começo, pois os bancos (com sua liquidez normalizada) iriam cdertamente resgatar seus clientes, refinanciando seus débitos; aí, a crise passaria como um mero "soluço" da economia e nem transações financeiras ou ou comércio (mercado interno) iriam ser reduzidas, mantendo setores produtivos, as suas empresas e empregos de sempre, graças ao volume de negócios mantido em normalidade. E o déficit orçamentário estatal a mais (fruto da absorção do rombo do setor privado) poderia ser solucionado em médio/longo prazo - a manutenção da economia e dos negócios em bons níveis garantiria o giro do dinheiro, que volta (inexoravelmente) ao Estado via tributação regular do fluxo de negócios e transações comerciais. Os papéis públicos não desvalorizariam e sua liquidez (valor de mercado) possibilitaria o esforço maior dos Estados (esta, com certeza, a maior empresa de um país) a um empenho na busca de dinheiro - tanto no sistema financeiro local quanto nas irganizações internacionais como FMI, Clube de Roma e Banco Mundial - para honrar seus compromissos.

Era um ótimo plano. Mas os bancos privados conseguiram o dinheiro que tapava seu "rombo" de caixa com os Estados sem exigências explícitas ou condicionantes de repasse obrigatório desses valores como liquidez destinada a refinaciamento dos débitos de pessoas físicas/jurídicas, todos eles clientes regulares da carteira dos bancos. Ingênuo, mas compreensível: como é que Obama ou Bernanke poderiam imaginar que uma(s) empresa(s) iria(m) agir para "matar" seu mercado, a fonte de sua lucratividade e continuidade? Jamais!!! É a negação de uma premissa basilar da nosso sociedade de mercado e da livre-concorrência, verdadeiro alicerce físico e conceitual (pois determina na população a confiabilidade necessária para uma livre outorga de sua renda e prosperidade) do que convencionou-se chamar de sistema capitalista global.

Não repassaram o dinheiro - e, se antes poder-se-ia alegar incompetência ou irresponsabilidade no "estopim" da crise, nesse momento não se pode falar nada menos do que má-fé do setor financeiro privado. E a razão para isso não é uma loucura conspiratória, não - é muito simples: refinanciar os débitos dos clientes significa um risco maior (presença de volume de inadimplência) com lucro menor, pondo o (raro) dinheiro conseguido junto aos agentes estatais sem que isso garanta expansão de mercado via novos negócios - é crescimento zero, com valor de mercado idem para estes agentes financeiros. Ademais, executar a clientela garantiu a tomada de posse de uma infinidade de novos bens aos bancos (casas, carros, terrrenos, fábricas, estoques, navios, insumos), patrimônio passível de especulação (especialmente em um ambiente recessivo e de carência de négócios produtivos). Enquanto a economia está na pior o valor desse "estoque de bens" será baixo, mas garante um número maior no balanço anual da empresa (crescimento de ativos patrimoniais) e um índice (enganoso) de expansão e lucratividade. Depois que a economia recuperar-se, seu valor aumentaria ainda mais no mercado, talvez até para os antigos patamares pré-2008. É so esperar: novas perspectivas em oportunidades de  negócio futuras - e sem compromenter um centavo do caixa recuperado. É um cenário win-win (não há como perder).

E ademais, vem com um plus: o dinheiro no caixa permite que você empreste AO GOVERNO, em taxas maiores da que você pegou emprestado (de 5% a 6%, contra 1% cobrado pelo agente estatal)  - você lucra com seu próprio cenário quasi-falimentar, sem risco ou porcentagem alguma de inadimplência - algum governo no mundo desde 2008 anunciou que deixará de pagar seus compromissos? Não! Os Estados SEMPRE precisam de dinheiro e linhas de crédito abertas, então são obrigados a se sujeitar a condições escorchantes dos agentes financeiros privados, sob pena de não ter caixa para atender às demandas públicas por investimentos, ações sociais e custos de gestão - e nenhum político pode se reeleger se for acusado de quebrar o Estado, não é mesmo?

Flávio Reis, não se engane: os Estados nacionais não tiveram NADA que ver com a crise de 2008, em termos de rombo por má gestão ou prática temerária. Prova disso é que vários países (mesmo desenvolvidos) viveram décadas com oscilações constantes em seus fluxos de liquidez - um ano no azul, outro no vermelho - e isso jamais causou uma crise econômica no mundo. E menos ainda uma como a de 2008, pior do que a de 1929. Se há que se identificar uma responsabilidade dos Estados nacionais nessa crise, ela seria a da total falta de percepção no perigo de um processo (gradual) de desregulamentação das economias e dos fluxos de capitais (privados e migrantes), que vão e vêm nesse (novo) ambiente de economia globalizada. À miopia do Obama e do Bernanke somaram-se anos de governos (Reagan, Clinton, Bush) implementando políticas econômicas que destruíram qualquer capacidade de inferência ou mínimo controle nas ações dos players de seu mercado financeiro. Coisa que não ocorreu no Brasil, já que BB e CEF são empresas que atuam competindo no mercado com seus pares privados e pressionaram estes a uma liberação de crédito que mantivesse o aquecimento da economia - por decisão POLÍTICA do Governo Lula, que apostou em uma ação de risco maior e lucro incerto (mas não improvável) e contra toda a opinião (insidiosa, pois ensaiada com os agentes privados) de seu staff econômico encabeçado pelo Henrique Meirelles.

