Operação da Petrobras vai bem, mas cadeia se beneficia pouco

Por Luiz de Queiroz

A descoberta de petróleo no pré-sal trouxe grandes expectativas para o desenvolvimento de uma indústria naval que até o começo dos anos 2000 amargava um inexplicável abandono.

Da mesma forma, havia uma grande esperança de que as demandas do pré-sal e as políticas de conteúdo local fortalecessem toda uma cadeia de fornecedores que estão abaixo da Petrobras e dos estaleiros da indústria naval. No entanto, alguns problemas conceituais ainda atrapalham esse desenvolvimento.

O assunto foi tema de discussão no 57º Fórum de Debates Brasilianas.org.

O potencial, indiscutivelmente, é imenso. A província do pré-sal tem 1.523 km². Uma área 100 vezes maior do que a cidade de São Paulo. E o desempenho operacional não desaponta. Em fevereiro deste ano, o pré-sal já tinha 136 poços perfurados, 79 de produção e 57 de exploração. Nesse período, a produção bateu recorde e chegou a 737 mil barris de petróleo por dia.

Para Mauro Yuji Hayashi, gerente executivo da Petrobras de Exploração e Produção no Pré-sal, a importância das novas reservas de petróleo também se devem ao fato de que as descobertas surgiram em um momento de declínio de produção dos poços tradicionais. “Toda reserva de petróleo tem declínio de produção, que pode chegar a 10% por ano. Nós precisamos repor isso com novas reservas”, disse.

E a indústria do petróleo tem demanda por tecnologias de ponta. Hayashi usou o exemplo das sondas de exploração. “São um recurso escasso. Na época da descoberta operava-se com duas sondas. Hoje são 26. Foi para fortalecer a indústria nacional e a cadeia de fornecedores que a Sete Brasil foi criada para construir 28 novas sondas”, disse.

Lembrou também que este ano a Petrobras foi reconhecida pela Offshore Technology Conferences como a companhia de petróleo que mais contribuiu para o desenvolvimento tecnológico.

No entanto, Alberto Machado Neto, diretor de Petróleo, Gás Natural, Bioenergia e Petroquímica da ABIMAQ, compartilhou uma outra visão, de quem está na base da produção. Ele reclamou da concepção dos regimes aduaneiros especiais, entre eles o Repetro, que não atingem toda a cadeia de valor, só beneficiam petroleiros e estaleiros, o que causa assimetria.

O mesmo vale para o Fundo da Marinha Mercante, que só atende os estaleiros. “Os níveis de baixo têm que capitalizar no mercado, com as taxas de mercado”, disse Machado.

Também afirmou que o conteúdo local não estimula tanto a indústria nacional. Enquanto os investimentos da Petrobras cresceram 500%, o faturamento da indústria de máquinas só cresceu 40%. “A indústria brasileira não se apropriou dos investimentos do Petrobras”, disse.

“O conteúdo local é um indicador de uma política. Ele em si não é uma política. É como se você controlasse uma febre soprando o termômetro. Um navio construído no Brasil, mas que tem todo o conteúdo interno importado tem conteúdo local? Precisamos repensar essa questão”, disse.

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O pré-sal e seu impacto sobre o crescimento do país
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