Tudo o mais é ilusão que obnubila (adoro essa palavra!) a realidade dos fatos. Abs.

 
 
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Flavio Reis

Como o seu comentário virou artigo, postei a minha observação lá

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-responsabilidade-da-crise-de-...

 
 
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Roberto São Paulo-SP 2013

Creio o aprofundamento da crise na zona do euro está sendo provocado pela insistência dos membros do BCE na necessidade de um brutal ajuste fiscal nos  países mais endividados da zona do euro.

Creio o simples fato do BCE passar a defender a garantia do títulos dos países da zona do euro e estabelecer um compulsório bancário em que fosse possível utilizar títulos públicos da zona do euro no recolhimento, já viabilizaria a redução dos juros da rolagem da dívida pública na zona do euro para os mesmos níveis próximos do títulos americanos, cerca de 2% ao ano para títulos de 10 anos e quase zero para títulos de cinco anos ou menos.

Sem a concordância do BCE dificilmente os governantes da zona do euro irão se movimentar para permitir ampliar a liquidez dos títulos públicos da zona do euro.

Recentemente assistimos um confronto dos membros do Banco Central da Argentina, no Brasil no final de 2007 o Ministério da Fazenda propôs aumentar o superávit fiscal, reduzir os gastos públicos, e adotar medidas para reduzir os prazos do financiamentos destinados ao consumo,  para evitar um aumento dos juros da Selic, mas não houve concordância com os membros do Banco Central.

Creio que um dos motivos da redução dos da Selic iniciada em agosto de 2011, ocorreu em função das reuniões internacionais do Ministro Presidente Alexandre Tombini, deve ter percebido a resistência do BCE em dar mais liquidez ao títulos públicos da zona do euro e a insistência na necessidade de ajuste fiscal brutal.

anexo

'Credibilidade do BC está em xeque'


Para o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, 'a grande dúvida saber se a instituição tem autonomia na política monetária'
02 de setembro de 2011 | 0h 00....Ricardo Leopoldo - O Estado de S.Paulo

O ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola afirmou ontem que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de baixar os juros de 12,50% ao ano para 12% foi "equivocada" e mostrou certa imprudência do colegiado do BC.
"A grande dúvida hoje é saber se o Banco Central tem autonomia na política monetária", comentou, referindo-se a eventual capitulação do Copom a pressões políticas vindas do Palácio do Planalto e do Ministério da Fazenda para que fosse iniciado imediatamente um ciclo de redução da Selic. "A credibilidade do BC está em xeque", apontou.

Para Loyola, o sistema de metas de inflação puro, que persegue um objetivo central, aparentemente está abalado. "Ninguém sabe mais qual é a meta de inflação, se é 4,5% ou mais", afirmou. Segundo ele, a Tendências Consultoria Integrada, da qual é sócio, prevê que o IPCA chegará a 6,6% este ano e a 5,4% em 2012, mas com a redução inesperada dos juros ele acredita que certamente a taxa subirá. "A inflação pode agora chegar a 6% em 2012", apontou.

Na avaliação de Loyola, o presidente do BC, Alexandre Tombini, tem uma visão privilegiada sobre o cenário de crise internacional, até porque participou do encontro de presidentes de BCs realizado na semana passada em Jackson Hole, EUA. Contudo, ele ponderou que seria mais adequado que a autoridade monetária brasileira tivesse utilizado mecanismos de comunicação para informar aos agentes econômicos que uma recessão mundial é inevitável no curto prazo. "O BC não convenceu. Não há evidências de que o mundo vai entrar em recessão tão rapidamente. Além disso, a inflação está acima da meta e as expectativas para o próximo ano apontam que ela também está distante dos 4,5%", comentou Loyola

Também crítico, o ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman afirmou que a decisão tomada pelo Copom foi "errada" e deve fazer com que a curva de juros futuros fique "empinada" nos próximos dias. "A credibilidade foi arranhada", comentou. "O BC terá problemas para coordenar expectativas de inflação de agora em diante", disse, destacando o curto prazo.

Segundo Schwartsman, as projeções de agentes econômicos para o índice de inflação devem subir nos próximos dias.

Antes da reunião do BC, ele calculava que o IPCA subiria 5,3% em 2012, com a taxa de juros entre 12,50% e 12,75% até o fim do próximo ano. Mas agora, com este "impulso monetário" que poderá ficar abaixo de dois pontos porcentuais, ele estima que o índice deve ficar entre 5,5% e 6% em 2012. Para Schwartsman, a queda dos juros adotada pelo BC baseia-se num cenário de "colapso" externo, com uma recessão mundial tão forte ou maior do que a de 2008. Na avaliação dele, não há evidências objetivas de dados econômicos que indiquem que a economia global vai entrar num período de retração tão vigoroso no curto prazo.

 

2010

 
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Frederico69

é a volta da máxima, o estado mínimo, que no mínimo só pode garantir o lucro dos empresários, a população que se dane. enquanto estes interesses dominarem os governos não poderá haver paz e ordem no mundo inteiro, pois sempre terão uma desculpa esfarrapada para garantir seus lucros. 

obviamente a europa não estaria atolada até o pescoço se tivessem cuidado do povo e  não dos bancos  durante a crise.

 

Reanimation of the sequence Rewinds the future to the past. To find the source of the solution; The system has to be recast. Black Sabbath em solo sagrado 9/10/13!!

 
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Djijo

Se lembram que por causa da crise de 2008 a banca privada brasileira se negavam finaciar empresas? Teve que Lula usar as estatais para isso? Então, seria diferente os bancos privados brasileiros dos demais parceiros de agiotagens europeus e americanos?

 
 
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Celio Mendes

Esse é o ponto, um dos fatores que pouparam o Brasil foi não ter ido tão a fundo na politica neo-liberal, mas porque não foi? Teria sido um rasgo de iluminação no governo FHC? Creio que não, mais uma vez Deus provou ser brasileiro, no auge da sanha privatista ocorreu o que foi denominado apagão, mais tarde a mídia tentou redenomina-lo como "apagão elétrico" para diferenciar de outros "apagões" que tentou criar, mas nada se comparou ao primeiro e único que levou as pessoas a recorrerem a tecnologias que se pensava terem sido definitivamente banidas como o ferro de passar roupa movido a carvão, mesmo a mídia com todo o seu poder de manipular a informação não conseguiu mascarar a gigantesca incompetência tucana, a população pode ser iludida por algum tempo mas não por todo o tempo e deu o troco em 2002, se o apagão não tivesse ocorrido é muito provavel que Serra tivesse sido eleito e completado a obra do FHC, estariamos em 2008 sem nenhum banco público, o governo faria um apelo aos banqueiros privados para irrigar a economia com crédito, os banqueiros convocariam uma reunião com o BC e diriam que para fazer isso o governo teria que diminuir o compulsório, reduzir o IOF e "fazer o famoso dever de casa" que é nada mais nada menos que cortar gastos para sobrar dinheiro para a banca, o Brasil entraria na espiral corte de gastos/ampliação da recessão/diminuição da arrecadação/mais corte de gastos e teriamos o presidente na mídia tentando convencer os "investidores" de que o Brasil não é a Grécia, como se especuladores se preocupassem com lições de geografia.

 

Srªs Senadoras e Srs. Senadores, a Transparência Internacional divulgou, nesta terça-feira, a classificação anual dos países mais corruptos do mundo, e a situação do Brasil, sob o império do “lulismo”, só piorou. Demóstenes Torres 08/10/2003

 
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Ivan Moraes

"Já os bancos, livres de quaisquer compromissos (novamente saudáveis pela injeção da liquidez estatal), surpreendentemente não refinanciaram seus clientes inadimplentes":

Pra mim nao houve surpresa nenhuma:  tinha trilhoes de "dolares" falsos rodando no mercado em forma de "papeis" que nao valiam nada.  Os bancos nao refinanciaram porque era, e ainda eh, muito mais dinheiro do que a populacao sabe.

Foi acao de mafia mesmo.

 

ECHELON saiu da internet. ECHELON agora esta no seu proprio computador.

 
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Roberto São Paulo-SP 2013

Creio que no caso do Banco Central Europeu (BCE), o detalhe que tornou tudo mais crítico, foi o fato que o Presidente do BCE,  Jean-Claude Trichet, e os demais membros do  Conselho do BCE  terem defendido que o BCE não pode emprestar diretamente dinheiro para os Bancos Centrais de cada país-membro, assim como defenderam abertamente um brutal ajuste fiscal e as reformas trabalhistas, nos países mais endividados da zona do euro.

Creio que se os membros do Conselho do BCE tivessem entendido a necessidade de dar ampla liquidez ao títulos públicos da zona do euro,  e defendido a mudança da Constituição da União Europeia (UE), além de diminuir o tamanho da necessidade do ajuste fiscal, e defendido a mudança na constituição hoje o euro poderia estar substituindo o dólar como Reserva de valor e como padrão monetário internacional.

Creio o simples fato do BCE passar a defender a garantia do títulos dos países da zona do euro e estabelecer um compulsório bancário em que fosse possível utilizar títulos públicos da zona do euro no recolhimento, já viabilizaria a redução dos juros da rolagem da dívida pública na zona do euro para os mesmos níveis próximos do títulos americanos, cerca de 2% ao ano para títulos de 10 anos e quase zero para títulos de cinco anos ou menos.

Basta lembrar que nos EUA, foram rasgados vários dogmas do liberalismo econômico, chegando a estatizar temporariamente parte do sistema financeiro, as maiores indústrias automobilística, e a maior seguradora do mundo.

No Brasil, além de reduzir o superávit primário e realizar um enorme aporte ao BNDES, agora está sendo alterada a remuneração da caderneta de poupança.

As mudanças, qualquer mudanças, são possíveis, desde que entendida e defendida como necessária pelas autoridades e pelos governantes, ou por grandes revoltas e/ou revoluções.


 

2010

 
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Assis Ribeiro

O artigo é bastante claro. É incrível como a direita se apropria como se fosse sua de idéias de avanços na sociedade. Foi assim com todos os movimentos da década de 60, negros, mulheres, o movimento por mais liberdade dos hippies, e arrotam que são eles os defensores da democracia e se a esquerda estivesse no poder perderíamos a liberdade a democracia.

Isso ocorre também quando tentam jogar no colo dos governos de centro todas as mazelas dos desastres econômicos provocados pelo modelo neoliberal que provocou pela concentração de riqueza nas mão de poucos uma subserviência canina aos seus preceitos de menos governo, mais austeridade. Escondem ou jogam para debaixo do tapete que a crise foi provocada, toda ela pelo sistema financeiro privado que no afã de aumentarem os seus já enormes lucros despejaram empréstimos sem  um mínimo de preocupação com a seu pagamento, já que empresas "mais bobas" comprariam estes micos. Isso não foi suficiente para provocar a cascata que atingiu a muitos e os governos irresponsavelmente se virão coagidos a cobrirem este rombo. Essa é a história, e alguns tentam desviar essa verdade para proteger o predador neoliberalismo.

 
 
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Flavio Reis

"A crise de 2008 nasceu no sistema financeiro privado. Ponto."

Esta observação induz a uma interpretação equivocada. A bolha do crédito subprime foi apenas um estopim.

A maioria das análises econômicas consegue dissimular o problema, desviar a atenção da verdadeira causa da crise: o endividamento dos paises desenvolvidos (EUA, UE etc). A bolha de crédito foi apenas um dos fatores do crescimento artificial das economias desenvolvidas.

O desafio dos governos agora é administrar (conter) a grande bolha, tentando minimizar os prejuizos financeiros e os impactos sociais.

Não é razoável combater a crise alimentando a sua causa (endividamento dos estados). Não parece possível estimular o crescimento econômico (insustentável) com mais gastos dos governos. A economia da maioria dos países europeus está estagnada, não é possível fazer comparação com o Brasil. Não existe mágica, alguém vai pagar a conta mais cedo ou mais tarde.

Uma solução alternativa seria a ruptura com o sistema, mas, exceto pela Grécia, o desespero da população ainda não alcançou esse ponto crítico.

 
 
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Assis Ribeiro

"A crise de 2008 nasceu no sistema financeiro privado. Ponto."

Esta observação induz a uma interpretação equivocada. A bolha do crédito subprime foi apenas um estopim.

 
 
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Flavio Reis

"A crise de 2008 nasceu no sistema financeiro privado. Ponto."

Esta frase atribui a responsabilidade pela crise ao sistema financeiro privado. Parece discurso do Obama tentando convercer a opinião pública norte-americana sobre a necessidade da regulação do sistema financeiro. Concordo com a necessidade de forte regulação do sistema financeiro mas essa não é a causa do problema. Recomendo a leitura dos artigos que especulam sobre a quebra do Dólar, pois descrevem com muita simplicidade a situação.

"Esta observação induz a uma interpretação equivocada. A bolha do crédito subprime foi apenas um estopim."

'Estopim' aqui é apenas o primeiro furo da bolha, mas virou bode expiatório para a maioria dos 'analistas'.

 
 
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Assis Ribeiro

Flavio.

Que a popuilação não vire o bode expiatório.

 
 
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Flavio Reis

Prezado Assis,

Zoologicamente falando, em meio aos 'bodes' que vão surgir, acho que apenas a população vai pagar o 'pato'.

 
 
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Anderson Flávio

"Não existe mágica, alguém vai pagar a conta mais cedo ou mais tarde."

Nesse caso, que fosse o sistema financeiro internacional. Mas isso sim seria uma revolução que não dá sinais de que irá acontecer.

 
 

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